Prevenção

Setembro Amarelo: como as empresas podem ajudar a combater o suicídio

O ambiente de trabalho, onde muitos indivíduos passam a maior parte de suas vidas e cultivam diversas relações, desempenha um papel fundamental.

03/09/2023 às 11h55, Por Acorda Cidade

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Neste mês que se inicia temos o Setembro Amarelo, um período destinado à conscientização sobre a prevenção do suicídio. Nesse contexto, enfatizar o papel das empresas torna-se crucial. O ambiente de trabalho, onde muitos indivíduos passam a maior parte de suas vidas e cultivam diversas relações, desempenha um papel fundamental.

É justamente nesses espaços que os primeiros sinais de problemas que podem levar a esse ato extremo podem emergir, mas também é onde é possível diagnosticar tais problemas e implementar estratégias para combatê-los de forma eficaz.

Os números preocupam, segundo o Ministério da Saúde são registrados cerca de 12 mil suicídios todos os anos no Brasil e mais de 1 milhão no mundo. Cerca de 96,8% dos casos de suicídio estavam relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e do abuso de substâncias. Preocupante é que o Brasil é um país com taxas crescentes, apesar da escassez de indicadores epidemiológicos, corresponde a mais de 5% das mortes por causas externas.

Assim, as empresas e, principalmente, as equipes de recursos humanos podem ajudar com esses índices, estando atentas e identificando sinais de transtornos que possam levar ao suicídio, a fim de intervir antes que elas evoluam para problemas mais graves. Isso requer uma reavaliação de vários aspectos, incluindo a pressão cada vez maior nas empresas e a busca por metas cada vez mais desafiadoras.

Tatiana Gonçalves, sócia da Moema Medicina do Trabalho, observa que houve um aumento significativo em novas enfermidades, como transtornos de ansiedade, depressão, crises de pânico e a síndrome de burnout. Infelizmente, se essas condições não forem identificadas e tratadas apropriadamente, elas podem evoluir para casos de tentativas de suicídio.

Sócia
Foto: Divulgação

“Há duas décadas, a maioria dos afastamentos estava relacionada a acidentes de trabalho, lesões ortopédicas ou problemas de trajeto. Agora, além desses, vemos um crescimento expressivo dos problemas psiquiátricos nas empresas e isso preocupa, sendo preciso ações para prevenção”, enfatiza Tatiana Gonçalves.

Consequentemente, as empresas se deparam diariamente com essa complexa situação. “Atualmente, especialmente entre os mais jovens, estamos testemunhando casos frequentes de problemas decorrentes de questões psicológicas. Isso tem um impacto direto nas atividades de trabalho e no ambiente corporativo”, explica a especialista.

Apesar de existirem medidas para mitigar essa situação, os desafios estão se tornando mais intrincados. Tatiana Gonçalves ressalta que essas doenças e os transtornos associados ao risco de suicídio englobam diversos distúrbios psiquiátricos, caracterizados por preocupações excessivas ou persistentes com resultados negativos.

Quais são as principais causas? 

Esses problemas podem surgir devido à intensa competitividade no local de trabalho, pressões inadequadas ou à natureza intensiva e arriscada das atividades desempenhadas. Algumas das principais causas incluem:

– Estresse no ambiente profissional, envolvendo conflito de competência, autonomia, relacionamento com clientes, realização pessoal e falta de apoio social por parte de colegas e superiores.

– Fatores organizacionais, como sobrecarga de trabalho excessiva, desalinhamento entre os objetivos da empresa e os valores pessoais dos profissionais, além de isolamento social no ambiente de trabalho. Fatores pessoais, como relações familiares e amizades, também desempenham um papel.

Como enfrentar o problema 

Para abordar esses problemas, as empresas podem adotar diversas abordagens, sendo uma delas a intensificação das ações relacionadas à medicina do trabalho, focando no bem-estar dos funcionários. “Uma alternativa é criar grupos para compartilhar experiências, onde os participantes aprendam a lidar com situações e pessoas. Além disso, muitas vezes falta um departamento nas empresas para preparar as equipes e monitorar a situação”, sugere Vicente Beraldi Freitas, médico, consultor e gestor de saúde na Moema Assessoria em Medicina e Segurança do Trabalho.

Tatiana Gonçalves enfatiza que as empresas devem buscar se aproximar mais dos colaboradores por meio do setor de recursos humanos, começando desde o processo de contratação. Caso se identifique algo preocupante, é importante agir rapidamente e implementar medidas mais aprofundadas.

Dado o aumento da frequência desses problemas, é essencial reconsiderar situações que possam contribuir para esses transtornos. Isso envolve proporcionar melhores condições de trabalho, melhorar as relações profissionais e reduzir o isolamento.

Em certos casos, pode ser necessário conceder uma licença temporária aos funcionários afetados, reorganizar suas atividades, investir em interesses externos, como passar mais tempo com a família e amigos, praticar exercícios físicos ou atividades relaxantes.

A ajuda médica também pode ser crucial, especialmente quando surgem sintomas como depressão, crises de pânico, burnout e ansiedade. A psicoterapia desempenha um papel importante ao auxiliar na compreensão das razões por trás da situação e na prevenção de comportamentos semelhantes no futuro.

Portanto, é essencial que as empresas desempenhem um papel crucial na revisão das condições de trabalho e na busca pela qualidade de vida dos colaboradores, evitando que esses problemas afetem negativamente os resultados do negócio.

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