Comportamento

Até que ponto os pais podem restringir o uso de equipamentos eletrônicos dos filhos? Psicóloga explica

De acordo com a psicóloga, cada idade possui um tempo limite para uso.

25/03/2022 às 06h38, Por Andrea Trindade

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Gabriel Gonçalves

No último sábado (19), um menino de 13 anos, na Paraíba, confessou que matou a tiros a mãe de 47 anos e o irmão mais novo de 7, e feriu o pai de 57 anos, após a família o proibir de usar o celular para jogar e conversar com os amigos, com o objetivo de tirar notas boas na escola.

O assunto gerou grande questionamento entre muitas famílias sobre qual o melhor tempo de uso de aparelho celular ou outro tipo de equipamento eletrônico pelas crianças.

Fernanda Leão, mãe de Pedro Níger Costa e Silva, de apenas 10 anos de idade, contou à reportagem do Acorda Cidade que o filho começou a ter acesso ao aparelho celular com apenas 4 anos, e de lá para cá, sempre vem observando com atenção o comportamento e a forma como o filho utiliza.

"O primeiro contato de Pedro com o celular, ele tinha em torno de 4 a 5 anos assistindo YouTube, desenhos e hoje em dia ele tem o seu próprio celular com a finalidade de falar com a família, amigos da escola, amigos, vizinhos e também jogos. Pedro fica em média de 6 horas por dia com celular e no final de semana eu acredito que passe mais do que isso. No celular dele tem jogos como Free Fire, Minecraft, jogos de corridas de carro, de moto dentre outros jogos e a gente tem um controle no celular dele, fiscalizado as conversas, o que é salvo, o que é baixado, os contatos e a gente está sempre atento até mesmo quando ele quer baixar algum jogo, ele pergunta ou então ele baixa e depois vem jogar e a gente acaba tendo acesso àquela informação", explicou.

De acordo com Fernanda, é possível identificar que os níveis dos jogos estão avançando e afirmou que antigamente, já existiam jogos violentos.

"Na minha época, existia o Street Fighter, o CS que a gente considerava como os jogos violentos e que obviamente não são comparados aos jogos atuais que tem uma definição de imagem completamente diferente e que faz aquele universo de jogo parecer real. Mas o importante, é que a família passa para as crianças os valores que nada pode interferir, nem nos jogos, nem outra interferência externa que vai mudar o que é passado para eles, como os princípios, valores, direitos e deveres, então não são os jogos, nem os celulares que poderiam estar interferindo e alterando isso aí", opinou.

Ainda segundo Fernanda, é necessário que haja diálogo entre família e filhos, pois a tecnologia está para todos e não há como restringir de maneira 100%.

"Com relação a restrição do acesso, eu acho que não tem como. Infelizmente hoje os meios de comunicação estão aí, está para todos a informação, então fazer com que seu filho não tenha acesso ao celular ou até mesmo a internet, creio que seja algo um pouco complicado até porque os pais passam muito tempo trabalhando, não tem como estar em todos os lugares para poder fiscalizar isso. O importante é a gente estar sempre atento, se mantendo vigilantes, tendo o diálogo com os nossos filhos que aquilo seja sempre uma ponte firme que exponha o que existe nas conversas, tudo que foi passado ali nos jogos onlines. Existe também uma mudança que eu posso observar que o tempo muda, e os ídolos para os nossos filhos começam também a mudar, não são mais jogadores de futebol nem outros atletas e sim os YouTubers, meu filho mesmo fala de é Bruno Góes, que é um grande jogador de Free Fire, participa de ligas nacionais e mundiais de gamers, e que hoje é referência para ele até mais do que outro atleta, um jogador de futebol. Então o que a gente precisa estar sempre atento a estas questões, muito mais os valores que estão estabelecidos nos núcleos familiares, do que de fato está restringindo o acesso por que as informações estão aí a todo tempo", destacou.

Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

Segundo a psicóloga infanto-juvenil Letícia Guimarães, conflitos familiares podem estar relacionados ao uso limitado de jogos eletrônicos e citou alguns exemplos das causas que fazem uma criança ficar por muito tempo na frente das telas virtuais.

"Os conflitos familiares provenientes do uso limitado de jogos já é uma realidade, é um problema que os pais de crianças e adolescentes enfrentam e a dependência digital é semelhante ao vício, ao uso abusivo de drogas e como tal, traz prejuízos para a vida do indivíduo, para a família. Então se configura sim, como uma dificuldade essa dependência digital. O tempo ocioso, a falta de um direcionamento, de algumas atividades como atividades esportivas e atividades educacionais, ficar muito tempo sozinho em casa, geram esses interesses por estes jogos", explicou.

Para a profissional, é necessário que haja um equilíbrio, não abusando do tempo que é utilizado fazendo uso destes equipamentos eletrônicos.

"Eu sempre falo que o equilíbrio é tudo então os jovens e as crianças podem sim utilizar o celular, utilizar esses recursos tecnológicos de forma mais assertiva mas não podem passar muito tempo frente a estas telas, devido essas dificuldades que acabam gerando uma dependência, questão de problemas auditivos, visuais pelo tempo de exposição em tela. Então se esse uso for desenfreado, pode-se desencadear um transtorno no Cid 11, mais novo que saiu este ano, inclusive tem a questão da dependência tecnológica como um transtorno, o 'game desordem' ou transtorno dos jogos eletrônicos que se configura como esse uso desenfreado que causas danos psicológicos, emocionais e sociais para este público infanto-juvenil", informou ao Acorda Cidade.

De acordo com Letícia Guimarães, é necessário que os pais observem as mudanças de comportamentos dos filhos.

"Eu acredito que o comportamento agressivo não aparece de um dia para noite. Os pais ou responsáveis precisam estar atentos aos sinais, então, esse jovem já vinha apresentando uma preocupação excessiva com a internet, alguma necessidade de aumentar o tempo de uso, irritabilidade, taquicardia, sudorese em casos mais graves, ele já estava apresentando sinais dessa dependência que talvez ligado algum transtorno de conduta, algum comportamento, desencadeou esse triste fato. Então este problema de dependência digital, de uso desenfreado das redes, já é uma realidade, mas a gente nunca tinha chegado em um ponto tão crítico como este que foi do garoto de 13 anos. Os pais podem conferir uma tabela inclusive disponibilizada pela OMS do tempo de redes a partir de cada idade, então um ano, dois anos de idade, tem um tempo para os adolescentes e para crianças, mas é recomendado que não se exceda o limite máximo de 3 horas por dia", disse.

Ainda segundo a psicóloga, é necessário que os pais também possam dar exemplos e buscar através do diálogo, uma comunicação com os filhos para que não se tenha o uso abusivo dos jogos.

"Eu acredito que a gente precisa saber dosar, equilibrar, não só cobrar das crianças que não utilizem celulares, mas também ofertar atividades. Às vezes a gente está cobrando do nosso filho que não utilize celular durante a refeição, durante o momento em família, mas a gente está lá com o nosso celular, é preciso dar exemplo e também, Chamar a nossa criança interna para poder brincar com a criança que a gente ama, então brincar é ir para o chão, ofertar a mesma atividade em momentos em família para que essa criança não se sinta ansiosa, não se senta refém dessa rede. Hoje em dia a gente tem alguns pais que trabalham o dia todo, só ver os filhos no início da manhã ou no final da tarde, então fica difícil controlar, mas eu acho que diálogo é a chave de tudo. Se a gente estabelece horários e cobra desta criança com gentileza e com firmeza que estes horários sejam cumpridos, a gente consegue ter sucesso", concluiu.

Com informações do repórteres Ney Silva e Maylla Nunes do Acorda Cidade

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