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Publicado em 22/11/2021 17h43.

Dayane Pimentel reforça apoio a Moro em 2022 e diz que governo atual foi o que mais distribuiu emendas em troca de votos

Segundo ela, o PSL não quer caminhar com Lula e nem com Bolsonaro.
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Dayane Pimentel reforça apoio a Moro em 2022 e diz que governo atual foi o que mais distribuiu emendas em troca de votos
Foto: Maylla Nunes/Acorda Cidade

Laiane Cruz

A deputada Dayane Pimentel (PSL) foi a entrevistada de hoje (22) do quadro Sala do Povo no programa Acorda Cidade, da Rádio Sociedade News FM, e comentou sobre o apoio dado aqui na Bahia à candidatura do ex-juiz e ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro, Sérgio Moro. Ela também falou sobre os rumos que pretende dar à sua participação da política, como também acerca da decepção com o governo de Jair Bolsonaro e os motivos que a levaram a abandonar o grupo político em 2019.

Confira a entrevista na íntegra:

 

Acorda Cidade – Você foi convidada para organizar a candidatura do ex-juiz Sérgio Moro na Bahia. Como surgiu esse convite?

Dayane Pimentel - Depois que saiu essa nota nas redes, muitos jornais ligaram para entender o que significa isso. É importante salientar, que desde a eleição de 2018 a forma de se fazer política no Brasil é um pouco diferente, não é mais aquela forma tradicional, onde você fecha apoio com os partidos e vem a reboque todo o apoio popular que está por trás. Hoje em dia o presidenciável ou candidato para qualquer cargo eletivo conversa diretamente com a população. E o convite de Sérgio Moro, para que eu pudesse estar ajudando na coordenação, a nível nacional também, e que pudesse trazer isso para a Bahia, foi nesse sentido, de buscar esse link com a sociedade civil organizada, com as categorias, com as pessoas, tendo em vista que eu tenho essa experiência de 2018. Conheço muitas categorias que apoiaram o presidente atual que hoje querem caminhar com Moro. E aceitei fazer esse link, buscar fazer uma agenda com ele na Bahia e da maneira que for possível. Então a coordenação não é partidária, nem 100% política. Ela é uma coordenação na busca de apoiadores, militância, e eu acho que sei fazer isso.

 

Acorda Cidade - Por que a senhora não compareceu ao Adesivaço, realizado no último sábado (20), em apoio à candidatura de Sérgio Moro?

Dayane Pimentel - Eu não compareci ao ato, pois já tinha agenda pessoal marcada, mas meu esposo, Alberto Pimentel, esteve lá. Acredito que seja o primeiro de muitos, e eu terei oportunidade de participar.

 

Acorda Cidade - Como surgiu essa parceria com Sérgio Moro?

Dayane Pimentel - Ele é recém-filiado ao Podemos, muito amigo do senador Álvaro Dias e da Renata, que é a presidente do partido. Minha relação com Moro é histórica. Iniciei nessa militância política no início de 2014, com as manifestações em apoio à Lava Jato. A primeira manifestação que eu participei em apoio à Lava Jato foi aqui em Feira de Santana. Passei um período em Curitiba e em São Paulo e participei de todas as manifestações nessas cidades.

Em 2018, Moro não foi candidato. Mas Bolsonaro trazia nos seus discursos desde 2016 que gostaria muito de tê-lo integrando em seu grupo ministerial. Isso reacendeu nos lavajatistas a vontade de apoiar Bolsonaro, porque entendia que se Moro fizesse parte do governo, teria uma atuação muito forte no combate à corrupção. Como Moro não era candidato em 2018, direcionamos nosso apoio para Bolsonaro. Agora com Moro sendo candidato não nos resta dúvida de que queremos caminhar com Moro.

 

Acorda Cidade – Moro vai ter palanque na Bahia, é isso?

Dayane Pimentel - A questão de palanque na Bahia ou em qualquer outro lugar está sendo resolvida através do partido Podemos, que está responsável por essa parte. Eu estou sendo entusiasta dentro do meu partido, tenho conversado muito com Luciano Bivar, que é o presidente do PSL, que será o futuro União Brasil, tenho conversado com o vice-presidente, e passado as minhas impressões. Eles consideram muito as minhas impressões, assim como Moro também considera. Mas tudo depende de um cenário global, não é apenas a opinião da professora Dayane Pimentel, mas minha opinião conta bastante e estou dando sempre em favor de Moro. E acredito que a União Brasil precisa garantir esse palanque na Bahia para Sergio Moro. Mas, essas conversas serão decididas numa mesa onde estarão sentados os líderes do futuro União Brasil, que vale incluir aí o ex-prefeito ACM Neto, junto com o Bivar, o Rueda, e a própria Renata, do Podemos. Eu vou continuar mantendo a militância ativa, acesa, para que esse palanque aconteça.

