
Um dos alimentos mais saborosos e uma sobremesa presente nos lares brasileiros, principalmente neste período de calor, o sorvete, tem sido cada vez mais consumido. Dados da ABIS indicam que o consumo per capita no Brasil está em ascensão. Com a variedade crescente de sabores e tipos, a sobremesa se tornou um item comum, o que torna o debate sobre seu consumo consciente ainda mais relevante.
Apesar de ser uma paixão nacional, a sobremesa é frequentemente vista como um “vilão” em dietas e planos alimentares. Mas, afinal, é possível incluir o alimento sem comprometer o plano alimentar? Para o professor do curso de Nutrição da Estácio, Phelipe Auerswald, o primeiro passo para uma relação saudável com a comida é desmistificar o conceito de “alimento vilão”.
Para ele, a dieta balanceada não se baseia em proibições radicais, mas em um manejo consciente do que se consome. “Não existe um alimento que, isoladamente, seja capaz de comprometer toda uma dieta. A chave está na frequência e na quantidade, e isso se aplica também ao sorvete”, explica o professor.
Segundo o nutricionista, a composição do sorvete é o fator mais importante. Ele orienta que, ao escolher a sobremesa, as pessoas devem priorizar opções com menos gordura saturada e açúcares, como os sorvetes à base de frutas ou iogurte natural. “O ideal é tomar cuidado com sorvetes com a quantidade exagerada de açúcar e gordura vegetal hidrogenada, que é um tipo de gordura trans. O consumidor precisa se habituar a ler os rótulos e entender os ingredientes, buscando produtos mais naturais e menos processados. O sorvete caseiro, feito com frutas e um adoçante natural, é outra excelente opção que permite total controle nutricional”, indica.
A inclusão do sorvete na dieta, portanto, é mais uma questão de estratégia do que de proibição. “É possível desfrutar do sabor sem prejudicar a saúde. A educação nutricional permite que as pessoas façam escolhas conscientes, transformando um momento de prazer em algo que se encaixa perfeitamente em um estilo de vida saudável e equilibrado”, reforça o especialista.
Sorvete Tradicional
O que fazer quando a vontade é de consumir um sorvete mais calórico? Phelipe reforça que mesmo as opções tradicionais podem ser incluídas em um plano alimentar, desde que com moderação e compensação estratégica. “É um erro pensar que a única solução é evitar o sorvete tradicional. A abordagem mais sustentável e saudável a longo prazo é a do equilíbrio. Se a pessoa deseja comer um sorvete mais calórico, deve ajustar o consumo de outros alimentos ao longo do dia para compensar o valor energético”, orienta.
Segundo o professor, essa compensação pode ser feita por meio de escolhas inteligentes. “É possível optar por refeições mais leves, ricas em vegetais e proteínas magras, antes ou depois do consumo do sorvete. Aumentar a prática de atividade física no dia é outra forma eficaz de equilibrar a ingestão calórica. A dieta é um sistema, e o sorvete pode ser um componente desse sistema sem causar desequilíbrio”, conclui o nutricionista.
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