O investimento público cresceu 110,7% ao passar de R$ 49,5 bilhões, em 1995, para R$ 104,3 bilhões, em 2010. Os dados são do comunicado "Como anda o investimento público no Brasil?", divulgado nesta quinta-feira (28) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão ligado à Presidência da República. Já a taxa de investimento público passou de cerca de 1,9% do PIB (produto interno bruto, a soma de tudo que um país produz durante determinado período), em 1995, para 2,5%, em 2010. Os valores são nominais. De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o valor corrente do PIB brasileiro saltou de R$ 705 bilhões, em 1995, para R$ 3,7 trilhões, em 2010. A taxa de investimento público corresponde à razão entre o total da FBCF (formação bruta de capital fixo) das administrações públicas (governo federal, estadual e municipal) e o PIB. Não estão incluídos os investimentos das empresas estatais e nem recursos e financiamentos oriundos de bancos públicos. A FCBF é um importante indicador porque mensura se a capacidade de produção do país está crescendo e também se os empresários estão confiantes no futuro, pois verifica os investimentos em bens de capital– basicamente, equipamentos, máquinas e material de construção, que são utilizados na produção de outros bens. Na análise do Ipea, a retomada do investimento nos anos recentes "foi possível pela flexibilização da política fiscal no período de 2004 a 2010" e que a transição do período de queda real do investimento público (1995-2003) para um período de crescimento intenso do investimento público (2004-2010) tem correlação com a aceleração da taxa de crescimento da economia. Em ano de eleições há aumento de gastos públicos e no seguinte, reduçao, aponta o Ipea com base em projeções para os resultados deste ano. A hipótese levantada pelo órgão para explicar esse comportamento é que em anos pós-eleitorais os investimentos sofram oscilações e "coincidem com quedas muito fortes da taxa de investimento público, relacionadas a programas de ajustes fiscais, que posteriormente são revertidas no decorrer do ciclo eleitoral". Segundo o levantamento, houve desaceleração ou retração nos anos de 1999, 2003, 2007, todos pós-eleitorais. Isso "sugere um padrão segundo o qual a execução do investimento se acelera nos anos eleitorais [pares] e desacelera nos anos não eleitorais [ímpares]". Segundo o Ipea, "encontram-se, assim, evidências empíricas da relação entre os ciclos eleitorais [e os ajustes fiscais] e a execução dos investimentos". As informações são da Folha.