Eleições 2022

Grandeza de Dilma não cabe em um ministério, diz Lula no lançamento da chapa com Alckmin

Alckmin participou de forma virtual, pois foi diagnosticado com Covid.

07/05/2022 15h50, Por Gabriel Gonçalves

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Acorda Cidade

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (7) que a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) não será ministra de seu governo, caso seja eleito. A declaração foi dada durante o evento que oficializou a chapa Lula-Alckmin para concorrer à Presidência da República em 2022.

"Tem muita gente, na perspectiva de criar confusão entre nós dois, que diz: 'você vai levar a Dilma para o ministério?' .Nem eu vou levar, e jamais a Dilma caberia em um ministério. Porque a Dilma tem a grandeza de ter sido a primeira mulher presidente da história deste país. Dilma, você não vai ser ministra, mas vai ser minha companheira de todas as horas como sempre foi", disse Lula.

Em abril, Lula já havia descartado a presença de Dilma em seu governo. "Eu acho que não dá certo chamar um presidente para ser seu ministro, você vai tornar ele uma figura inferior a você na escala de autoridade. A tendência é dar problema", disse em entrevista a uma rádio.

O evento deste sábado começou por volta das 10h30 e reuniu lideranças políticas e apoiadores no Expo Center Norte, na Zona Norte de São Paulo.

A expectativa era a de que os antigos adversários Lula e Alckmin aparecessem juntos no palco para reforçar a imagem da nova aliança. Alckmin, no entanto, participou apenas de forma virtual, já que foi diagnosticado com Covid-19 na sexta-feira (6).

'Chuchu com lula'

O ex-governador de São Paulo foi o primeiro a falar. Em discurso apresentado no telão, Alckmin lamentou que a Covid-19 tenha impossibilitado sua presença, mas agradeceu à vacina por ter tido apenas sintomas leves da doença.

"Nenhuma divergência do passado, nenhuma diferença do presente, nem as eventuais discordâncias de hoje ou de amanhã. Absolutamente nada servirá de desculpa ou pretexto para que eu deixe de defender com toda minha convicção a volta de Lula à Presidência do Brasil. […] Acima das disputas, algo mais urgente e relevante se impõe: a defesa da própria democracia", disse Alckmin.

Ele criticou o atual governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), pré-candidato à reeleição.

"O Brasil sobrevive hoje ao mais desastroso e cruel governo da sua história. Perdulário nas despesas públicas, hipócrita no combate à corrupção, patrocinador de conflitos temerários e querelas inúteis, despreparado na questão de economia, ineficiente administrativamente e socialmente injusto e irresponsável. […] Prometemos hoje ao Brasil um governo realmente democrático."

Alckmin também brincou com seu apelido de "chuchu" e com o fato de ser adversário histórico de Lula no passado.

"Mesmo que muitos discordem da sua opinião de que lula é um prato que cai bem com chuchu – o que eu acredito vá ainda se tornar um hit da nossa culinária -, quero lhe dizer perante toda a sociedade brasileira: muito obrigado. Serei um parceiro leal, seriamente compromissado com seu propósito de fazer o Brasil um país mais justo e economicamente mais forte", disse o ex-governador.

Discurso de Lula

Ao longo do evento, também foram exibidos vídeos com a trajetória de Lula em seus dois governos. Também foi mencionado o período em que o ex-presidente ficou preso pelas investigações da Lava-Jato e a anulação de suas condenações.

Rosângela da Silva (Janja), com quem Lula anunciou que vai se casar, apresentou no telão o conhecido jingle "Lula lá", em nova versão cantada por artistas como Pabllo Vittar, Duda Beat, Chico César, Martinho da Vila, Lenine, Maria Rita, Paulo Miklos e Zelia Duncan.