 

Acorda Cidade - O PSL vai fechar com Moro?

Dayane Pimentel - Tanto o PSL quanto o DEM têm uma pluralidade de opiniões. Dentro do PSL, que foi inclusive o partido que deu abrigo a Bolsonaro, para que ele pudesse ter legenda em 2018, quando nenhum outro partido quis ofertar essa legenda, nós ainda temos pessoas que apoiam o presidente. Temos também isso no DEM, mas temos ainda aquelas pessoas que querem caminhar com uma terceira via. E se for Moro, nos deixa ainda mais empolgados. Temos muitos apoiadores dentro do PSL, então está dividido. Por isso que essa questão partidária vai ser estabelecida na mesa dos dirigentes. Eu como apoiadora estarei aqui entusiasmando o partido para que caminhe com essa terceira via. O que eu tenho hoje de informação concreta é que o PSL não quer caminhar com Lula e não quer caminhar com Bolsonaro. Eu acredito muito que essa também seja a postura dos Democratas, então haverá várias conversações, até que se chegue um consenso.

 

Acorda Cidade: O Josias de Souza, colunista da Folha de São Paulo, disse que o Valdir, que é deputado, disse que o Lira é quem manda no governo e que cada deputado recebeu, em média, 10 milhões em emendas para votar em Artur Lira. Como a senhora avalia esse posicionamento do seu colega de partido?

Dayane Pimentel - O delegado Valdir está no segundo mandato dele. Quando nós falamos o que acontece nos bastidores, muitas pessoas perguntam: vocês têm como provar? O site da transparência da própria Câmara está lá para dizer quem recebeu emendas extraorçamentárias, no período que houve a votação. Eu não votei em Arthur Lira. Eu sei que essa não foi a única votação onde as nossas suspeitas pairam. Muitas outras votações, a gente tem tido informações de quem está votando com o governo para atrapalhar a vida do povo. Porque quando uma votação é fácil, vem para beneficiar a população, o deputado não precisa vender seu voto, porque a própria população cobra aquele voto dele. Mas quando é uma votação onde vem prejudicar a sociedade, como tentaram colocar a PEC 05, tirando a independência do Ministério Público, a PEC dos precatórios, onde o governo quer dar o calote, tudo isso precisa ter uma força além de opinião. E é onde se traz a barganha, onde se tem as emendas em troca do voto. Como eu tenho tido uma posição muito firme, de votar apenas o que é benéfico para a população, eu não preciso receber nada para isso, a própria receptividade da sociedade já é o meu ganho natural.

Agora, que existem muitas questões obscuras dentro do congresso nacional, onde muitos deputados estão recebendo emendas extraorçamentárias, justamente nas épocas dessa votação. A gente precisa sim, aprofundar essa questão. Inclusive muitos jornais, como a Folha de São Paulo, o Estadão, a Crusoé, trouxeram esses dados. Agora é aquela questão: tem que provar. Então fica aí a reflexão para a sociedade. É importante saber que em nenhum outro governo houve tanta distribuição de emenda extraorçamentária como agora, inclusive a aprovação da PEC 23, mais da metade desse valor é justamente para fazer pagamentos de emendas extras para os deputados. Eu acho que com isso aí já dá para montar a nossa opinião para que a sociedade entenda para onde estão indo os valores empregados dos seus impostos.

 

Acorda Cidade – O ouvinte Hélio Machado perguntou: ‘A deputada militou pela causa do presidente Bolsonaro. Não acha que pulou do barco muito cedo com Sergio Moro?’

Dayane Pimentel - Talvez eu seja uma visionária. Eu prefiro acreditar na questão de conhecer os bastidores. Em 2019, ficou muito claro para mim quem era realmente Bolsonaro. Virou refém do Centrão para salvaguardar os seus filhos e a si mesmo, precisou se vender ao Centrão aqui no Brasil. Foi quando eu decidi que não caminharia com esse projeto. Digo que hoje fazendo essa militância para Sergio Moro, se eu chegar lá no governo, se ele for eleito e se ele desvirtuar das promessas de campanha, você também vai me ver aqui fazendo oposição.

