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Publicado em 07/04/2021 15h34.

Diretor do Hospital de Campanha diz que pessoas estão se comportando como se não existisse pandemia

De acordo com o médico, cerca de 5% da população já foi contaminada com o vírus. Caso esse número aumente para 50%, consequentemente o número de internações e óbitos podem expandir de forma muito bruta.
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Diretor do Hospital de Campanha diz que pessoas estão se comportando como se não existisse pandemia
Foto: Paulo José/Acorda Cidade

Gabriel Gonçalves

Pela primeira vez, o Brasil atingiu a marca de 4 mil óbitos registrados em um único dia. Ontem (6) foram contabilizados 4.211 mortes por Covid-19, elevando o número para 337.364 vidas ceifadas pelo vírus.

Em entrevista ao Acorda Cidade na manhã desta quarta-feira (7), o diretor do Hospital de Campanha de Feira de Santana, o médico Francisco Mota, destacou que ninguém poderia imaginar que o que estava acontecendo nos Estados Unidos no mês de janeiro, pudesse acontecer no Brasil, e mesmo assim, as pessoas continuam sem a devida consciência de se prevenir.

"Ninguém acreditava que o Brasil pudesse atingir a mesma marca que os Estados Unidos estava tendo no mês de janeiro e hoje nosso país é o centro da pandemia, mas as pessoas continuam se comportando de uma forma estranha, como se nada tivesse acontecendo. Estamos vendo a Europa com todas as restrições por conta do lockdown e aqui a pandemia para muitos não existe. Hoje mais cedo eu saí para caminhar na Avenida Getúlio Vargas, algo que já não faço há bastante tempo porque estava correndo na esteira, e me assustei com o que vi, 70% das pessoas que estavam caminhando, não usavam máscara ou usavam da maneira incorreta, tapando apenas a boca ou no pescoço, achando que podem não correr nenhum tipo de risco agindo dessa forma", destacou.

Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

De acordo com o médico, cerca de 5% da população já foi contaminada com o vírus. Caso esse número aumente para 50%, consequentemente o número de internações e óbitos podem expandir de forma muito bruta.

"Recentemente eu estava fazendo uma conta e a gente tem mais ou menos 35 mil casos em nossa cidade, isso representa cerca de 5% da população. Imagine se isso progredir para 50%, o número vai aumentar 10 vezes de internações e de óbitos e mesmo assim, a população continua realizando aglomeração. Atualmente temos um número de ocupação em nosso hospital um pouco menor, comparado a dias anteriores, mas sabemos que daqui há uns 10 dias, esse número pode estourar devido às aglomerações que foram feitas nesse período de Semana Santa, porque eu soube que na praia de Guarajuba teve uma grande festa, principalmente com moradores daqui de Feira e vamos continuar com números alarmantes, enquanto a população não se conscientizar. Dessa forma fica muito difícil e existe uma sensação de que estamos enxugando gelo", alertou.

Segundo o diretor do Hospital de Campanha, a ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) está em torno de 94%, enquanto a ocupação de leitos clínicos, atinge 70%.

"Nesse momento, estamos com uma vaga para leito de UTI, dos 18 leitos disponíveis, estamos com um vazio e isso representa 94% da ocupação. Já os leitos clínicos, dos 44 que temos disponíveis em nossa unidade, 28 estão ocupados, representando 70% da ocupação", informou ao Acorda Cidade.

No mês de julho do ano passado, o município de Feira de Santana registrou 118 pacientes internados, sendo considerado o maior pico da pandemia na cidade. De acordo com o médico Francisco Mota, o número total registrado em março foi decorrente das aglomerações que foram feitas no mês de janeiro logo após a virada de ano.

"Desde o feriado do dia 12 de outubro, estamos observando o aumento do número de internamentos. Logo em seguida veio o feriado de finados, onde também aumentou a ocupação desses leitos e na sequência o Natal e réveillon. Janeiro tivemos muitas aglomerações durante todo o mês, principalmente nas praias, as pessoas saíam de Feira, viajam e retornavam. Esse pico maior foi considerado também pelo período de Carnaval em fevereiro, onde tivemos um grande número de ocupações no Hospital de Campanha e aproveito para lembrar que nosso maior pico de internamento, tinha acontecido no mês de julho do ano passado com 118 pacientes, mas agora em março ultrapassamos essa marca com 164", frisou.

Ainda segundo o médico Francisco Mota, as pessoas estão aproveitando a vida como se fossem os últimos dias de vida, desconsiderando todas as medidas estabelecidas pelos órgãos sanitários.

"Existe uma coragem muito grande das pessoas em achar que a vida fosse acabar, como que está próximo do fim do mundo e por esse motivo, estão curtindo os últimos dias de vida, estão aglomerando e caso uma pessoa venha sair com mais oito amigos, todos podem ser assintomáticos, mas um deles ali pode estar contaminado. Não existe nenhum tipo de sintoma, mas naquele momento ele transmite a doença para as outras pessoas e infelizmente o comportamento do brasileiro é muito estranho. Em outros locais durante a virada de ano, vimos apenas os fogos, aqui no Brasil, vimos a polícia interditando festas clandestinas e inclusive, eu tenho um amigo, ele tem uma banda e em conversa com ele, as pessoas estão passando a oferecer o cachê 4, 5 vezes maior do que o habitual para tocar nessas festas clandestinas, então infelizmente o brasileiro está agindo desta forma", relatou.

O Hospital de Campanha está próximo a completar um ano de funcionamento e o diretor Francisco Mota, informou ao Acorda Cidade que não ver a hora da desativação da unidade, pois, para ele, será um motivo de segurança para toda população, entre tantas vidas que foram perdidas por conta do vírus.

"Não é hipocrisia da minha parte, mas a função que hoje estou, ela cansa e exige muita 'cabeça', e eu torço para perder esse emprego como diretor do hospital, espero que essa unidade seja fechada e que a gente tenha mais segurança em nossa cidade. A gente vê muitas pessoas sendo internadas e não resistindo e com isso vem o sofrimento da família. Existe uma grande alegria da equipe, quando o paciente tem alta, mas ainda sim, muitos não retornam para casa. Um dado muito importante é que em torno de 40% dos pacientes que entram na UTI, não saem de lá, independente de ser entubado ou não, e caso ele venha a ser entubado, esse número aumenta mais ainda", ressaltou.

Durante a entrevista, Francisco Mota chamou à atenção para uma notícia boa, pois estudos já comprovaram a eficácia da CoronaVac contra a variante de Manaus.

"Eu trago aqui uma notícia muito boa que acabei de ler, que é a comprovação da CoronaVac e sua eficácia contra a variante P.1, que é a variante de Manaus, uma variante que tem a maior letalidade e infectividade no mundo e essa pesquisa feita no Amazonas mostrou de fato que a CoronaVac protege contra esse tipo de variante. Porém, mesmo com essa boa notícia, pedimos aos nossos ouvintes que mantenham a higienização nas mãos, usem máscaras, mantenham o distanciamento social, porque como já expliquei, não sabemos quem está infectado. Já vimos inúmeros casos de pessoas assintomáticas e que transmitiram a doença, então a única forma de prevenção, enquanto não tiver vacinação em massa, é que possamos sempre usar a máscara, pois é um ato de amor à vida, quando você usa máscara, você está protegendo o outro", concluiu.

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