Economia

Será que a poupança é o melhor caminho para render o seu dinheiro?

Conversamos com o especialista para saber mais sobre a poupança e as melhores formas para investir o seu dinheiro. 

31/10/2023 às 18h20, Por Jaqueline Ferreira

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Foto: Mamewmy/Freepik

No Dia da Poupança, comemorado neste 31 de outubro, o Acorda Cidade conversou com o economista Roberval Araújo para entender se essa forma de rentabilidade ainda é uma das melhores opções e trazer alguns conceitos de gerenciamento de finanças mais eficazes. Para ele, aderir ao Fundo de Investimento, seja ele qual for, é renunciar ao consumo imediato para ter um consumo no futuro. 

Economizar através da caderneta de poupança é a forma mais tradicional e conservadora de se render valor. O dinheiro rende evitando que a inflação consuma aquele valor. Roberval explicou como funciona atualmente. 

economista Roberval Araújo
Foto: Arquivo Pessoal

“Ela é baseada na Selic (taxa básica de juros), então se a Selic estiver acima de 8,5%, a caderneta vai render 0,5% ao mês mais a variação da TR, que é a taxa referencial. Caso a taxa da Selic esteja abaixo de 8%, a poupança vai render 70% dela, mais a variação da TR”, explicou ao Acorda Cidade. 

Inflação

Conforme Roberval, a inflação é o desgaste do dinheiro, pois ela consome o valor que a pessoa está tentando poupar. 

“Se você deixar cem mil reais na sua mão hoje e não colocar em nenhuma aplicação financeira, daqui a um mês ele vai valer a mesma quantia, menos a inflação que aconteceu naquele mês, ou seja, aqueles cem mil reais vão ter uma capacidade menor do que teria no início do mês ao final do mês, então a inflação corrói o valor e é por isso que é importante procurar um fundo, uma poupança, CDB, RDB, para que se aplique o recurso sem que ele perca valor ao longo do período”, afirmou. 

Além da poupança existem outras formas de aplicação financeira como os Fundos de Renda Fixa, CDBs, prefixados, pós fixado e títulos do Tesouro que podem ser adquiridos. O economista explicou que as pessoas preferem a poupança pela segurança, mas que essas outras maneiras de investir também são confiáveis. 

“As pessoas ao longo da história criaram essa ideia de que, por ser mais conservadora e tradicional, ela é a mais segura. Mas, os demais fundos também são. Você pode investir num CDB prefixado ou pós fixado, em títulos de renda variável e dependendo da carteira que são mais arriscados, pode ter garantias, porque o fundo garantidor de crédito vai dar um limite de até 250 mil como segurança, dado pelo governo federal para que o investidor não corra risco de ter o investimento perdido ao longo da aplicação. A poupança é considerada esse fundo mais seguro, muito mais pela prática e tradição do que realmente pelo retorno e segurança às pessoas”, enfatizou.

Segundo o economista, as vantagens e desvantagens são de acordo com os riscos que se assume. 

“A maior diferença entre a poupança, o CDB ou um fundo de ações, seja ele conservador, moderado ou agressivo, será o perfil do investidor. Quem está mais  propenso a assumir riscos, pode investir seu dinheiro em fundos que tragam maior retorno. Quanto maior o risco, maior a remuneração. Mas também, é maior o risco de perda do recurso aplicado. As desvantagens desses outros fundos é que dependendo da opção escolhida, pode ter uma perda na aplicação. Um CDB prefixado, já tem uma taxa de juros negociada quando se contrata esse investimento no início. Se fizer um CDB pós fixado, pode ter uma surpresa, porque o mercado pode estar deflacionário e aquilo que se aplicou de repente pode ter uma remuneração muito menor do que seria a expectativa de renda”, pontuou. 

Para os Fundos de Renda Variável, Roberval acrescenta que o risco é ainda maior, porque há o risco da perda do valor investido, não remunerando o capital principal. Ele não é indicado para quem busca um retorno rápido, pois é um perfil de investimento para médio e longo prazo.  

“Você pode aplicar 200 mil e dependendo do fundo de ações, pode no curto prazo perder até 20 mil reais, porque um fundo de ações é para se investir ao longo de 23 anos para que possa recuperar. Se a pessoa investir em ações e no primeiro mês pensar que vai recuperar no segundo ou terceiro mês, está no fundo errado”, colocou. 

Por isso, ter um consultor financeiro, um analista, é fundamental para ajudar na hora de aplicar. É possível encontrá-los em instituições financeiras, bancos e em agência de fundos. Pode-se também pedir orientação ao gerente do seu banco.

Dicas do Economista 

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Foto: Adobe stock

Para determinar se a poupança é a melhor alternativa para suas metas financeiras, é necessário analisar seu perfil de investidor e considerar fatores como liquidez, riscos e rentabilidade. 

Se a pessoa precisa daquele valor de imediato a poupança rende valores mensais. Sempre no aniversário dela, pode-se resgatar o valor, então se tem uma liquidez muito rápida. 

O CDB tem um prazo um pouco maior, que pode ser de 90, 180 dias. No entanto, não pode-se sacar antes do tempo proposto, pois não recebe a remuneração que estava contratada para aquele período.

Os riscos assumidos, vão definir se será um investidor mais para a poupança, que é mais conservadora, não assumem maiores riscos, mas se o desejo é de mais rentabilidade, quer ganhar um pouco mais é melhor buscar outra forma de investimento. 

Para sair da poupança, o economista aconselhou a migração para títulos do Tesouro Nacional ou CDB prefixado, pois podem render no CDI de 101% a 102%, com um perfil um pouco mais agressivo, mas não tanto quanto um título de renda variável. 

É importante pesquisar, estudar e buscar orientação de especialistas para tomar decisões informadas. Estabelecer metas claras e acompanhar regularmente os investimentos para garantir que seu dinheiro esteja sendo bem utilizado.

Entender bem o próprio perfil é fundamental para montar estratégias corretas para fazer o u dinheiro render e dar retorno esperado, dentro de cada realidade.

Roberval ainda acrescentou que se o desejo é comprar algo, um automóvel, um imóvel, deve-se fazer com tudo muito bem calculado e planejado para atingir a meta. 

“Estabeleça um prazo, estabeleça por quanto tempo você vai poupar e quanto você pode poupar por mês para atingir esse objetivo”, finalizou. 

Com informações da repórter Iasmim Santos do Acorda Cidade

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