 

Acorda Cidade – Ouvinte pergunta: ‘Dayane sabe que 90% do seu eleitorado foi por conta de Bolsonaro. Como ela pensa em conseguir votos agora sem o apoio de Bolsonaro?’

Dayane Pimentel - Se fosse 100% não haveria problema algum, até porque se eu estivesse preocupada apenas com reeleição, eu estaria lá apenas gritando “mito, mito”, que os eleitores mais leigos iriam trazer para mim essa votação em expressividade. Mas eu, quando me propus a entrar no debate político, foi para realmente fazer a diferença. Que tipo de pessoa seria eu se estivesse na onda, como eles dizem, a oportunista. Nada mais oportuno do que continuar com o poder, o maior poder da república. Eu tinha tudo lá com os bolsonaros, eu era uma aliada de primeira hora, para mim chegavam as primeiras entregas e eu sempre muito na minha, resguardada, e dizendo não. Porque eu não queria trocar a minha independência por cargos, órgãos e nomeações. É por isso que hoje eles não têm nada, absolutamente nada para falar de mim, a não ser me taxar como traidora, porque é o que resta para eles. Eu sou uma deputada independente, não devo absolutamente nada a ninguém. Fui eleita, óbvio, dentro de um apoio, de uma proposta política que nós tínhamos em 2018. Mas sei a mulher que sou, aguerrida, sou corajosa, tenho os meus defeitos, mas na política tento sempre travá-los para que sobressaiam as minhas qualidades, de trazer a sociedade à reflexão, de trabalhar do meu município, de outros municípios baianos. Aqui em Feira de Santana, por exemplo, eu desconheço um deputado que tenha investido mais na cidade nessa legislatura do que eu. São quase 15 milhões de reais investidos na saúde, na infraestrutura, na educação, isso é trabalho. Então se eu tive 90, 100% dos votos de Bolsonaro em 2018, agora o que seja, seja 50 mil votos, 100 mil ou 200 mil, virão através do meu trabalho, e da força que essas pessoas entendem que a professora Dayane Pimentel tem como política.

 

Acorda Cidade - Voltando ao juiz, como é que está a aceitação depois do lançamento da campanha aqui na Bahia?

Dayane Pimentel - Tínhamos uma pesquisa na mão, em agosto, na qual Moro estava pontuando 3,8%. Depois da sua filiação, nós alcançamos 6%, e isso antes de ele se declarar candidato. O que aconteceu agora, nessa semana. Nacionalmente, ele já chegou aos dois dígitos, hoje ele está com 11%. E eu entendo que Sergio Moro é uma grife, quem é que pode apoiar Sergio Moro? Pessoas que têm a ficha limpa, pessoas ilibadas, pessoas que querem o Brasil melhor, você não vai ver bandido apoiando Moro. É aquela história. Bandido não gosta de polícia. Nessa história a polícia é Moro. Que tenta trazer uma organização social, que tenta mostrar que bandido não é só aquele que vai no supermercado e pega a lata de leite ninho, não, muitas vezes esses aí estão apenas com fome. Bandido é aquele de colarinho branco, que está lá em cima recebendo dinheiro de emenda extraorçamentária para fazer Deus sabe o que. E Sergio Moro mostrou que o Brasil pode prender esse tipo de bandido, esse tipo de bandido que, inclusive é a cauda maior de outros tipos de bandidagem, que muitas vezes é salvaguardada no Brasil, ascende no Brasil por falta de oportunidade. Moro é a prova que o Brasil tem ética, que o Brasil pode ter justiça. Aí o pessoal vai decidir, a gente quer andar com esta pessoa ou a gente vai dar com o homem que a gente acreditou e que, no meio do caminho descobrimos, que é envolvido com milícias, que os filhos fazem lavagem de dinheiro e não sou eu que estou dizendo, é o MP, é a Polícia Federal. Corrupção ativa, corrupção passiva, cheques entrando na conta da primeira dama sem a origem comprovada, mais de 20 imóveis comprados com dinheiro vivo que a gente não sabe de onde é que vem esse dinheiro, envolvido com as milícias do Rio de janeiro. 

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