
Nem toda planta de interior vai te dizer que está infeliz — mas a Monstera Burle Marx dá sinais claros se algo não vai bem. As folhas pequenas, finas e com poucos recortes são o grito silencioso de que algo precisa mudar. E, ao contrário do que muitos pensam, não é só a rega que está em jogo: a quantidade de luz filtrada que essa planta recebe por dia pode transformar completamente sua aparência. Uma diferença de apenas duas horas a mais (ou a menos) já é suficiente para mudar o formato, tamanho e até a cor das folhas.
O papel da luz filtrada no desenvolvimento da Monstera Burle Marx
A Monstera Burle Marx, como outras variedades do gênero Monstera, é nativa de florestas tropicais úmidas, onde a luz solar chega de maneira suave, filtrada por copas de árvores. Ao tentar reproduzir esse ambiente em apartamentos ou casas, muitos cometem um erro clássico: colocam a planta em locais muito escuros ou em locais com luz solar direta, que queima as folhas.
O ideal é que a Monstera receba de 4 a 6 horas diárias de luz indireta forte. Isso significa posicioná-la próxima a janelas com cortinas finas ou onde a luz do sol seja difusa. Menos do que isso e a planta começa a produzir folhas menores, sem furos ou recortes, o que compromete seu visual exótico e robusto. Mais do que isso, principalmente luz direta, pode levar a manchas queimadas, desidratação e estresse da planta.
Folhas espaçadas indicam pouca luz, não falta de água
Um erro comum é interpretar folhas muito espaçadas no caule como falta de rega ou nutrientes. Na verdade, esse é um sintoma clássico de luz insuficiente. Quando a Monstera não recebe a iluminação necessária, ela estica seus ramos em busca de claridade, criando internódios longos (espaço entre as folhas) e uma aparência “esticada”, pouco densa. Isso enfraquece a estrutura e pode prejudicar a saúde da planta a longo prazo.
Além disso, plantas que recebem pouca luz costumam ter um crescimento mais lento e não desenvolvem os recortes típicos que tornam a Monstera tão desejada. Esse visual achatado e desfigurado pode ser evitado apenas com uma mudança estratégica de local.
Janelas voltadas para leste ou oeste são ideais
Se você tem uma Monstera Burle Marx e quer ver aquelas folhas grandes, com recortes e brilho saudável, escolha com carinho onde ela vai morar. Janelas voltadas para o leste são ideais: o sol da manhã é mais suave e oferece luz suficiente para a fotossíntese sem agredir a planta. O oeste também funciona, mas é preciso cuidado com o calor mais intenso do fim da tarde — nesse caso, uma cortina leve ajuda a proteger a folhagem.
Evite posicioná-la em locais com iluminação artificial exclusiva ou em corredores escuros. Mesmo que a planta sobreviva, ela não vai prosperar e apresentará os sinais típicos de estresse por falta de luminosidade. Se sua casa não oferece boa luz natural, vale investir em uma luz de cultivo (grow light) que simule o espectro ideal para plantas tropicais.
Manchas, amarelados e folhas pendentes: o que é excesso de luz
Enquanto muitos pecam pela falta, outros pecam pelo excesso. A exposição direta ao sol, especialmente no período entre 10h e 16h, pode provocar danos irreversíveis. As folhas começam a apresentar manchas marrons, áreas desidratadas e bordas queimadas. A textura das folhas muda, tornando-se mais quebradiça.
Além disso, uma Monstera que recebe sol direto por muitas horas pode começar a pendurar suas folhas como sinal de proteção, tentando reduzir a área de exposição à luz. Se isso acontecer, o ideal é mover a planta imediatamente para um local mais protegido, com iluminação indireta, e monitorar a recuperação ao longo dos dias.
Como saber se sua Monstera está feliz com a luz que recebe
Não há segredo: uma Monstera saudável e bem iluminada vai mostrar sinais positivos em poucas semanas. As folhas serão mais largas, com recortes evidentes e cor verde vibrante. A planta se torna mais “cheia”, com menor espaçamento entre as folhas e crescimento visível no topo.
Outro indício positivo é o surgimento de raízes aéreas bem desenvolvidas, indicando que a planta está absorvendo bem os nutrientes e se sente confortável no ambiente. Se esses sinais não aparecerem após a mudança para um local mais claro, talvez o problema esteja na qualidade da luz — não basta ser clara, ela precisa ter intensidade suficiente para ativar a fotossíntese.
Luz filtrada e umidade: uma combinação que faz a diferença
Além da luz filtrada, a Monstera Burle Marx responde muito bem a ambientes com umidade moderada, acima de 60%. A combinação desses dois fatores — iluminação indireta forte e boa umidade — pode acelerar o crescimento, incentivar a formação de folhas maiores e até estimular o surgimento de novas hastes.
Umidificadores de ar, bandejas com pedras e água ou simplesmente agrupar plantas próximas umas das outras são estratégias eficazes para manter o nível de umidade ideal, principalmente em regiões com clima seco ou em casas com ar-condicionado constante.
O erro de girar a planta constantemente
Um hábito comum que pode prejudicar sua Monstera é girá-la de forma exagerada na tentativa de fazer as folhas crescerem simetricamente. Embora uma leve rotação semanal possa ajudar a manter o crescimento equilibrado, mover a planta com frequência excessiva faz com que ela gaste energia tentando se ajustar à nova fonte de luz — e isso atrasa o desenvolvimento.
Deixe a Monstera se adaptar a um ponto fixo, bem iluminado, e observe o comportamento das folhas. Se elas começarem a inclinar muito para um lado, você pode girar levemente o vaso a cada duas semanas, no máximo. O importante é manter a consistência no fornecimento de luz e ambiente.