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Dom Itamar Vian

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Publicado em 18/05/2021 15h18.

Sentimento de culpa

A culpa tem sido uma presença constante na vida humana. A Psicologia veio iluminar os porões do inconsciente e muitos tabus caíram, mas, o sentimento de culpa não desapareceu. Pelo contrário, está sempre mais presente na vida de pessoas, famílias, grupos e comunidades, mesmo que muitas normas comportamentais tenham mudado.
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PESQUISA recente aponta as causas mais comuns do sentimento de culpa: Pais culpam-se do pouco tempo reservado à família ou pelo fato de não impor limites aos filhos. Esses, por sua vez, ressentem-se de não demonstrar amor aos pais. A infidelidade e o aborto trazem uma inevitável colheita de remorsos. A falta de ética profissional é outra fonte de culpas. Há, também, a culpa pelo que não se fez. Hoje, a omissão é, possivelmente, uma das maiores causas de culpas individuais e coletivas.

A CULPA mais dolorosa é aquela que se situa em algum fato definitivo. É o caso de mortes causadas por acidentes, culpáveis ou não. É o sentimento que deveria ter amado mais a esposa, os filhos ou mesmo os pais e os avós já falecidos. Quase sempre a culpa e o remorso não levam a nada, apenas marcam negativamente o resto da vida. O importante é saber aceitar esse sentimento e procurar viver em paz consigo mesmo, com os outros e com Deus.

A SABEDORIA popular adverte que não adianta chorar o leite derramado. Algumas normas ajudam a conviver e mesmo superar o sentimento de culpa: Aceitar as próprias falhas. Você não é um deus, não é puro espírito. O erro e as falhas fazem parte de nosso dia-a-dia, com maior ou menor intensidade. A pessoa precisa aprender a aceitar-se. Não adianta tentar encontrar culpados: os pais, o cônjuge, o colega, o professor, o patrão... Diante de qualquer fato negativo, precisamos reconhecer nossas limitações e fazer um tratado de paz com o passado.

O TEMPO cicatriza todas as feridas. O tradicional luto é uma lição de sabedoria. A dor, que nos parece insuportável hoje, tende a diminuir com o passar dos dias. Erga a cabeça e pense no dia de amanhã. Mude, também, os objetivos. Se um ideal ruiu completamente, sempre será possível construir outro. Se a vaga para a Medicina parece impossível, pense numa outra possibilidade. Na vida há sempre ganhos e perdas, saber administrá-los é prova de maturidade e sabedoria.

É NECESSARIO apoiar-se sempre na fé. Pedir perdão e desculpar-se, mesmo quando é impossível remediar, ajuda a reencontrar a paz. O Evangelho é um contínuo convite a recomeçar: O cego passa a enxergar, o mudo a falar, o paralítico a andar, a mulher adúltera recupera sua dignidade e até a morte cede diante da vida. Deus é infinito em sua misericórdia. Ele apaga nossas culpas e nossos pecados.


 Dom Itamar Vian
Arcebispo Emérito
[email protected]
 

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