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Publicado em 31/05/2021 16h14.

No Acre, amigos e familiares soltam balões brancos em homenagem ao médico Andrade Santana

Médico era natural de Brasileia e morava na Bahia desde 2016.
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No Acre, amigos e familiares soltam balões brancos em homenagem ao médico Andrade Santana
Foto: Arquivo Pessoal

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Amigos e familiares do médico acreano Andrade Lopes Santana, de 32 anos, que estava desaparecido desde o dia 24 de maio e foi achado amarrado a uma âncora em um rio na Bahia, fizeram uma homenagem para ele na tarde de domingo (30), em Brasileia, no interior do Acre.

Vestidos de branco, os cerca de 100 participantes soltaram balões também brancos e se emocionaram ao relembrar da trajetória do jovem que nasceu na cidade do interior do estado acreano e foi morar na Bahia para exercer o sonho da medicina desde 2016. O momento contou ainda com várias falas dos amigos e parentes e orações.

Uma das amigas que participou do evento, Karolyne Soares contou que era esperado que o corpo do rapaz fosse enterrado na cidade, mas, como não foi possível, eles resolveram, de qualquer forma, fazer uma homenagem. Ela disse que Santana era muito querido por todos e que deixa saudade.

“A gente não poderia deixar de fazer alguma coisa para homenageá-lo. Ele era muito nosso amigo e muito querido. Esperávamos que ele nos visitasse por esses tempos, porque já fazia um tempo que ele não vinha porque estava com esse projeto social lá em Araci [BA] e ele foi adiando a vinda dele. Ele tinha até falado para uma amiga nossa que precisava ver a mãe dele e nos ver. Nós reunimos amigos da época da escola e da faculdade e outros que ele conhecia aqui, familiares e até pessoas que nem o conheciam, mas que se comoveram com a história e resolveram participar”, disse a amiga.

'Era o que ele faria'

A mãe do médico, Dormitília Lopes falou que a homenagem é um consolo para o coração, que está despedaçado com a perda do filho. Ela disse que continua na Bahia e aguarda por mais novidades das investigações, inclusive para saber qual a motivação do crime.

“Era o que meu filho faria se tivesse acontecido com um amigo dele, porque ele amava todo mundo, fiquei muito feliz. A primeira coisa que me conforta é Deus na minha vida e a segunda é esse carinho do povo, as orações deles. Sei que Deus está me confortando através de oração. Ninguém imagina a dor que é perder um filho como o Andrade, era um menino bom, um filho que todo mundo queria ter e morrer assim, não sei nem porque que ele matou. Mas, eu vou começar a juntar meus pedaços de novo, porque temos que continuar a viver”, disse a mãe.

A prefeitura de Brasileia emitiu uma nota lamentando a morte do médico. “Doutor Andrade tinha 32 anos, era natural de Brasileia e estava residindo na cidade de Araci (Bahia), onde trabalhava como médico. Que Deus conforte a família, amigos e colegas enlutada, e que as boas lembranças sempre ilustrem nossos pensamentos. Descanse em paz.”

Enterro na Bahia

O médico foi enterrado no final da manhã de sábado (29), no cemitério paroquial de Araci, cidade onde ele morava e a cerca de 221 km de Salvador. Um cortejo foi realizado em despedida ao médico e foi acompanhado por uma multidão.

O carro com o corpo do médico saiu da casa onde ele residia, parou na Câmara de Vereadores e seguiu para o cemitério, onde Andrade foi enterrado.

O desejo da família era cremar o corpo de médico, mas como ele foi vítima de um crime, deve ser enterrado.

O corpo de Andrade Lopes Santana foi encontrado no Rio Jacuípe, em São Gonçalo dos Campos na manhã de sexta-feira (28). Horas depois, o colega dele, identificado como Geraldo Freitas, foi preso. O homem foi o responsável por registrar o desparecimento do amigo na delegacia de Feira de Santana.

