Agosto Lilás

Violência contra a Mulher: por que muitas vítimas não denunciam?

Para as mulheres que vivenciam a violência doméstica e não sabem como lidar com essa situação sozinhas, é fundamental buscar ajuda.

Violência contra a Mulher
Foto: Freepik

Em 2024, mais de 21 milhões de mulheres brasileiras sofreram algum tipo de violência, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento revela ainda um dado preocupante: 1 em cada 4 mulheres foi agredida pelo próprio parceiro. Apesar da gravidade da situação, apenas 14% das vítimas registraram denúncia.

Esses números refletem uma realidade que vai além da violência física. Durante o Agosto Lilás, mês voltado à conscientização e ao enfrentamento à violência contra a mulher, a psicóloga Marlêide Santana ressalta que o ciclo da violência é mantido por uma série de fatores emocionais e sociais. Ela afirma que, entre esses fatores, estão a dependência afetiva, a baixa autoestima e a dificuldade de identificar os sinais de abuso, pontos que fazem com que muitas vítimas se calem ou permaneçam em relações abusivas.

psicóloga Marlêide Santana fala sobre violência contra a mulher
Psicóloga Marlêide Santana | Foto: Arquivo pessoal

“Vários fatores levam a mulher a não denunciar a violência, como medo do agressor, dependência emocional, dependência financeira, vergonha, não conhecer os próprios direitos e acreditar que o agressor não vai ser punido. Além disso, temos uma cultura que reforça que, para sermos realizadas e felizes, precisamos estar em um relacionamento amoroso”, analisou.

Ela também citou que muitas mulheres escolhem permanecer nesses relacionamentos na esperança de que o agressor mude de comportamento, já que ele é a pessoa que agride, mas também é a pessoa que dá carinho, atenção e, frequentemente demonstra arrependimento após as agressões.

Para a especialista, o amor-próprio e o autoconhecimento são elementos importantes para fortalecer a mulher quando ela se encontra em uma relação abusiva e violenta.

“Esses elementos têm uma função essencial na prevenção da violência, pois ajudam a fortalecer a autoestima e a autocompaixão. Assim, a mulher sabe reconhecer seus limites, se valorizar e não aceitar a falta de respeito nos relacionamentos. É importante investir no autoconhecimento, identificar os pontos fracos e fortes, saber impor limites, valorizar momentos a sós e investir em atividades que contribuem para o bem-estar, como atividades físicas, momentos de lazer, leitura…”

Marlêide Santana frisou ainda que, para as mulheres que vivenciam a violência doméstica e não sabem como lidar com essa situação sozinhas, é fundamental buscar ajuda de profissionais capacitados.

Sinais de alerta

A psicóloga alertou que, normalmente, os homens violentos emitem sinais ao longo do relacionamento até que ocorra a primeira agressão física. Segundo ela, é importante que as mulheres fiquem atentas.

“Os sinais de alerta são manipulação, controle, como determinar o que a mulher deve vestir, para onde deve ir, além da falta de respeito. Reconhecer esses padrões é muito importante, pois os abusos começam com ações que afetam diretamente a saúde emocional”, destacou Marlêide.

Políticas públicas

Para a psicóloga, além do cuidado e atenção às mulheres que sofrem violência doméstica, é igualmente necessário olhar para o homem agressor e criar políticas públicas focadas em reeducação e formação.

“Somos capazes de construir pontes que vão atuar diretamente nas estruturas profundas do problema. Precisamos escutar e acolher esses homens, conversar diretamente com quem comete a violência e explicar para eles que o problema está na masculinidade tóxica. Precisamos ensinar a esses homens que devemos tratar a mulher com respeito”, finalizou.

Lembre-se: denunciar pode salvar vidas. Em caso de violência, ligue para o Ligue 180 ou procure os serviços de apoio.

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