Eleições 2014

Analistas políticos de Feira de Santana avaliam cenário das Eleições 2014

Para avaliar o atual cenário, o especialista em Ciência Política Josué Mello, e o jornalista Glauco Wanderley, estiveram na manhã desta terça-feira (19) no Programa Acorda Cidade.

19/08/2014 16h17, Por Maylla Nunes

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Acorda Cidade

Descrença de eleitores na credibilidade de candidatos, movimento nacional a favor de uma reforma política, campanhas absurdamente caras, queixas dos próprios políticos sobre o atual modelo, clima de mudança e expectativa na campanha presidencial em decorrência da morte de Eduardo Campos. Essas são algumas das questões cruciais das Eleições 2014. Para avaliar este cenário, o especialista em Ciência Política Josué Mello, e o jornalista Glauco Wanderley, estiveram na manhã desta terça-feira (19) no Programa Acorda Cidade. Confira a entrevista na íntegra.

Acorda Cidade – É correto afirmar que o modelo de política no Brasil chegou ao limite do desgaste?

Josué Melo – É um modelo que realmente está desgastado e a juventude é quem sofre mais as consequências desse desgaste, que tem expressado de diversas formas a insatisfação, o desencanto, em relação a esse modelo em que você escolhe um governante, mas ele não se sente comprometido com o eleitor. Ele desenvolve seu próprio programa, suas próprias ideias, independente daquilo que o eleitor está almejando que seja feito. É um sistema em que uma campanha custa muitos recursos, o pobre não pode se eleger e depois que ele ganha, acha que comprou a eleição e não se sente comprometido com o eleitor. Então os jovens se perguntam: votar pra quê? Eles estão desiludidos, pois não se sentem representados naqueles que são escolhidos para administrar. Realmente há um desencanto muito grande e é por aí que podemos entender a queda que houve nas inscrições dos adolescentes para votar. Acho que o modelo precisa passar por uma mudança radical para novamente encantar, pois a política é fundamental, tudo depende da política.

AC- E por que chegou a esse desgaste?

Josué Mello – É todo um processo de individualismo, das pessoas quererem se beneficiar, de pensar só em si, de estar com o poder na mão e usá-lo em favor próprio, fazer leis que lhe privilegie, que lhe beneficie e não olham para as necessidades da sociedade. É a vaidade humana, o descompromisso com o próximo, com a sociedade. Acho que são esses defeitos do ser humano que têm contribuído para essa deterioração do sistema político. O jovem está politizado, está consciente, e os movimentos de rua que tivemos no país demonstram o quanto a nossa juventude está consciente e querendo fazer a política no dia a dia, não apenas de dois em dois anos. Acho que eles estão nos dizendo isso no momento em que dizem não a esse sistema que está aí.

Glauco Wanderley – Será que em algum momento esse ideal de política já existiu ou a gente apenas está vivendo o apodrecimento de um sistema que foi errado desde sempre? Me parece que o Brasil é um país em que desde o começo não há preocupação com o coletivo e sim com privilégios. No início os índios e os negros não eram considerados gente, então vivenciamos isso durante toda a nossa história. Hoje essa insatisfação é grande e é um sinal positivo, de que as pessoas estão enxergando claramente que está errado e que é preciso mudar. Como é que muda? Ninguém tem uma resposta certa agora, mas precisa realmente mudar.

Josué Mello – O caminho para mudar é participar. De braços cruzados ninguém vai contribuir para mudar. Pode não ser um caminho, mas uma diretriz é participar. É participando que vamos dar nossa contribuição, levar nossas ideias, nossas propostas na expectativa de um dia essa situação ser mudada.

AC: É possível fazer uma reforma política no país de forma que os interesses sociais tenham mais prioridade na prática?

Glauco Wanderley – É possível fazer qualquer coisa se houver a mobilização, a pressão e, inclusive, pode-se fazer coisas erradas também. É preciso ter cuidado com isso para que grupos minoritários não se apropriem desse desejo de mudança e façam as mudanças que eles querem e não as que a maioria da sociedade deseja.

Josué Mello – A sociedade realmente está sujeita a isso, por isso a importância da democracia, de fazer essa reforma dentro dos princípios e normas e de uma democracia que respeite a liberdade de expressão, a liberdade de movimento. Uma democracia em que as pessoas são pressionadas a escolher seus candidatos movidos a questões financeiras e econômicas, a liberdade já fica meio complicada. Acho que a democracia no sentido exato, como deve ser exercida, em plena liberdade, sem que as pessoas sejam compradas a dar a sua manifestação, o seu voto, realmente evita esses riscos das minorias imporem os seus projetos de mudança.

