Música

Das coisas que aprendi nos discos: Krig-ha, Bandolo! – Raul Seixas, 1973

O quinto episódio da série de resenhas apresenta Krig-ha, Bandolo! É um dos mais importantes discos do rock nacional e tem a maioria das músicas mais amadas de Raul Seixas.

07/11/2020 17h19, Por Rachel Pinto

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Por: Carlos H. Kruschewsky*

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"Atenção! Eu sou a mosca. A grande mosca, A mosca que perturba o seu sono. Eu sou a mosca no seu quarto a zum zum zumbizar. Observando e abusando"
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Depois de participar do 7° Festival Internacional da Canção (em 1972), com as músicas "Eu sou eu Nicuri é o Diabo", interpretada por Lena Rios e os Lobos, e "Let me sing, Let me sing", apresentada pelo próprio Raul vestido como seu maior ídolo (Elvis Presley), cantando e dançando, Raulzito despertou interesse na Philips (gravadora), onde gravou esse disco. Krig-ha, Bandolo! é um dos mais importantes discos do rock nacional e tem a maioria das músicas mais amadas de Raul Seixas.

Embora seja o disco de estreia de Raul Seixas, ele já tinha se aventurado outras vezes na tentativa de ser "O Cantor": uma com "Raulzito e os Panteras"; outra, com "Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10", com "Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock", gravado pela própria Philips (cantado por Raul, mas só creditado como produtor); além do compacto com a música “Ouro de Tolo” (composta por ele e Paulo Coelho). Mas este é oficialmente o primeiro disco solo desse artista baiano genial. Tem influência da música nordestina, baião, música afro-baiana, sons de berimbau, sintetizadores e muito rock n' roll.

Muita gente pergunta o que significa KRIG-HA, BANDOLO! E a resposta pra isso está nas HQs do Tarzan da década de 30 (muuuiiittoo diferente do Tarzan que a gente conhece da Disney), que diante do perigo gritava KREEGAH! BUNDOLO! No dialeto africano Mangani significa “Cuidado, ai vem o inimigo!” O que vem a calhar, já que logo depois da faixa de introdução, Raul Seixas deixa bem claro que chegou pra incomodar, como uma mosca na sopa da ditadura militar da época. Raul era gênio em driblar a censura. Sobre Mosca na sopa, o sensor escreveu: "Em que pese a estupidez e o mal gosto, somos pela libertação, já que não atinamos a comprometimentos outros". O que nos mostra que o forte dos milicos de 73 (assim como esse arremedo atual) não era pensar.
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MELHORES FAIXAS:

•Mosca na Sopa

•Metamorfose Ambulante

•Ouro de Tolo

*Carlos H. Kruschewsky é psicólogo, psicanalista, presidente do Dragornia Moto Club, BeerSommelier, Homebrewer, sócio da Dragornia Cervejaria e Colecionador de Discos. Instagram: @sr.ck @dragornia

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