Geraldo estudou medicina com Andrade, em uma faculdade na Bolívia. Concluído o curso, os dois se mudaram para o interior da Bahia, para trabalhar.

'Me abraçou e chorou junto comigo'

A mãe do médico acreano conversou com o G1 na manhã de sábado (29) e contou que o principal suspeito do crime a abraçou e chorou quando ela chegou em Araci, na Bahia.

"Ele me abraçou, chorou comigo, dizia que sentia minha dor. Quando chegou algemado na delegacia com um casaco na cabeça eu disse: 'Júnior, tu matou meu filho, por que fez isso?’. Ele tentou balançar a cabeça com o casaco. Algumas pessoas gritavam 'assassino'. Se a polícia não estivesse lá tinham linchado ele", relembrou.

Dormitília e mais seis parentes do médico chegaram a Araci logo que foram informados do desaparecimento de Santana. Na cidade, o suspeito do crime, que é colega do médico e foi identificado como Geraldo Freitas, recebeu Dormitília e lamentou o sumiço do rapaz. Dormitília conta que, depois, perdoou o suspeito e não guarda rancor dele.

"Não consigo ter rancor, ódio e nem desejo de vingança do assassino. Perdoei porque nosso único caminho é perdoar, não existe outro caminho, se você quiser ir para o céu, se não for perdoar", afirmou.
Investigações

De acordo com o delegado Roberto Leal, que é coordenador de polícia na região de Feira de Santana, o suspeito chegou a receber os familiares da vítima, que moram no Acre, quando eles chegaram na Bahia. Ele informou ainda que a polícia investiga se há participação de outras pessoas, além da motivação do crime.

"Até o presente momento é uma incógnita para nós”, disse Roberto Leal.

De acordo com os peritos do Departamento de Polícia Técnica (DPT), foi constatado um disparo de arma de fogo na nuca e uma corda no braço amarrada a uma âncora para o corpo não emergir nas águas do rio Jacuípe.

O delegado informou que a polícia começou a suspeitar de Geraldo Freitas após contradições apresentadas no depoimento. Depois, foi identificado que ele foi quem comprou a âncora encontrada com o corpo da vítima.

Ainda segundo a polícia, o suspeito e a vítima tinham combinado de andar de moto aquática. A versão apontada pelo colega de Andrade na delegacia era a de que o amigo tinha comentado que sairia para comprar a moto, o que foi descartado.

Uma moto aquática foi encontrada no condomínio onde o suspeito foi preso, no início da tarde de sexta-feira, em Feira de Santana.


Desaparecimento

Andrade havia desaparecido na segunda-feira (24), depois de sair de Araci, a 220 km de Salvador, com destino a Feira de Santana. Natural do Acre, o médico se mudou para a Bahia em 2016, para exercer a medicina. Ele trabalhava como psiquiatra em uma unidade de saúde de Araci e em mais outras três cidades baianas.

Ele saiu de casa sozinho, pouco depois de meio-dia de segunda, para comprar uma moto aquática e encontrar com um amigo, no Rio Jacuípe, em Feira de Santana. O amigo disse que ele chegou a enviar uma mensagem que dizia que tinha entrado na cidade. Desde então, não foi mais visto e nem deu notícias.

O veículo dirigido pelo médico foi achado por policiais rodoviários na região de Conceição do Jacuípe, na BR-101, no mesmo dia em que ele desapareceu. O carro estava ao lado de um barranco, trancado e sem marcas de acidente.

As informações foram dadas por amigos, que procuraram a polícia, pois o médico não tinha parentes na Bahia. O caso foi registrado na 2ª Delegacia de Feira de Santana, pelo amigo de Andrade, que foi preso.

Na madrugada de quinta (27), a mãe dele, Domitília Lopes, e mais seis pessoas da família chegaram em Feira de Santana para acompanhar as investigações sobre o desaparecimento do médico.

Fonte: G1

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