Na sequência, Lula iniciou seu discurso e também seguiu a brincadeira culinária feita por Alckmin. "Hoje é um dia especial. Saio daqui, Haddad, na expectativa de que nós vamos comer chuchu com lula. E acho que a nossa companheira Bella Gil pode abrir um espacinho no restaurante dela de lula e chuchu, que eu acho que vai ser o prato predileto de todo ano de 2022. Esse prato se tornará o prato da moda para o Palácio do Planalto", disse.

O ex-presidente fez críticas ao atual governo de Jair Bolsonaro (PL).

"Tudo o que fizemos e o povo brasileiro conquistou está sendo destruído pelo atual governo. O Brasil voltou ao Mapa da Fome da ONU, de onde havíamos saído em 2014, pela primeira vez na história. É terrível, mas não vamos desistir, nem eu nem o nosso povo. Quem tem uma causa jamais pode desistir da luta", afirmou.

Soberania nacional

Segundo Lula, é preciso retomar a "soberania nacional" em ações que garantam a democracia e direitos da população com saúde, educação e emprego.

"É mais do que urgente restaurar a soberania do Brasil. Mas defender a soberania não se resume à importantíssima missão de resguardar nossas fronteiras terrestres e marítimas e nosso espaço aéreo", disse.

"É também defender nossas riquezas minerais, nossas florestas, nossos rios, nossos mares, nossa biodiversidade. E é, antes de tudo, garantir a soberania do povo brasileiro e os direitos de uma democracia plena. É defender o direito à alimentação de qualidade, o bom emprego, o salário justo, os direitos trabalhistas, o acesso à saúde e à educação."

O ex-presidente também mencionou a defesa dos povos indígenas e de outros grupos indenitários, e citou o caso dos ianomâmis.

"Defender a nossa soberania é garantir a posse de suas terras aos povos indígenas, que estavam aqui milhares de anos antes da chegada dos portugueses, e que foram capazes de cuidar delas melhor do que ninguém. E que agora estão vendo seus territórios invadidos ilegalmente por garimpeiros, grileiros e madeireiros", afirmou.

"O resultado desse crime continuado, que acontece com a conivência do atual governo, vai além da destruição de florestas e rios. Compromete também a sobrevivência física dos povos indígenas, e não poupa sequer as crianças, como nós vimos recentemente numa aldeia Yanomami."

Apoio de lideranças políticas

Entre os políticos presentes no ato estiveram a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o pré-candidato ao governo de SP Fernando Haddad (PT), o líder do MTST Guilherme Boulos (PSOL), o governador do Maranhão Flávio Dino (PSB), o pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PSB Márcio França, o deputado federal Marcelo Freixo (PSB) e a deputada federal Luiza Erundina (PSOL).

Intelectuais, acadêmicos, centrais sindicais, artistas e lideranças religiosas também compareceram. A cantora Teresa Cristina cantou o hino nacional na abertura do evento.

Além das lideranças do PT e do PSB, a cerimônia também contou com os partidos que já declararam apoio formal à chapa: PCdoB, Solidariedade, PSOL, PV e Rede.

A estimativa dos organizadores é de que o evento tenha reunido 4 mil pessoas. O material de campanha da chapa "Vamos Juntos pelo Brasil" incorporou as cores da bandeira, além do tradicional vermelho do PT.

A formalização da aliança para efeitos estatutário e de registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve ocorrer apenas após 4 e 5 de junho, quando está marcado o Encontro Nacional do PT.

De acordo com a última pesquisa Datafolha, Lula tem 43% das intenções de voto no primeiro turno, contra 26% de Jair Bolsonaro (PL).

A escolha de Alckmin para a chapa faz parte de uma estratégia para que Lula consiga buscar votos de eleitores mais identificados com o centro.

Segundo apurou o blog da Andréia Sadi, a expectativa da campanha após o lançamento é a de que os dois se dividam em busca de votos: cada um com uma agenda. No caso de Alckmin, um roteiro voltado para religiosos, agronegócio e também eleitores do Sudeste – especialmente São Paulo – onde o PSDB governou por mais de 15 anos, derrotando o PT.

 

Fonte: g1

 

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