As ruas estão silenciosas ou não fazem o barulho suficiente para barrar as reformas estruturais da era Temer, quanto mais para derrubar o presidente, alvo de denúncia por corrupção passiva. É o que observadores da cena política têm notado, seja nos arredores do Congresso ou por capitais Brasil afora, enquanto o peemedebista avança nas pautas de interesse do Palácio do Planalto com o apoio do Congresso, seu último refúgio de governabilidade. Na última terça-feira (11), por exemplo, centrais sindicais até organizaram protestos nas cercanias do poder central em Brasília, mas enquanto a reforma trabalhista era aprovada no plenário do Senado, com ampla maioria governista (50 votos a 26), um pequeno grupo de manifestantes gritava, em vão, palavras de ordem como “ladrões de direitos” e “fora, Temer”. Através dos grandes vitrais do comitê de imprensa do Senado, instalado em uma área contígua ao plenário, a reportagem testemunhou que, enquanto as ruas gritavam com a voz rouca e quase sem potência, a caravana do Planalto passava de janelas fechadas. As ruas permaneceram silentes até diante do fato de o governo ter liberado bilhões em emendas parlamentares e trocado mais de 20 deputados na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, com o objetivo declarado e alcançado de rejeitar parecer pela continuidade de investigações contra Temer. As pesquisas indicam, no entanto, que o desejo da população, majoritariamente, é o fim da gestão Temer. Popularidade em baixa da figura do presidente, somada à agenda legislativa de reformas também impopular, não parecer ter despertado na sociedade civil a vontade de participar do momento político do país, mesmo que o debate pegue fogo nas redes sociais. Nesse contexto, enquanto o país está longe daquele cenário que levou ao impeachment de Dilma Rousseff, lideranças políticas aproveitam para ignorar demandas sociais e dão prosseguimento às pautas do governo. Um dos espasmos de engajamento social veio do já mencionado grupo de sindicalistas que se reuniu, na última terça-feira (11), nos arredores do Senado para protestar contra a reforma trabalhista. A Frente Povo Sem Medo também havia convocado, para a tarde da última segunda-feira (10), ato contra as reformas de Temer e pela realização de eleições diretas. Apesar de ações como bonecos queimados, poucas pessoas se juntaram no vão do MASP, em São Paulo, e a manifestação não ecoou a ponto de ser ouvida em Brasília. Já a greve geral do dia 30 de junho, a segunda convocada contra a gestão peemedebista só neste anos, também não mobilizou tantas cidades e paralisações de categorias quanto a anterior, do dia 28 de abril. Os atos convocados pelas centrais sindicais e movimentos sociais nos últimos meses também tiveram adesão menor – a exceção foi a praça de guerra em que se transformou a Esplanada dos Ministérios, em 24 de maio, que resultou no até hoje mal explicado tumulto provocado por um grupo de vândalos, instalando o caos em um protesto de sindicalistas e movimentos sociais que se desenrolava pacificamente. Leia mais no Congresso em Foto.
Dilton Coutinho, fundador do Acorda Cidade, é um radialista renomado com mais de 20 anos de experiência na cobertura jornalística. Ele construiu uma carreira sólida marcada por sua dedicação à verdade e ao jornalismo ético. Atuando em diversos veículos de comunicação, Dilton ganhou reconhecimento por sua habilidade em abordar temas complexos com clareza e profundidade. Sua paixão por informar o público e sua integridade profissional fazem dele uma referência no jornalismo contemporâneo.
Dilton Coutinho, fundador do Acorda Cidade, é um radialista renomado com mais de 20 anos de experiência na cobertura jornalística. Ele construiu uma carreira sólida marcada por sua dedicação à verdade e ao jornalismo ético. Atuando em diversos veículos de comunicação, Dilton ganhou reconhecimento por sua habilidade em abordar temas complexos com clareza e profundidade. Sua paixão por informar o público e sua integridade profissional fazem dele uma referência no jornalismo contemporâneo.