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Publicado em 09/01/2021 11h43.

Das coisas que aprendi nos discos: Especial O Clube dos 27 - Brian Jones, 942/1969

Brian era incrível, embora não tivesse a mesma facilidade de Jagger e Richards para compor, o que causava alguns conflitos de ordem criativa.
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Das coisas que aprendi nos discos: Especial O Clube dos 27 - Brian Jones, 942/1969
Foto: Arquivo pessoal

Por Carlos H. Kruschewsky*

LP: Rolling Stones 30 Greatest Hits

“I was 'round when Jesus Christ
Had his moment of doubt and pain
Made damn sure that Pilate
Washed his hands and sealed his fate”
Sympathy For The Devil – The Rolling Stones

Lewis Brian Hopkin Jones... Esse nome te diz alguma coisa? Não? Talvez ele tenha ido cedo demais, e por sua banda ainda está em atividade, seu nome pode ter caído no esquecimento. Mas se você sabe quem é Brian Jones, me ajude no trabalho de lembra-lo e de repente apresentá-lo a toda uma geração. Vamos lá! Saca seu Smart Phone, abra seu player de Streaming favorito (Youtube, Dizer, Spotify, o que você preferir), procura as músicas Paint it Black, (I can´t Get No) Satisfaction, Gimme Shelter e Sympathy for the Devil. Canções icônicas de uma época em que se esforçavam para serem eternas e que músicos faziam o possível para deixarem suas marcas na história. Se você ainda não adivinhou, deixe eu acabar com o mistério e contar que Brian Jones foi “simplesmente” O FUNDADOR do primeiro grupo a se tornar o número 1 das paradas de sucesso em seis décadas diferentes, segundo maior recordista em número 1 nas paradas britânicas (perdem apenas para os Beatles) e uma das bandas de maior sucesso e importância da História do Rock, e ainda em atividade: OS ROLLING STONES.

Foto: Reprodução/Rádio Agência Senado

Filho de um engenheiro da marinha inglesa e uma professora de piano, Brian era conhecido por uma versatilidade musical incrível. Aprendeu a tocar piano com sua mãe (aos 6 anos), enquanto ministrava aulas na igreja, embora ainda cedo tenha adotado a guitarra como instrumento principal, mesmo esse não sendo o único instrumento a dominar. Foi em 62 que Brian convidou Mick Jagger e Keith Richards para fundarem uma banda profundamente influenciada por artistas do Blues como Robert Jonson, Muddy Waters e Chuck Berry. Influenciados por uma canção do Muddy Water, que dizia: “rolling stones gather no moss” (pedras rolantes não criam musgos), nomearam o grupo de The Rolling Stones.

O Rapaz de cabelos dourados, roupas estravagantes e técnica singular foi muito bem sucedido na empreitada. Com os Rolling Stones, Brian gravou uma porrada de discos memoráveis e boa parte das músicas que ainda hoje fazem sucesso tiveram seus dedos na composição. Ao longo do tempo em que ficou ativo nos Stones, Brian acumulou dinheiro, fama, e uma multidão a sua volta. Desde criança, Brian era fã do Ursinho Pooh, então não foi uma grande surpresa quando decidiu comprar a casa, Cotchford Farm, antiga moradia do escritor inglês A.A. Milne, criador do personagem. Foi seu estilo de vida banhado a muito “Sexo, Drogas e Rock n’ Roll”, que levou Jones em rota de colisão com seus companheiros de banda. A Relação com Keith já não era das melhores, piorou bastante quando após o rompimento com uma namorada, Keith Richards passou a sair com ela.

Brian era incrível, embora não tivesse a mesma facilidade de Jagger e Richards para compor, o que causava alguns conflitos de ordem criativa. Foi um dos primeiros a inserir a cítara indiana (assim como George Harrison dos Beatles) na harmonia do Rock, mas sua dependência em drogas foi tornando sua presença nos Rolling Stones cada vez mais difícil. Keith Richards chegou, em alguns momentos, a recusar-se a tocar com Jones. Desta maneira, em 1969, após a gravação do LP Let it Bleed, foi desligado da banda. Poucas semanas depois, em 03 de julho de 1969, Brian Jones foi encontrado afogado na piscina de sua casa. As causas nunca foram totalmente esclarecidas.

Há quem diga que Brian vivia um momento muito difícil e a morte de um dos Stones, aos 27 anos, foi um choque imenso em sua época. Uma depressão profunda se arrastava por alguns anos, o que foi intensificado após a sua separação do grupo que havia fundado. Brian fez o possível para não reagir de forma dramática à separação e, apesar do sofrimento, seguiu na direção de construir um novo projeto. Convidou John Lennon e Jimi Hendrix para formarem uma nova banda. Lennon era um dos homens mais conhecidos do mundo, no cenário musical, simplesmente a principal voz dos Beatles, e Hendrix era conhecido por ser o melhor guitarrista de sua geração. Tarde da noite do dia 03 de julho de 1969, Jones decidiu nadar. Havia bebido um pouco, mas não o suficiente para embriagar-se (segundo testemunho de sua namorada). No meio da noite a garota ausentou-se para atender a uma chamada telefônica e quando retornou, 15 minutos depois, Brian Jones estava morto, afogado no fundo da piscina.

A Causa da morte foi registrada como afogamento, mas havia uma grande suspeita de que um de seus empreiteiros, Frank Thorogood, que trabalhava na reforma da casa de Jones, havia sido responsável por sua morte. Boatos dizem que Frank havia confessado o crime a sua filha, quando estava em seu leito de morte, em 1993. Todos soubemos desta história em 2009, numa entrevista concedida por Tom Keylock (antigo empresário dos Stones). Meses depois da entrevista, Keylock também faleceu. Teorias conspiratórias dizem que sua morte foi orquestrada por empresários do ramo da música, pois os planos de Jones eram muito ambiciosos e se a banda com Lennon e Hendrix de fato acontecesse, causariam um efeito dominó de contratos quebrados e milhões perdidos. Seja como for, Brian nos deixou aos 27 anos integrando o famigerado clube dos 27. O próximo a entrar nesta lista seria seu amigo Jimi Hendrix, em setembro do ano seguinte, também aos 27 anos.

Escolhi o Long Play da foto por 2 motivos. 1: Infelizmente não possuo um LP antigo dos Stones (de uma época em que Brian Jones era membro efetivo da banda); logo me sobrou o motivo 2: Esse é uma coletânea dos 30 maiores sucessos da banda, muito deles de um tempo em que Jones mostrava sua melhor performance. O que nos leva a lista das 3 melhores faixas.

Melhores faixas (difícil de dizer, o disco inteiro é incrível, mas vamos lá):

• (I can´t Get No) Satisfaction,Me and the Devil Blues
• Paint it Black
• Julp Jack Flash 

 

*Carlos H. Kruschewsky é psicólogo, psicanalista, presidente do Dragornia Moto Club, BeerSommelier, Homebrewer, sócio da Dragornia Cervejaria e Colecionador de Discos. Instagram: @sr.ck @dragornia

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