Feira de Santana

Samba de roda: patrimônio cultural luta pela valorização durante a pandemia

Com o objetivo de levar à cultura aos estados do país e do exterior, o Grupo Quixabeira da Matinha, que já possui 32 anos de trajetória, carrega consigo o significado do nome de origem.

15/08/2021 09h08, Por Gabriel Gonçalves

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Maylla Nunes

O Samba, gênero musical que surgiu nos batuques e rodas de samba realizados pelos afro-brasileiros em seus momentos de encontro e lazer, traz o registro de uma mistura de ritmos e tradições que atravessam a história do país. Fundado pelos sambadores Coleirinho da Bahia e Aureliano Sambador em 1989, o Grupo de Samba Quixabeira da Matinha, da Comunidade Quilombos dos Pretos, no distrito de Matinha em Feira de Santana, não é diferente.

Com o objetivo de levar à cultura aos estados do país e do exterior, o Grupo Quixabeira da Matinha, que já possui 32 anos de trajetória, carrega consigo o significado do nome de origem. Inspirado pela planta quixaba, típica da caatinga, simboliza a resistência, luta e persistência em divulgar a cultura tradicional do samba de roda.

Atualmente, com treze integrantes, o grupo da segunda geração do Quilombo dos Pretos, representa o modelo cultural e familiar também para as crianças e jovens da comunidade. De acordo com o líder do Grupo Quixabeira da Matinha, Galdino Oliveira Souza, popularmente conhecido como Guda Moreno, levar o ritmo musical à terceira geração desde o período da infância é de suma importância para a construção de um desenvolvimento étnico.

Foto: Maylla Nunes/Acorda Cidade

“A importância do samba para as crianças é grande, porque assim, sabemos que estamos construindo uma geração que vai preservar e guardar o samba de roda e principalmente a cultura da comunidade Quilombola, como outras culturas que temos aqui, como a bata de feijão, cantiga de Reis, queima de lapinha, quadrilha junina. Todo esse movimento cultural está dentro desse quilombo que está rico em cultura para Feira de Santana e para a Bahia”, destaca.

Além do envolvimento com o samba, a comunidade quilombola também é a representação de vida para os residentes do distrito. Para a trabalhadora rural Maria das Neves das Virgens Oliveira, de 60 anos, o Quilombo dos Pretos representa tudo para a sua existência.

Foto: Maylla Nunes/Acorda Cidade

“A comunidade quilombola para mim representa muita coisa, local onde nasci, cresci e que vivo até hoje. Tratando-se de cultura pra mim, tem um grande valor, onde você resgata a cultura e permanece com ela, e com a possibilidade de que ela seja permanente através de outras gerações. É a valorização do que já fazíamos antes”, conta.

Samba de Roda na Pandemia

Com a pandemia do coronavírus que atingiu a população mundial, alguns setores, como comércio, foram afetados e as realizações de festas e eventos, cancelados. Há um ano, o Grupo Quixabeira da Matinha não realiza também, os shows na Bahia. As consequências econômicas da crise de Covid-19 afetaram a cultura de forma severa. De acordo com uma constatação da Unesco, durante seis meses no ano de 2020, a área de produção musical pode ter perdido mais de US$ 10 bilhões em patrocínio e apoio institucional.

Segundo Guda Moreno, a redução econômica é significativa e reflete até os dias atuais.
“Ficamos tristes porque tínhamos uma rotina de shows. Neste terreno, acontecia uma grande festa. Cerca de mil e quinhentas pessoas vinham nos visitar e sambar. Fazíamos vários shows durante o mês, cerca de três ou quatro shows na semana, por exemplo. A suspensão dos eventos se tornou difícil para nós porque o pouco que recebíamos, já era uma grana que ajudava os próprios componentes”, relata.

Dona Maria das Neves também ressaltou as mudanças da comunidade com a pandemia. Ela informou que o sentimento, neste momento, é de baixa estima, já que não há mais as reuniões com a família e amigos.

“Tenho um sentimento de baixa estima, Guda já disse, era um momento onde as famílias se juntavam, não tinha restrição de idade. O samba move as pessoas de faixa etária de zero até 100 anos, porque mesmo uma criança de colo, quando vê o batuque, já se balança. O samba de roda aqui da Quixabeira da Matinha, como também em outros locais, estima muito as pessoas. Você vê pessoas se movimentando, é muito agradável, muito bom e agora com a pandemia, só trouxe a baixa estima e o impacto tanto cultural, quanto econômico”.

De fato, a pandemia da covid-19 impacta os momentos de comunhão. No entanto, Dona Maria das Neves destacou que a situação, além de reflexiva, também possibilita que as tradições sejam permanentes nos corações de todos da comunidade.

“A cultura pra mim, sempre teve um grande valor. A pandemia fortaleceu a cultura e com o fortalecimento, a possibilidade de que ela seja permanente. Esse é um exemplo da valorização do que já fazíamos antes do período de pandemia”. 

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