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Publicado em 23/01/2021 11h40.

Das coisas que aprendi nos discos: Especial O Clube dos 27 - Janis Joplin, 1943/1970

Joplin rompeu completamente com o arquétipo de garotinha exemplar e era conhecida por suas roupas escuras, saias curtas, muita bebedeira e, com frequência, falava o que vinha à sua cabeça, custasse o que custasse.
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Das coisas que aprendi nos discos: Especial O Clube dos 27 - Janis Joplin, 1943/1970
Foto: Arquivo Pessoal

Por Carlos H. Kruschewsky*

LP: I Got Dem Oi’ Kozmic Blues Again Mama!

“Take another little piece of my heart now, baby
(Oh, oh, break it!)
Break another little bit of my heart now, darling, yeah, yeah
(Oh, oh, have a!)”
Piece of my heart – Janis Joplin

A voz feminina mais poderosa do Rock: Janis Lyn Joplin. Não é para qualquer um esse título! Mas nem sempre foi assim. Janis era uma garotinha super tímida, nascida numa cidade bem conservadora dos Estados Unidos (Port Arthur, no Texas). Foi filha única até os 6 anos e os pais tinham muitas expectativas sobre ela. Esperavam que Janis fosse uma garota comportada, tirasse boas notas, se tornasse alguém popular, desse orgulho a eles. Completamente o avesso de alguém que morreria sozinha por overdose de heroína num quarto de hotel. Sua Biografia oficial diz que a garota seguiu à risca a cartilha da família e era uma criança encantadora, até os 12 anos. Filha de pais religiosos, Janis até cantava no coral da igreja e, mesmo em idade infantil, já era notável que a garotinha tinha uma voz arrebatadora.

Quando entrou na puberdade, Janis passou por um período bastante conturbado. Ganhou peso, muitas espinhas e a rebeldia característica do período. Na década de 50, passou a frequentar casas de show, adorava ouvir Rock, Blues, Jass e, frequentemente, era encontrada em reuniões nas casas dos amigos, regadas a muito álcool. Joplin rompeu completamente com o arquétipo de garotinha exemplar e era conhecida por suas roupas escuras, saias curtas, muita bebedeira e, com frequência, falava o que vinha à sua cabeça, custasse o que custasse. Ainda cedo, podemos notar que a onda da Janis Joplin não era permitir que a sociedade Texana da década de 50 oprimisse seus desejos ou exigisse dela um padrão que certamente ela não pertencia.

Por mais de uma vez Janis tentou estudar. Ter uma carreira em qualquer coisa ordinária, mas todas as vezes que tentava era um processo frustrante. Tentou até estudar artes, mas acabou por montar um grupo musical (The Waller Creek Boys) e a empreitada só confirmava qual era o caminho que Janis devia seguir. Mudou-se para Los Angeles e depois São Francisco, mas assim como a carreira acadêmica, o esforço só causava decepção. Quanto mais Janis tentava, mais portas se fechavam, mais ela bebia, mais ela se afundava em anfetaminas. Esse ciclo terrível fazia com que Joplin tivesse performances terríveis em palco e acabava por não entregar o gigantesco potencial aprisionado dentro dela. Em 1965, Janis Lyn Joplin desistiu. Voltou para Port Arthur e esqueceu esse negócio de ser cantora.

É óbvio que se estamos falando da Rainha do Rock e essa interrupção de seus planos não durou muito tempo. Um amigo de Joplin, conhecedor da potência vocal da garota e preocupado com a terrível melancolia em que ela havia entrado, conseguiu uma audição para Janis numa banda chamada Big Brother & The Holding Company. Quando Janis chegou à audição, os integrantes do Big Brother não se impressionaram tanto com ela. Não era comum mulheres cantarem em bandas de rock, sobretudo imaginavam um outro tipo físico, de repente mais alta, mais sexy, em roupas apertadas de vinil. Bem diferente da garota atarracada de 23 anos, cabelos desgrenhados, com marcas de espinhas no rosto e acima do peso. Foi quando Janis abriu sua boca que esta garota se tornou impossível de ignorar. Ela brilhava mais que o sol.

