Se beber não dirija

Embriaguez ao volante está entre as principais causas de acidentes de trânsito em Feira de Santana

De janeiro a outubro deste ano já foram realizados mais de 2 mil atendimentos a vítimas de acidentes automobilísticos, sendo que mais de 1.300 foram de acidentes com motocicletas.

26/11/2021 06h55, Por Andrea Trindade

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Laiane Cruz

Em Feira de Santana, de janeiro a setembro deste ano, 3.085 acidentes de trânsito foram registrados pela Superintendência Municipal de Trânsito (SMT). Do total de acidentes registrados em 2021, 150 tiveram vítimas fatais. No mesmo período do ano passado, foram 2.593 acidentes graves, com 243 vítimas.

Grande parte das vítimas de acidentes em Feira de Santana são encaminhadas para o Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), sobretudo aos finais de semana, quando é registrado um aumento de atendimentos na unidade, em decorrência de acidentes de trânsito.

Foto: Ney Silva/Acorda Cidade
 

De acordo com a médica intensivista e cirurgiã-geral do Hospital Geral Clériston Andrade, Hélvia Fagundes, até outubro deste ano já foram realizados mais de 2 mil atendimentos a vítimas de acidentes automobilísticos, sendo que mais de 1.300 foram de acidentes com motocicletas.

“É um número alto, e em comparação com o mesmo período do ano anterior, a gente nota um aumento de acidentes automobilísticos no Clériston Andrade. A gente observa que no final de semana, principalmente no fim do dia e à noite, do sábado e domingo, há um aumento de atendimentos a vítimas de acidentes, principalmente com motocicletas”, afirmou.

Ela ressaltou que o perfil das vítimas é de pessoas jovens. Além disso, por estarem pilotando uma motocicleta as vítimas ficam expostas a riscos ainda maiores quando há uma colisão.

“A maioria dos pacientes é de pessoas mais jovens, na faixa etária entre 20 e 48 anos de idade, que são as pessoas que mais se envolvem em acidentes com motocicletas. O que acontece é que na motocicleta o piloto ou passageiro está menos protegido do que dentro de um carro e muitas vezes eles são projetados numa colisão com um carro, um poste, uma queda. O corpo do condutor e do passageiro podem ser projetados a uma certa distância e isso potencializa os agravos que podem acontecer. Então é mais comum fraturas, lesões abdominais, torácicas, trauma cranioencefálico, porque realmente o paciente está totalmente desprotegido”, informou a intensivista ao Acorda Cidade.

Embriaguez ao volante

Hélvia Fagundes observou que um alto número de pacientes chegam na emergência do hospital em estado de embriaguez.

“Não temos como fazer o exame para detectar se a pessoa ingeriu bebida alcoólica ou não. A gente pode perceber durante a anamnese conversando com o paciente, que principalmente no final de semana há uma parcela dessas vítimas de acidente que estavam consumindo bebida alcoólica em quantidade.”

Com relação à gravidade das lesões, a cirurgiã citou problemas como fraturas dos membros inferiores, fraturas de fêmur, da tíbia, e também o trauma abdominal, com lesão de baço, fígado, podendo o paciente ser submetido a uma cirurgia de urgência por conta disso, e o trauma encefálico, pois muitos não usam capacete ou usam de forma inadequada, podendo sofrer um traumatismo crânio encefálico grave. Tais situações, segundo ela, acabam sobrecarregando o sistema de saúde.

“O paciente vítima de acidente ou politraumatizado passa por avaliação de diversas especialidades médicas, faz um número elevado de exames, como radiografias, tomografias e exames laboratoriais e é um paciente que pode permanecer internado durante um tempo prolongado, a exemplo do paciente com trauma cranioencefálico grave, que pode ficar por mais de 14 ou 30 dias, trazendo um custo elevado para o sistema de saúde”, disse.

Blitz da Lei Seca

Conforme o capitão Rafael Sachdev, subcomandante do Esquadrão de Motocicleta de Feira de Santana, a Polícia Militar, através do esquadrão Asa Branca, tem realizado blitz justamente para coibir que pessoas conduzam veículos sob efeito de álcool, e dessa forma possa contribuir com a redução do número de acidentes no município.

Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

“A fiscalização de trânsito faz parte das atividades da Polícia Militar e o esquadrão Asa Branca tem isso como especialidade, que visa não só retirar infratores de trânsito, como prevenir acidentes e crimes de trânsito. Mas criou-se essa celeuma de blitz da Lei Seca, porque na verdade uma das situações fiscalizadas nas blitz é a questão da utilização de álcool por parte dos condutores. Mas ela tem uma finalidade maior, que é a prevenção de crimes e também de fiscalização de trânsito em toda a sua esfera, não só da alcoolemia. O teste do etilômetro, que mede o nível de álcool no sangue da pessoa, é realizado sempre que o policial entende que há sinais ou aspectos de embriaguez, e a recusa em fazer o teste pode também gerar impactos”, esclareceu o capitão ao Acorda Cidade.

De acordo com ele, a recusa ao teste de alcoolemia pelo condutor abordado já é caracterizado como infração de trânsito, que está previsto no artigo 165 A do Código de Trânsito Brasileiro.

“Só pelo fato de se recusar, o condutor terá sua habilitação recolhida e será autuado por parte do policial. O limite máximo permitido de álcool no organismo é de 0,04, que é a margem de erro do equipamento. Entre 0,05 miligramas por litro de ar até 0,033, o condutor será autuado e vai sofrer o recolhimento da habilitação, caso o valor ultrapasse os 0,033 o condutor será levado à delegacia, pois nesse caso já se configura crime de trânsito. Nós temos no Brasil em geral a utilização da bebida alcoólica, que é lícita, o que não pode é fazer a condução do veículo automotor com a utilização do álcool. As pessoas ainda não se acostumaram a sair para eventos e aniversários utilizar o transporte alternativo ou de aplicativos”, pontuou.

O capitão reforçou que conduzir carros ou motocicletas sob efeito de álcool traz riscos de acidentes fatais, com graves sequelas, a exemplo de alguns acidentes que já ocorreram em Feira de Santana.

“Quem perde um parente, um ente querido, vítima de condutor embriagado, reflete sobre a importância de não beber e dirigir. Os hospitais absorvem acidentes de trânsito com uma permanência nessas unidades de forma muito longa. O sistema público tem necessidade de vagas e toda vez que a gente evita um crime, um condutor alcoolizado, a gente está evitando acidentes e com certeza melhorando o bem estar da cidade. Ao ser fiscalizado e ser feito o teste, se constatado o álcool no corpo, ele será autuado por isso. Fazemos as blitz em Feira de Santana de forma isolada, mas nada impede do município também assim o fazer. O maior desafio das autoridades de trânsito é fazer com que haja o respeito às normas, que não tem como fim maior a arrecadação, são voltadas à prevenção.”

 

Com informações do repórter Ney Silva do Acorda Cidade

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