Considerado uma das principais causas de incapacidade no Brasil e no mundo, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma condição médica que requer cuidados frequentes. A doença cerebrovascular pode ocorrer de duas formas: o tipo isquêmico, o mais comum, que ocorre pela obstrução de uma artéria e impede a passagem de oxigênio para as células cerebrais; e o tipo hemorrágico, caracterizado pelo rompimento de um vaso cerebral, que provoca hemorragia.
Após sofrer um AVC, muitas pessoas enfrentam sequelas físicas e cognitivas que impactam diretamente a independência e o bem-estar. De acordo com a Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares, cerca de 70% das pessoas que passaram por um AVC não retornam ao trabalho e 50% dependem de outras pessoas para realizar suas atividades diárias.
Fisioterapeuta da Clínica Florence Unidade Salvador, Wellington Santos destaca a importância da reabilitação para todos os pacientes após um AVC. Ele ressalta que, mesmo que o paciente não apresente sequelas de grande proporção, pode apresentar pequenas assimetrias, alterações sensoriais ou outras condições que podem passar despercebidas pela maioria das pessoas, mas que são facilmente identificadas por um profissional especializado.
“É durante o processo de reabilitação que realizamos um trabalho de prevenção e orientação para familiares e cuidadores, a fim de que fiquem atentos e saibam agir prontamente em caso de novos eventos. Se for um caso grave, trabalhamos para recuperar a função plena, com o máximo de independência e autonomia, seja na área cognitiva, comunicativa ou sensorial. Já em casos menos complexos, o foco é o fortalecimento e o equilíbrio”, explica.
Sequelas que podem ser evitadas
Wellington Santos reforça que a reabilitação deve ser iniciada o quanto antes, a fim de reduzir as sequelas do AVC. “Após a identificação dos sinais, a constatação médica e a intervenção medicamentosa, já entramos com a reabilitação, ainda nas primeiras 48 horas, se possível, analisando todo o processo de identificação e intervenção”, aponta.
O fisioterapeuta também enfatiza que, quanto antes a terapia for iniciada, melhor será a janela de neuroplasticidade e maiores serão as chances de o paciente apresentar menos sequelas, como alterações sensoriais ou do tônus muscular (hipotonia/hipertonia). “O paciente que não é submetido ao processo de reabilitação pode apresentar agravamento por desuso articular, além de risco aumentado de quedas por déficit de equilíbrio”, alerta.
Tecnologia e equipe multidisciplinar
Contar com uma equipe multidisciplinar torna o processo de reabilitação mais eficaz. Entre os profissionais essenciais estão fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos, nutricionistas, médicos e enfermeiros.
Aliada ao trabalho multidisciplinar está a tecnologia, peça fundamental na recuperação de pacientes que sofreram um acidente vascular cerebral. O fisioterapeuta da Florence, hospital referência em cuidados paliativos e reabilitação, destaca a eletroestimulação, a gameterapia – técnica que utiliza jogos virtuais para reabilitar pacientes – e a neuromodulação – que estimula áreas neurológicas específicas – como técnicas essenciais, que têm apresentado bons resultados na reabilitação desse perfil de pacientes.
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