Feira de Santana

Empresárias de Feira de Santana são vítimas de fraude e extorsão após terem contas hackeadas na internet

A advogada especialista em crimes cibernéticos Michele Rose alertou que em Feira de Santana tem se tornado cada vez mais frequente esse tipo de fraude.

02/02/2022 15h47, Por Gabriel Gonçalves

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Laiane Cruz

Basta um click em um link desconhecido no celular ou computador ou em falsa propaganda na internet para que um cidadão esteja exposto à ação de criminosos que roubam dados e senhas para aplicar golpes financeiros no ambiente virtual. Ter as contas das redes sociais 'hackeadas' está entre os crimes mais cometidos também em Feira de Santana, algo que vem tirando a tranquilidade de usuários comuns, mas também daqueles que dependem das páginas para movimentar os seus negócios.

A empresária do ramo de bebidas Tamires Melo teve as contas das redes sociais da empresa invadidas no final do ano passado. Os criminosos alteraram as senhas do perfil no Instagram e bloquearam o e-mail e o WhatsApp da distribuidora.

Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

“No dia 17 de dezembro de 2021, chegamos à empresa e ligamos o celular para dar início às conversas no WhatsApp. A conta solicitava a verificação, mas o código não chegava mais no nosso número por SMS. Desde então tentamos acessar o e-mail e da mesma forma não conseguimos mais, percebemos que a senha havia sido alterada. Então deixamos de fazer qualquer tipo de anúncio já que não tínhamos mais acesso nem a e-mail, Instagram, nem WhatsApp”, relatou a empresária em entrevista ao Acorda Cidade.

Ela contou então que, a partir de 5 de janeiro, um hacker começou a anunciar promoções em nome da Princesa Bebidas, com valor abaixo do mercado, como um pacote de cerveja de determinada marca por R$ 115, a partir de 10 pacotes para parecer algo verídico. Também solicitaram dos clientes o valor de R$ 50, que deveriam ser transferidos para uma chave PIX, e esse valor seria ressarcido com uma garrafa de whisky. “A suposição deles é que estaríamos doando esse valor de arrecadação para pessoas que estavam sofrendo com as enchentes em Itabuna, no sul da Bahia, sendo que essa informação nunca aconteceu”, informou.

Devido ao golpe sofrido na internet, Tamires Melo afirmou que alguns clientes passaram a desconfiar das ofertas na página da empresa, e ligavam para ela a fim de confirmar as informações da propaganda. Outros, porém, foram enganados, chegando a adquirir mais de R$ 3 mil em produtos, que nunca chegaram até eles.

“Alguns clientes e amigos acabaram caindo nesse golpe, outros entraram em contato conosco antes de efetuar o pagamento, porque as pessoas estranharam que o PIX não estava no meu nome nem do meu esposo. Então a partir daí, elas perceberam que havia algo errado. Mas os golpistas chegaram a dizer que não estava em nosso nome por causa da Receita Federal. Tivemos casos de clientes que fizeram compras acessando o link do Instagram da Princesa Bebidas e diretamente fizeram pagamentos com valores superiores a R$ 3 mil. Quando o cliente chegou à loja para resgatar o produto, informamos que não tínhamos recebido nenhum tipo de comprovante, e quando nos mostrou, como não estavam sabendo do que estava acontecendo na loja, a pessoa ficou extremamente chateada e a gente acabou perdendo credibilidade com o cliente porque não conseguimos postar a informação na página do Instagram. Tivemos que criar uma nova mídia social para atingir nossos clientes”, lamentou.

Após o ocorrido, a empresária registrou um Boletim de Ocorrência e contratou, junto com o marido, uma empresa de tecnologia para tentar recuperar as senhas, porém não conseguiram.

“Nós conseguimos recuperar somente o WhatsaApp, que permanece o mesmo, mas o Instagram não. Tivemos que criar outra página, que hoje é @princesabebidasoficial para evitar que as pessoas caiam no golpe novamente. Registramos queixa e desde então estamos divulgando em mídias e rádios para evitar que isso aconteça com outras empresas. Nós agora estamos utilizando o e-mail [email protected], o Instagram é o @princesabebidasoficial e o WhatsApp (75) 98151-1603”.

A empresária do ramo de eventos corporativos Carla Ongarato também foi vítima de golpistas na internet. Segundo ela, o fato ocorreu no último domingo (30) à tarde, enquanto ela repousava em casa e nem sequer imaginava que seria vítima de um crime virtual pelas próximas horas do dia.

Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

“Eu estava em casa descansando e de repente eu recebi uma mensagem. Tenho vários perfis no Instagram com o mesmo e-mail. Então eles entraram em uma das contas, nos chamaram dizendo que tínhamos ganhado uma promoção de um restaurante, que é perto daqui de casa. Eles disseram que eu tinha ganhado uma promoção de um jantar com direito a três acompanhantes e se eu aceitava. Não tive maldade. Então eles enviaram um link para eu acessar e concluir a promoção. Eu acessei e não deu certo. Só sei que eu acessei cinco vezes e em seguida ele me pediu o telefone para entrar em contato comigo. Duas horas depois eu comecei a receber algumas mensagens de WhatsApp de alguns amigos perguntando se eu estava vendendo eletrodomésticos, como frigobar, televisão, e eu fiquei sem entender”, relembrou.

