
O calendário de 2026, com maior número de feriados prolongados distribuídos ao longo do ano, deve impactar diretamente a forma como os brasileiros planejam e consomem viagens. A expectativa do setor é de aumento nas escapadas de curta duração, principalmente em períodos de três a quatro dias, o que tende a pressionar preços de passagens, hospedagens e serviços turísticos para quem decide viajar em cima da hora.
Segundo analistas do mercado, o cenário consolida uma tendência já observada nos últimos anos: menos viagens longas concentradas em datas fixas e mais deslocamentos ao longo do ano, com foco em descanso, experiências personalizadas e melhor custo-benefício. O efeito colateral dessa mudança é a elevação dos preços em feriados prolongados, sobretudo para reservas feitas com pouca antecedência.
Para a consultora de turismo Santuza Macedo, o calendário passa a ser um elemento central na estratégia de quem pretende viajar em 2026. “Quando os feriados se encaixam melhor nos fins de semana, a demanda aumenta muito rápido. Quem deixa para decidir na última hora encontra menos opções e valores mais altos. O planejamento antecipado deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade”, afirma.
Planejar antes será decisivo para economizar
A variação de preços conforme a proximidade do feriado é um dos principais desafios para o consumidor. Passagens aéreas, diárias de hotel e até passeios turísticos costumam registrar aumentos significativos nas semanas que antecedem datas prolongadas.

“Quem se organiza com meses de antecedência consegue escolher horários melhores, evitar tarifas inflacionadas e parcelar a viagem de forma mais equilibrada. Já quem decide perto do feriado paga mais e, muitas vezes, aceita opções que não são ideais”, explica Santuza. Segundo ela, planejar não significa engessar a viagem, mas usar o calendário a favor, com flexibilidade de destino e atenção às datas.
Viagens mais curtas, lentas e fora do óbvio
Outro reflexo do novo calendário é a mudança no perfil das viagens. Em vez de roteiros longos e acelerados, cresce a busca por viagens mais curtas e lentas, com menos deslocamentos e maior permanência em um único destino.
Esse movimento favorece cidades do interior, regiões serranas, áreas de natureza e destinos próximos aos grandes centros urbanos. “Muitos viajantes têm trocado o avião pelo carro e buscado lugares menos concorridos. Além de reduzir custos, isso melhora a experiência e diminui o desgaste típico da alta temporada”, avalia a consultora.
Tecnologia ajuda, mas não resolve tudo
Ferramentas digitais e recursos de inteligência artificial devem ganhar ainda mais espaço no planejamento das viagens em 2026, facilitando a comparação de preços e a sugestão de datas alternativas. No entanto, o uso massivo dessas plataformas também pode concentrar turistas nos mesmos destinos.
“Os algoritmos costumam indicar os mesmos lugares para todo mundo. Quando isso acontece, o destino lota e os preços sobem rapidamente. O olhar estratégico ainda é fundamental para fugir do óbvio e encontrar boas oportunidades”, diz Santuza.
Personalização ganha força nos feriados
Com mais feriados ao longo do ano, cresce também a procura por viagens com propósito, mesmo que curtas. Retiros de bem-estar, experiências gastronômicas, turismo de natureza, viagens rodoviárias e roteiros pensados para diferentes fases da vida aparecem como alternativas aos pacotes tradicionais.
“Os feriados prolongados permitem criar viagens mais significativas, sem precisar de muitos dias fora. A lógica deixa de ser quantidade e passa a ser qualidade”, resume a especialista.
Um novo jeito de viajar
Para Santuza Macedo, 2026 deve marcar uma virada no comportamento do viajante brasileiro. “Quem entende o calendário, planeja antes e escolhe destinos compatíveis com o tempo disponível consegue viajar mais vezes, gastar menos e evitar os principais problemas da alta temporada”, conclui.
Com feriados bem distribuídos e novas tendências de consumo, o próximo ano se apresenta como uma oportunidade para transformar o jeito de viajar no Brasil, com mais estratégia, menos improviso e melhor aproveitamento do orçamento.
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