
A esporotricose é a micose subcutânea mais prevalente no mundo, sobretudo em áreas tropicais e subtropicais, ou seja, em regiões com maior predominância de calor, como é o caso do Nordeste brasileiro. A infecção é causada por um fungo e se manifesta por meio de lesões na pele, podendo também causar feridas na mucosa oral e ocular. Sua principal forma de transmissão é por arranhões e mordidas de gatos domésticos infectados, e casos mais graves ocorrem em pacientes imunodeprimidos. O Brasil, inclusive, é o país com mais casos registrados desse problema no mundo.
Dos 27 estados do Brasil, 26 apresentam diagnósticos confirmados, e o Rio de Janeiro é considerado o epicentro da doença. Em 2026, a esporotricose no Nordeste do Brasil é uma preocupação de saúde pública, com relatos de avanço contínuo da doença na região. Estados como Rio Grande do Norte (RN), Pernambuco e Alagoas estão entre os mais afetados, de acordo com o Sistema Único de Saúde (SUS).
A infecção fúngica, comum em gatos, é uma espécie de micose subcutânea que ocorre quando o fungo Sporothrix schenckii, presente no solo, vegetais e matéria orgânica em decomposição, penetra na pele através de pequenos cortes ou arranhões. Embora possa afetar qualquer pessoa, a esporotricose é mais comum em indivíduos que manipulam plantas, solo ou animais, como jardineiros, agricultores, veterinários e, claro, tutores de pets, conforme destaca Thiago Henrique Carvalho de Souza, coordenador do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Anhanguera.
“Gatos são especialmente suscetíveis à esporotricose e podem transmitir a doença para humanos. Os sintomas em gatos incluem lesões ulceradas na pele, secreção nasal e, em casos graves, dificuldade respiratória. O tratamento em animais envolve o uso de antifúngicos e cuidados específicos recomendados por veterinários”, alerta Thiago.
O veterinário explica que os sintomas da esporotricose em humanos variam dependendo da forma da infecção. “A esporotricose cutânea é a forma mais comum, caracterizada pelo surgimento de nódulos indolores no local da infecção, geralmente nas mãos ou braços. Além disso, há a forma cutânea linfática, em que os nódulos podem se espalhar ao longo dos vasos linfáticos, formando uma cadeia de lesões; a forma pulmonar, que causa tosse persistente, dor no peito e dificuldades respiratórias; e a forma disseminada, que apresenta febre, perda de peso e fraqueza generalizada”, explica.
Thiago ressalta que a esporotricose é uma zoonose de extrema complexidade e que o tratamento é fundamental para evitar complicações e a disseminação da doença. Confira algumas dicas:
- Consulta Médica: Procure um médico ao observar nódulos ou úlceras persistentes na pele.
- Tratamento Medicamentoso: O tratamento padrão é a administração de antifúngicos orais, como o itraconazol, por um período prolongado, e Anfotericina B em casos graves ou disseminados.
- Cuidados com a Pele: Manter as lesões limpas e cobertas para evitar infecções secundárias.
- Uso de Luvas: Utilizar luvas ao manipular plantas, solo ou animais que possam estar contaminados.
- Cuidados com Animais: Evitar o contato com gatos que apresentam lesões cutâneas, pois são um dos principais transmissores da esporotricose para humanos.
- Educação e Conscientização: Informar-se e educar outras pessoas sobre os riscos e os cuidados necessários pode ajudar a prevenir a propagação da doença.
Thiago reforça que é essencial levar felinos a uma consulta veterinária para ajudar a identificar a doença e iniciar o tratamento adequado o quanto antes. “A esporotricose é uma doença séria, mas com diagnóstico precoce e tratamento adequado, a maioria dos casos pode ser tratada com sucesso. A conscientização sobre os sintomas, as formas de transmissão e as medidas preventivas é essencial para proteger tanto humanos quanto animais dessa infecção fúngica”, finaliza Thiago, coordenador do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Anhanguera.
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