Após receber uma enxurrada de mensagens sobre produtos que haviam sido anunciados na página da empresa de eventos, Carla Ongarato pediu ajuda ao filho para entrar no perfil da empresa no Instagram, quando viu um post informando que ela estaria ajudando um casal que estava se separando e estavam vendendo alguns eletrodomésticos.

“Lá tinha várias coisas como máquina de lavar, televisão, produtos em perfeita qualidade, de alto nível, tipo frigobar que novo custa R$ 1.600 por R$ 400, coisas super bacanas. Então meu filho falou que tinham hackeado minha conta e fiquei super triste. Passei a noite de domingo toda respondendo as mensagens de WhatsApp para tentar impedir que as pessoas caíssem no golpe. A conta da Ongarato sumiu do meu telefone, mas eu tenho seis perfis no Instagram, que são de vários produtos, e comecei a receber várias mensagens de amigos e pessoas estranhas querendo os produtos. Então meu filho entrou pelo telefone dele e eles pediram R$ 3 mil para me devolver a conta da empresa. Aí a gente não falou mais nada, e minha filha manteve contato com uma empresa para tentar recuperar a conta”, explicou.

De acordo com a organizadora de eventos, os bandidos também invadiram a conta pessoal dela e pediram dinheiro para devolver. Mas na segunda-feira, a empresa contratada por ela para recuperar as contas obteve sucesso e a empresária finalmente se viu livre do golpe.

“Eles tentaram usar a conta para fazer todo tipo de negociação. Eu fui muito inocente, pois não se acessa link nenhum. É super perigoso hoje acessar link e dar o telefone. Graças a Deus não tive prejuízos maiores, mas paguei R$ 200 a uma empresa, que passou o dia todo tentando recuperar minha conta. E peço a Deus que ninguém tenha caído no golpe. Tudo isso porque eu dei um click. Foi uma coisa rápida. Por volta das 17h, eles me chamaram para falar da promoção, e mais ou menos às 20h, eu já estava recebendo mensagens”, salientou.

A advogada especialista em crimes cibernéticos Michele Rose alertou que em Feira de Santana tem se tornado cada vez mais frequente esse tipo de fraude.

“Ultimamente nós temos visto as contas de Instagram e Facebook, e também há a invasão dos WhatsApps, onde meliantes se passam pela pessoa pedindo dinheiro. Mas as redes sociais, que agora estão mais na mira, são o Instagram e o Facebook. A oferta de um serviço é mais complexo para se fazer a venda, já oferecer um produto é muito mais fácil, então a pessoa engana com muita facilidade. Eles utilizam até das mesmas fotos, dos mesmos produtos e aparelhos, para efetuar a venda”, informou.

Foto: Arquivo Pessoal

Michele Rose orientou que a pessoa que teve a conta hackeada deve primeiramente tentar redefinir a senha, para ter de volta a página e evitar que se propague a situação. Caso ela não consiga, deve entrar em contato imediatamente com a central da rede social e fazer um Boletim de Ocorrência.

“Tivemos recentemente decisões que deram ganho de causa contra o Facebook, por pessoas que tiveram suas contas hackeadas dessa maneira e entraram com ações indenizatórias. Não só em Feira de Santana, como em todo o Brasil, vem acontecendo esse tipo de golpe com frequência. Inclusive, as últimas decisões de tivemos favoráveis aos donos das contas, uma foi em Brasília e outra em São Paulo. É uma quadrilha em todo o território nacional.”

Além de colocar senhas mais complexas regularmente, é preciso utilizar os métodos de segurança, como a confirmação em dois fatores, que já ajuda bastante.

“A prática do estelionato visa forçar o outro e induzir a erro para obter vantagem pecuniária. As redes sociais têm por obrigação proteger os dados dos seus usuários, ainda mais após a Lei de Proteção de Dados, que entrou em vigor em agosto do ano passado, e tantos as empresas públicas quanto privadas precisam proteger os dados dos seus usuários. Isso é uma falha na segurança dos dados dos usuários, por isso o Facebook e o Instagram estão sendo processados e condenados em ações indenizatórias de pessoas que perdem suas contas ao serem hackeadas. O que a gente observa é que esta situação tomou conta da cidade e para evitar que essa situação chegue até você redefinam suas senhas e aumentem a segurança das contas, que isso já evita bastante”, disse.

Além de aumentar a segurança das redes sociais, os usuários que foram vítimas de golpes devem necessariamente prestar queixa na delegacia especializada em crimes virtuais, que em Feira de Santana é a Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR), para que seja feita a investigação.

“Conheço muitas pessoas que caíram nesses golpes e sempre como o mesmo modo de operar. E algumas vítimas ficam no desespero de tentar reaver as contas e não informam a polícia, que precisa ser notificada do fato, para fazer a investigação. E com a delegacia especializada em crimes cibernéticos fica muito mais fácil se chegar”, ressaltou a advogada.

 

Com informações do repórter Ed Santos do Acorda Cidade

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