
A Rede de Atenção Psicossocial de Feira de Santana acompanha atualmente mais de 12 mil pacientes e tem intensificado ações de conscientização sobre a importância do cuidado com a saúde mental, especialmente durante a campanha Janeiro Branco. A informação é do coordenador da Rede Caps [Centro de Atenção Psicossocial] no município, Joadson de Andrade, que detalhou a estrutura, os desafios e os serviços oferecidos à população.
Em entrevista ao Acorda Cidade, o coordenador da Rede Caps em Feira de Santana, Joadson de Andrade, detalhou o funcionamento da estrutura local, que conta com cinco Caps, um ambulatório para transtornos moderados e o suporte de 150 unidades básicas de saúde para casos leves.
Sobre o Janeiro Branco, o coordenador destacou o caráter educativo da campanha que começou em 2014 por todo o país. “Na cidade, todos os anos, no mês de janeiro, nós fazemos essa sensibilização de toda a equipe, todos os profissionais de saúde, com o objetivo de sensibilizar as pessoas para o cuidado com a saúde mental, assim como as pessoas cuidam do corpo devem cuidar da mente também”, afirmou.
Entre os principais desafios enfrentados pelo município, Joadson aponta o enfrentamento do preconceito. Para o coordenador, o maior obstáculo para a eficácia do tratamento ainda é a barreira cultural. Ele destacou que a resistência em buscar ajuda é fruto de um passado onde as doenças mentais eram tratadas de forma punitiva ou mística.
“É entender que tratar a doença mental é como tratar de outras doenças. Então, assim, é vencer esse estigma, vencer o preconceito e fazer com que as pessoas busquem o atendimento”, ressaltou.
“As doenças mentais há um tempo atrás foram condenadas por crenças religiosas, algo sobrenatural, era um tratado de forma pejorativa, e assim, houve muitos avanços, e a ciência identifica que é uma doença que é passiva de tratamento. Hoje as pessoas que têm doença mental, elas vivem muito bem, conseguem fazer atividades laborativas, trabalhar, desenvolver relações sociais normalmente. Então, hoje, com o avanço da medicina, sobretudo, a gente consegue dar qualidade de vida a essas pessoas”, explicou ao Acorda Cidade.
Inovação e Terapias Não Medicamentosas
Uma das grandes mudanças na rede municipal é a transição do modelo “médico-centrado” para um cuidado multidisciplinar. Além de psicólogos, assistentes sociais, terapias de grupo e individuais, Feira de Santana implementou a neuromodulação, um tratamento inovador disponível desde maio do ano passado. Todos os serviços são disponibilizados de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
“Antigamente, a figura central dos serviços era o médico. Então, as pessoas iam muito para atendimento médico, psiquiátrico, pegar receita, medicação e ir embora. Hoje, os serviços valorizam as terapias, principalmente as não medicamentosas. […] O propósito hoje é reduzir o consumo de medicamentos e investir em terapia não medicamentosa”, explicou.
O coordenador ainda reforçou que a promoção da saúde mental passa por hábitos cotidianos. “A saúde mental não está dissociada de práticas saudáveis, outras. Então, a atividade física, ela contribui com a preservação da saúde mental, atividades de lazer, que promovam o bem-estar do indivíduo, de relaxamento. Então, toda e qualquer prática de saúde vai ter um impacto muito positivo na saúde mental, com certeza”, concluiu.
Com informações do repórter Ney Silva do Acorda Cidade
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