É tudo mentira

*Por Madalena de Jesus É inacreditável o número de pessoas que eu conheço que nasceram em 25 de setembro. A cada ano parece que aumenta mais, não sei ao certo se o número de amigos ou de aniversariantes conhecidos. O certo é que nessa data meu coração fica apertado, porque eu não posso abraçar o […]

26/09/2009 08h13, Por Dilton e Feito

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*Por Madalena de Jesus

É inacreditável o número de pessoas que eu conheço que nasceram em 25 de setembro. A cada ano parece que aumenta mais, não sei ao certo se o número de amigos ou de aniversariantes conhecidos. O certo é que nessa data meu coração fica apertado, porque eu não posso abraçar o mais querido de todos os amigos: Egberto Costa. Digo isso sem receio dos ciúmes. Eu bem sei que eles existem, mas ninguém tem coragem de declarar, tamanho o respeito pelo amor que nos uniu em vida e que, de algum modo, continua vivo na imensa saudade que me faz morrer um pouco a cada dia.

Se estivesse entre nós, Egberto teria completado 64 anos neste 25 de setembro. Estaria lindo, com seus cabelos já totalmente brancos, sua voz rouca, seu sorriso aberto sem censura, sempre que estava ao lado das pessoas que amava. Eu posso até esquecer o dia trágico em que ele foi retirado de nosso convívio. Mas jamais deixarei de lembrar a data de seu aniversário – ele não me perdoaria, como não perdoou a única vez que isso aconteceu. E aqui eu deixo o registro, como tenho feito nos últimos sete anos, transcrevendo um de seus textos mais belos.

O ensaio sobre a verdade (ou seria sobre a mentira?) foi publicado no livro Estrada do Tempo, publicado três anos após o seu vôo para o infinito.

Eis a íntegra do texto:

Se alguém nos perguntasse: “que é a verdade?” que responderia? Aí está, pois uma inquietação dos que fazem a notícia. Estamos em busca da verdade ou a escondemos conforme nossa convivência? Não existe uma medida para a verdade, ela se apresenta conforme a ótica de cada um e da maneira que mais projeta seus interesses. Mas não existem duas verdades sobre um mesmo fato. Não existe meia verdade, não se diz que está falando “ligeiramente” a verdade. Ela existe ou não existe.

E não se pode separar a verdade da justiça. Quando se falta à verdade está se cometendo injustiça. “Verdade e justiça são a medida da verdadeira liberdade”, nos ensina o cardeal J. Ratzinger. É por isso que as mentiras geram as ditaduras e elas sobrevivem enganando sempre, ocultando as verdades dos fatos, como eles aconteceram. E é aí que Santo Inácio de Antioquia aparece para dar sua lição: “É melhor calar-se e ser que falar e não ser”.

Mas nós somos os responsáveis pela transmissão da verdade através das palavras. “Palavra que se solta não se engole outra vez”, é a sabedoria do provérbio russo. Quando a notícia é divulgada e se comete injustiça, dificilmente o erro será corrigido, ficará sempre uma pontinha de dúvida. Aqui é que entra a ética profissional, esta coisa que muitos pensam ser uma camisa de força para impedir o exercício da profissão. Mas quem usa a verdade comete a justiça e não precisa temer os códigos, por mais rígidos que eles sejam.

O profissional precisa de dignidade no exercício da profissão, ser cortês sem ser subserviente. O adulador é sempre injusto: agacha-se perante os poderosos e massacra os humildes. Muda sempre de opinião conforme a direção que o vento sopra. Foi Honoré de Balzac quem nos advertiu: “A educação nunca parte do espírito elevado. É produção de medíocres”.

 *Madalena de Jesus é jornalista e professora

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