AC: Já existe um movimento no país a favor de uma reforma política, de forma que os interesses sociais tenham mais prioridade na prática. Esse movimento tem chances de ter êxito?

Josué Melo – o perigo dos plebiscitos é que geralmente são conduzidos. É difícil um plebiscito não ganhar. Geralmente é o sim que predomina. Se isso não ocorresse e as pessoas decidissem livremente aí sim seria realmente um grande caminho. Iria escutar as pessoas sobre os problemas, sobre os futuros caminhos.

Glauco Wanderley – O plebiscito deve ser feito para assuntos específicos. Como é que vai se fazer um plebiscito para aprovar uma constituição inteira, onde há uma diversidade enorme de assuntos sendo abordados? Eu concordo com X, mas discordo com Y e no plebiscito tenho que votar sim ou não. Uma das coisas que se advoga hoje, que é muito comum, são pessoas falando em reforma política e é modismo falar nisso, é democratização da mídia. Essa turma que fala em democratização da mídia, quase sempre quer censura.

AC: Um internauta pergunta se o primeiro passo para a mudança seria a troca do sistema presidencialista por parlamentarismo. Os senhores concordam?

Josué Melo – Os problemas são os mesmos. A solução não é o sistema nesse sentido. Acho que é um pouco mudança de formação ética, de caráter daqueles que se dispõem a servir a população. Na democracia o poder não está no gestor e sim no povo, mas isso é poesia. Na prática não funciona.

Glauco Wanderley – Eu sou simpático ao parlamentarismo, mas é algo a ser discutido. É complicado definir qual é o melhor, mas uma coisa que ajudaria no esclarecimento de escolher quem são os representantes seria o voto distrital, inclusive, no sentido do barateamento da campanha. A Bahia é maior do que a França, então o candidato procura percorrer o estado inteiro e se ele tem dinheiro pra isso, ele ganha a eleição.

AC: O senhor também não acha que falta consciência do eleitor para não vender o voto?

Josué Mello – Sim. Existem as pobrezas, as necessidades, mas não justificam. Existindo caráter, jamais alguém venderia o voto. Por mais necessidade que se tenha, o voto é o poder, é algo sagrado, que vai contribuir para a transformação da vida das pessoas.

Glauco Wanderley – Não há princípio que resista onde há fome. Muita gente ainda passa fome e se não morre de fome está morrendo de frio, nesse inverno que estamos agora. As pessoas não têm casa. Não tem princípio que resista.

AC: O cenário político mudou com a morte de Eduardo Campos do PSB e a entrada de Marina Silva na disputa eleitoral?

Josué Mello – Mudou muito e acho que a eleição irá para o segundo turno com esse novo quadro. Era muito difícil acreditar em um segundo turno e hoje acho que é pensamento comum. O programa de Eduardo Campos não era conhecido, mas ficou. Ele hoje é uma pessoa mais conhecida até do que a própria Dilma Rousseff, porque foi mais de uma semana falando sobre ele, com a exposição apenas das virtudes e isso vai refletir muito da campanha.

AC: O crescimento de Marina Silva pode interferir no desempenho da candidata ao governo da Bahia, Lídice da Mata?

Josué Mello – É difícil não respingar um pouco em todos os candidatos do partido, pois a comoção e a divulgação foi muito grande e vai refletir em todos, uns mais outros um pouco menos.

Glauco Wanderley – Um pouco acredito que sim, pode salvar a realização de um segundo turno, que é tudo que o PT espera na Bahia.

Comentários:

Flavio Almeida: Os grandes debates, com as classes em todas as suas formas podem alterar a politica atual. Concordo que os Governos ao se elegerem em seu 1º énsamento é manter-se no poder, e aqueles que nunca foram, tornam-se vorazes e fazem de tudo para não largar não o "osso", mais o "filé. Qual é hoje o maior cabo eleitoral do Governo? Os mais de 20.000 de bolçistas, que tem como unica intensão conquistar o eleitor pelo "bolço". O Governo nunca pensou em investir nestas pessoas, para que ela tornam-se produtivas. Quando se tem produção, os custos baixam, a população vive melhor e o país ainda vende melhor. Penso também que este momento de comoção e os numeros das pesquisas atuais, tendem a serem al terados. A candidata não soube e não saberá responder sobre todas as acusações ao longo de seu Governo. A Marina, talvez radicalize no seu relacionamento e propostas e o Aecio vai continuar com a mesma coisa, talvez apostando nos escorregadios deslizes dos demais candidatos.

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