Feira de Santana

Em audiência de instrução, médico nega assassinato da ex-mulher; defesa pediu revogação de prisão

Audiência de instrução teve duração de nove horas.

11/01/2022 22h55, Por Andrea Trindade

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Andrea Trindade

Ainda não há definição se vai a júri popular o médico Antônio Marcos Rêgo Costa, acusado de matar a ex-mulher Gabriela Peixoto Jardim, 35 anos. Ela estava desaparecida desde o dia 22 de agosto de 2021 e foi encontrada morta seis dias depois, próximo à entrada do distrito da Matinha, às margens da BR-116 em Feira de Santana.

Uma audiência de instrução com duração de nove horas foi realizada nesta terça-feira (11) no Fórum Desembargador Filinto Bastos, na qual foram realizadas oitivas de 10 testemunhas arroladas pelo Ministério Público e uma pela defesa, e em seguida houve o interrogatório do réu, que respondeu a vários questionamentos por cerca de três horas.


 

Segundo o promotor de justiça, Rafael Andrade, antes da decisão será necessário reunir mais provas técnicas que foram solicitadas ao Departamento de Polícia Técnica (DPT).

“A instrução foi satisfatória porque conseguimos ouvir todas as testemunhas, foi feito o interrogatório do réu, mas ainda não foi possível encerrar por necessidade de diligências, de complementação e faltam ainda perícias para serem juntadas aos autos. O próximo passo é aguardar a chegada destas perícias que faltam, a perícia do celular da vítima, e outra complementação de uma perícia feita pelo DPT. Após seguimos para as alegações finais do Ministério Público, da defesa e em depois a decisão da juíza. Não há prazo exato, até porque ainda depende da chegada destas perícias, tem o prazo das alegações finais, tem o prazo de sentença, e mesmo que ele seja pronunciado para ser levado a julgamento não há o prazo certo porque pode ter recurso, e tem muitos processos na fila para fazer o júri”, explicou.

O promotor disse ainda que o acusado manteve o depoimento anterior, e negou o assassinato.

“O acusado manteve basicamente o que disse na delegacia, negando o delito, apesar de confirmar que esteve com a vítima até a noite, que teria ocorrido a agressão, mas ele alega que não a matou. Porém, ainda devem ser verificadas todas as provas para chegar a uma conclusão”, afirmou.

Foto: Aldo Matos/Acorda Cidade
 

O advogado Guga Leal e o outro advogado de defesa, Rafael Esperidião, informaram que eles fizeram um requerimento de liberdade provisória, revogação da prisão preventiva e, subsidiariamente, a prisão domiciliar por ser médico.

“Ele está numa unidade prisional com outros detentos com aproximadamente seis ou sete internos, e ele tem direito”, afirmou.

Guga Leal destacou em entrevista ao Acorda Cidade que o médico colaborou respondendo todas as perguntas e reafirmou o que foi dito pelo promotor de que o acusado manteve o mesmo depoimento prestado na delegacia.

“O denunciado contribuiu novamente com tudo que lhe foi perguntado desde o primeiro momento, desde o momento que a delegada que presidiu o inquérito ligou para ele, quando ele estava na cidade Rio Branco, no Acre. Ele informou que aquela não era a residência dele, deu o endereço da residência, disse onde estava naquele momento, e disse que se alguém precisar de algum esclarecimento ou se a polícia fosse lá para intimá-lo, da mesma forma ele agiu com a Juíza Márcia Simões. Quanto ao crime, ele manteve o depoimento da delegacia. Disse que esteve com dona Gabriela, informou que em certo momento usaram entorpecentes, beberam, e como já tinha feito isso durante um dia inteiro, ele já tinha perdido a noite anterior no trabalho, levou ela até determinado local e depois não teve mais contato. Foi embora, voltou e já não a encontrou mais.

Ele se recorde de algumas coisas e outras tantas não, disse que assume o risco de ela ter morrido porque foi ele que a deixou no local, mas ele não se recorda de ter cometido qualquer tipo de crime. Se ele assumiu o risco, ele está sendo um homem muito honesto com sua integridade mental. A família dele sempre demonstrou um carinho e disse que estava ao lado dele. Ele tem direito a prisão domiciliar, a outras tantas situações e mesmo assim, em momento algum, na unidade prisional ele requereu esse direito”, declarou o advogado do médico.

 

Com informações do repórter Aldo Matos do Acorda Cidade

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