Foi com os Big Brother & The Holding Company que Janis Joplin foi tocar no Monterey Pop Festival (se você está acompanhando esta série, já sabe que este foi o festival onde Jimi Hendrix tacou fogo em sua lendária guitarra Stratocaster vermelha, ajoelhado no palco em frente a milhares de pessoas na plateia). Este não foi o único lugar onde Janis e Hendrix se cruzaram, eles também estavam presentes no maior festival de música que este planetinha azul já viu: Woodstock. Dizem, inclusive, que Hendrix planejava convidá-la para tocar com ele, já que a banda com Brian Jones e John Lennon nunca havia saído do papel. Seja como for, foi com a banda Big Brother & The Holding Company que Janis gravou o LP Cheap Thrills. Quem coleciona LPs sabe o qual icônico esse disco é, quão revolucionário ele foi e como marcou o nome Janis Joplin na história. O disco é impossível de listar músicas favoritas, ele é incrível desde a concepção de capa (com uma pequena história em quadrinhos) até suas faixas (as mais famosas são Summertime e Piece of my heart).

A Big Brother era aclamada pelo público, mas Janis achava os músicos um tanto limitados. Então, em 1968, Janis deixou a banda para montar a Kozmic Blues, banda onde ela pinçou cada músico à dedo na intenção de montar a melhor banda que fosse possível. Com a Kozmic Blues, Janis tocou no festival de Woodstock e embora o público fosse ao delírio quando Janis cantava, a Kozmic Blues não era tão bem aceita como a Big Brother & The Holding Company. Frustrada com as críticas que recebia constantemente, ela abandonou mais uma banda e decidiu dar uma pausa na carreira. veio se refugiar adivinha onde? Em Arembepe! É isso mesmo... na Aldeia Hippie de Arebepe aqui do ladinho, em Camaçai (BA), em fevereiro de 1970. Aqui no Brasil, Janis tocou o terror. Pintou o 7 e todos os outros numerais no carnaval do Rio de Janeiro, foi expulsa do hotel Copacabana Palace, porque decidiu tomar banho nua na piscina, cantou em puteiro, e vivia de topless pelas praias.

Em abril de 1970, de volta ao Estados Unidos, Janis decidiu juntar-se a uma nova banda: O Full Tilt Boogie Band. Decidida a colocar a vida e a carreira no lugar, assumiu o dificílimo trabalho de se manter sóbria, mesmo que vez ou outra tivesse uma recaída. Com a Full Tilt, gravou o LP Pearl e, infelizmente, o disco foi lançado postumamente. Na noite de dois de outubro de 1970, a Rainha do Rock havia brigado com seu noivo, por isso ligou para um traficante (famoso por vender drogas de alta pureza) e comprou Heroína, mas desistiu da ideia de usar a droga. No dia três, foi até o Studio Sunset Sound Recorders, em Los Angeles, e acompanhou a gravação da música Buried Alive in the Blues (no LP Pearl). Testemunhas disseram que ela estava muito feliz com a gravação e deixou marcado para o dia seguinte a gravação da trilha de voz desta música. Na noite do dia três, ela voltou a ligar para seu noivo na intenção de repararem a briga, mas não conseguiu falar com ele. Então Janis decidiu usar a Heroína que havia comprado anteriormente. Após isso, desceu até a recepção do hotel, trocou dinheiro, comprou cigarros numa máquina e no dia quatro de outubro de 1970 não apareceu para gravar no Studio. Apenas 16 dias depois do lendário Jimi Hendrix, Janis foi encontrada morta no seu quarto de Hotel. A causa da morte? Overdose por Heroína. Seu corpo foi encontrado com cigarros e um isqueiro branco no bolso.

Fiquei super na dúvida de que LP mostrar nesta edição. Então, como o Cheap Thrills é impossível para mim de definir qual a melhor faixa, escolhi mostrar o I Got Dem Oi’ Kozmic Blues Again Mama! Penúltimo disco da Joplin (e embora o Cheap Thrills seja mais famoso e todo mundo goste mais, este é meu preferido, afinal, como dizia a minha mãe: eu não sou todo mundo).

Melhores faixas:

• Try (just a little bit harder)
• Maybe
• One good man

*Carlos H. Kruschewsky é psicólogo, psicanalista, presidente do Dragornia Moto Club, BeerSommelier, Homebrewer, sócio da Dragornia Cervejaria e Colecionador de Discos. Instagram: @sr.ck @dragornia

Todos os textos da série “Das coisas que aprendi nos discos” são encontrados na editoria Artigos e Crônicas.

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