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Publicado em 16/01/2021 15h51.

Das coisas que aprendi nos discos: Especial O Clube dos 27 - Jimi Hendrix, 1942/1970

Fora das forças armadas, Hendrix dedicou-se única e exclusivamente à música. Entendia que ela era uma espécie de religião, que demandava devoção e perfeccionismo.
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Das coisas que aprendi nos discos: Especial O Clube dos 27 - Jimi Hendrix, 1942/1970
Foto: Arquivo Pessoal

Por Carlos H. Kruschewsky*

LP: Jimi Plays Monterey

“Hey Joe, where you goin' with that gun of your hand?
Hey Joe, I said, where you goin' with that gun in your hand?”
Hey Joe – Jimi Hendrix

Aqui temos uma questão. Falar do senhor James Marshall Hendrix é falar de um fenômeno que pouco acontece no mundo. Um em um milhão nasce tão genial. Porque, sem dúvida, estamos falando de um gênio da música, afinal Jimi Hendrix foi o maior guitarrista que já existiu. Um sujeito que tocava com os dentes, fazendo piruetas ou com a guitarra nas costas. O que Jimi fazia com sua guitarra era tão incrível que até hoje, pessoas estudam sua técnica, 50 anos depois de uma morte prematura. Mas, se você está aqui lendo esta coluna, você já sabe ao menos duas coisas: 1) Jimi morreu aos 27 anos de idade, sendo assim mais um membro do infame Clube dos 27; 2) as circunstancias de sua morte, embora o laudo médico diga que Handrix tenha morrido afogado no próprio vômito, ainda é um mistério e cheio de teorias conspiratórias. Mas até sua morte, temos um caminho à percorrer.

O Garotinho James Marshall, nasceu em 27 de novembro de 1942, em Seattle, nos Estados Unidos. Teve uma vida bem difícil. Ainda cedo perdeu a mãe, era responsável por cuidar de seu irmão mais novo (Leon Hendrix) e foi criado pela avó, mulher de sangue Cherokee, tribo nativa norte-americana dizimada após a colonização. Foi sua avó a responsável por garantir que os Hendrix tivessem tanto orgulho de sua ancestralidade. Certa vez, enquanto saia para retirar sucata com seu pai, encontrou um Ukulele (instrumento havaiano de 4 cordas). O menino ficou encantado com o som que saia do instrumento, mas foi somente em 1952 que seu pai conseguiu comprar, por 5 dólares, sua primeira guitarra. Daí por diante foi paixão daquelas que matam.

Na juventude, alistou-se para o exército e serviu na 101ª divisão aerotransportada. James Marshall tornou-se paraquedista. Ele mesmo conta que quando saltava ficou aficionado pelo silvo do vento quando estava em queda livre. Foi meio por acaso que Hendrix percebeu que se ficasse posicionado de determinada forma em frente as caixas de som, poderia reproduzir aquele silvo agudo usando a microfonia do som. Anos mais tarde o uso da microfonia na medida certa seria uma marca pessoal na sua música. Num dos saltos de paraquedas, Marshall lesionou o tornozelo e acabou dispensado do exército por isso.

Foto: Pinterest

Fora das forças armadas, Hendrix dedicou-se única e exclusivamente à música. Entendia que ela era uma espécie de religião, que demandava devoção e perfeccionismo. Antes de seguir carreira como o fenômeno que era, trabalhou como guitarrista freelancer, com o nome de Jimmy James (até o fim de 1966), para músicos como Ike & Tina Turner, The Isley Brothers e o grande Little Richard. Este último odiava trabalhar com o jovem prodígio Jimmy James. Costumava dizer que Jimmy usava roupas estravagantes demais e sempre dava um jeitinho de aparecer mais que ele nos shows. Numa noite em que Jimmy tocava como guitarrista de apoio de um músico, a ex-namorada de Brian Jones e, naquela época, atual namorada de Keith Richard, a Top Model Linda Keith (musa da década de 60), assistia à apresentação. Ficou encantada com a técnica de Hendrix, com como o músico usava a guitarra invertida (pois Hendrix era canhoto), e com o som que ele tirava da guitarra com uma caixa rasgada. Um som distorcido tão singular que, a partir daí, a distorção nas guitarras foi inventada.

