Acorda Cidade - Dilton Coutinho

30 de Outubro de 2020
Facebook Twitter WhatsApp
WhatsApp 75 98297 4004
Rádio Acorda Cidade

Coronavírus (COVID-19) - Feira de Santana

Saúde

Todas as notícias
Publicado em 23/09/2020 10h09.

'Impacto do racismo na saúde mental é tão grave quanto outras doenças do corpo', diz psiquiatra

Ele destaca que os indivíduos que sofrem preconceito racial podem desenvolver alguns comportamentos evitativos, sentimentos de menos valia e vivem constantemente vulneráveis a outras formas de violência.
Mudar o tamanho da letra: Aumentar letra Diminuir letra
'Impacto do racismo na saúde mental é tão grave quanto outras doenças do corpo', diz psiquiatra
Foto: Divulgação

Acorda Cidade

A violência psicológica sofrida através do preconceito racial pode gerar adoecimento mental e levar a uma série de transtornos, desde quadros ansiosos depressivos, a depender da intensidade dessa forma de violência, até quadros mais graves. A afirmação é do médico psiquiatria Ivan Araujo. Ele destaca que os indivíduos que sofrem preconceito racial podem desenvolver alguns comportamentos evitativos, sentimentos de menos valia e vivem constantemente vulneráveis a outras formas de violência.

“É interessante que muitas vezes a pessoa não tem o histórico familiar de transtorno mental e, após ter sofrido uma forma de violência muito intensa, pode desenvolver formas de doenças graves. Tanto instituições relacionadas a saúde quanto da justiça, têm verificado que essas formas de violência interferem no processo saúde/doença”, destacou.

De acordo com o especialista, no ano de 2002 a Organização Mundial de Saúde (OMS) fez um relatório sobre violência e saúde, entendendo que o racismo é uma forma de perpetuação de violência étnica. Outro dado apresentado pelo psiquiatra é do ano de 2007, quando o Ministério da Saúde fez um relatório chamado Atenção Integral à Saúde da População Negra, mostrando que o indivíduo que sofre preconceito adoece mais e a taxa de suicídio é maior na população negra do que na população parda ou branca. Outro estudo do ano de 2016 indica que o risco de suicídio é 46% maior em jovens e adolescentes negros do que em brancos.

“Existem determinantes sociais que estão interferindo nesse processo de saúde/doença. Então a gente começa a perceber que se não houver intervenção e uma política pública séria de saúde mental, onde os indivíduos seriam vistos com olhares diferentes, não conseguiremos avançar e reduzir esses indicadores alarmantes, trata-se de uma política de reparação histórica”, analisou.

O psiquiatra Ivan Araujo considera que o impacto do racismo na saúde mental é tão grave quanto outras doenças do corpo. Ele destaca que o racismo é uma forma de violência e como forma de violência, os profissionais da área da saúde tem que aprender a detectar seu impacto negativo na saúde.

“Quando alguém traz um depoimento de racismo não é um depoimento vazio, é um depoimento de sofrimento e muitos indivíduos têm tido sofrimento de uma forma extremamente crônica e, se a gente for perceber, esse sofrimento não é só de uma geração. A gente vem de uma série de gerações de famílias que sofreram preconceito. Qual o impacto dessa violência no decorrer das gerações dessa família?”, questionou.

De acordo com Ivan Araujo, o conhecimento da violência como problema de saúde pública, e não apenas de justiça, pode reduzir os efeitos negativos na saúde mental da pessoa negra, já que, conforme afirmou, a partir do momento em que essa pessoa entende que ela é um ser singular, que tem o direito a saúde de uma forma plena e integral, e esse direito é legitimado pelos profissionais da saúde, esse indivíduo começa a ser tratado e passa a criar estratégia de resiliência, sentindo menos os efeitos dessa violência e, por consequência, adoecendo menos.

Preconceito racial na infância

No período da infância, onde a criança está em formação de personalidade, os pais devem estar atentos e devem acompanhar o processo de socialização e a maneira como ela está acontecendo, segundo alertou o psiquiatra Ivan Araujo. Ele afirma que uma vez que ocorra o racismo durante a infância, é interessante saber quais as situações e sinalizar para a escola ou responsáveis. Além disso, observa que os pais devem conversar para entender o que a criança sentiu e como ela lida com os sentimentos dela naquele momento.

“Isso é importante até para avaliar, pra criança não criar uma falsa cognição de que ela é incapaz, é inferior. É importante também porque essa violência faz aumentar o risco de transtornos mentais e uma série de complicações que, muitas vezes, a depender da intensidade dessa violência, desse preconceito, a criança pode desenvolver quadros extremamente graves de transtornos. Então os pais devem observar a socialização, o ambiente que a criança está e é importante pais e professores observarem para fazer uma intervenção e saber qual o impacto, através da escuta dessa criança, sobre o que aconteceu e quais são os sentimentos e emoções que ela tem em relação a isso”, salientou.
  

Comentários

AVISO: os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Acorda Cidade.
É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Acorda Cidade pode até retirar, sem prévia notificação, comentários ofensivos e com xingamentos e que não respeitem os critérios impostos neste aviso.



Mais Notícias

Não há pedido de pesquisa no Brasil sobre vacina russa, diz Anvisa
covid-19

Não há pedido de pesquisa no Brasil sobre vacina russa, diz Anvisa

Laboratório enviou email com pedido de apresentação de documentos

Dia de luta contra o reumatismo é lembrado hoje no país
Brasil

Dia de luta contra o reumatismo é lembrado hoje no país

Entidade alerta para importância do diagnóstico precoce da doença

Estudantes da área de saúde retornam a estágios no Hospital da Mulher
Pandemia

Estudantes da área de saúde retornam a estágios no Hospital da Mulher

O Estágio Supervisionado Obrigatório está sendo ofertado apenas para os formandos e para aqueles estagiári...

Vídeo

Advogada destaca benefícios assistenciais a mulheres com câncer Veja mais Vídeos ›

Facebook

Instagram