Foi por intermédio de Linda Keith que Hendrix conheceu Chas Chandler, Baixista do The Animals (famoso pela música House of the rising Sun), que se tornou empresário do artista. Já com a alcunha de Jimi Hendrix, Jime e Chas criaram a banda The Jimi Hendrix Expericence. Daí, foi só correr para o abraço! Jimi Hendrix tornou-se a lenda que é. Lotava teatros e casas de show onde se apresentava e influencia guitarristas do mundo todo até hoje. Num show em que soube que os Beatles estavam na plateia, Hendrix executou a música Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, faixa que dava nome ao disco recém lançado dos Beatles e que nunca foi executada ao vivo pelos próprios compositores.

Jimi acompanhou com certa estranheza a morte do amigo Brian Jones. Era estranho pensar que fazia quase 1 ano que Jones o havia convidado para fazer parte de um projeto musical que envolvia Lennon (ex Beatles) no vocais. Lembrava de estar animado com essa possibilidade. Jimi, que costumava ser muito festeiro, passou a ser apático, mais reservado e isolado. Ele até tinha assumido um namoro com Monika Dannerman, que se apresentava como sua noiva. Monica sofria com dificuldades para dormir e, levando em conta o atual estado de Hendrix, passou a fazer uso frequente das pílulas da Monica. Numa dessas noites Jimi fez ingestão de 9 dessas pílulas, com altas quantidades de vinho. No dia seguinte, Monica saiu para comprar cigarros e na volta percebeu que Jimi não respirava. O Guitarrista passou mal a noite e inspirou o próprio vômito, em Londres, no dia 18 de setembro de 1970.

Jimi morreu e levantou alguns questionamentos. O primeiro deles era a idade: aos 27, como Robert Jonhson e Brian Jones (um ano antes dele); o período do ano: em setembro, sendo que Brian foi em Julho e Robert em agosto; a sequência numérica no fim dos anos (Robert, em 1938; Brian, em 1969; Hendrix, em 1970); a repetição do “J” como uma das iniciais (Jonhson, Jones e Jimi); e a presença notada de um Isqueiro Branco no bolso (assim como o encontrado do bolso de Jones). Parte dessas coincidências voltaria a acontecer apenas um mês depois. Afinal de contas, a próxima morte a acontecer seria em Outubro de 1970, com outra artista de 27 anos com “J” no nome: Janis Joplin, que também tinha um isqueiro branco no bolso. Mas esta é uma história para semana que vem.

Muitos Shows do Hendrix foram históricos. Como o show de Woodstock, onde Hendrix tocou o hino do Estados Unidos, de maneira pouco ortodoxa, como forma de protesto contra as guerras que aconteciam. Mas escolhi este LP, porque é um disco ao vivo de um dos shows mais memoráveis de Hendrix: o Monterey Pop Festival. Foi nele que Jimi, ajoelhado, tocou fogo em sua guitarra vermelha Stratocaster em pleno palco, para uma plateia lotada. Este LP é todo incrível, mas vamos lá para a escolha das 3 melhores faixas.

Melhores faixas:

• Foxey Lady
• Like a Rolling Stone
• Hey joe

*Carlos H. Kruschewsky é psicólogo, psicanalista, presidente do Dragornia Moto Club, BeerSommelier, Homebrewer, sócio da Dragornia Cervejaria e Colecionador de Discos. Instagram: @sr.ck @dragornia

Todos os textos da série “Das coisas que aprendi nos discos” são encontrados na editoria Artigos e Crônicas.

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