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Publicado em 04/08/2020 13h22.

Sem previsão para retorno das aulas, Secretaria de Educação estuda protocolos e compatibilização de calendários letivos

Serão necessários no mínimo dois anos, e muitas aulas aos sábados e até feriados ou aulas em mais de um turno, para que o calendário retorne ao normal.
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Sem previsão para retorno das aulas, Secretaria de Educação estuda protocolos e compatibilização de calendários letivos
Foto: Geraldo Carvalho

Rachel Pinto

Com as aulas da rede estadual suspensas desde o dia 18 de março por conta da pandemia de covid-19, o secretário estadual de educação, Jerônimo Rodrigues, afirmou que não há certeza sobre a data para retorno das atividades presenciais na Bahia. Em entrevista ao Acorda Cidade, ele afirmou que é grande a preocupação com o surgimento de trabalhadores e estudantes infectados, e a secretaria está analisando a situação em discussão com outros estados e fazendo a compra de máscaras e álcool gel para serem usados no retorno das aulas. A outra preocupação é com a compatibilização do calendário letivo. Serão necessários no mínimo dois anos, e muitas aulas aos sábados e até feriados ou aulas em mais de um turno, para que o calendário retorne ao normal diante de tantos prejuízos. O secretário destacou que não perde as esperanças para a continuidade do ano letivo 2020 e declarou que está rezando e trabalhando muito para que tudo dê certo.

Confira a entrevista abaixo:

Acorda Cidade - O que está sendo definido até o momento em relação a abertura das escolas?

Jerônimo Rodrigues - No mundo real, nenhum estado brasileiro tem a firmeza de início das aulas nesse mês de agosto até setembro, São Paulo há dois meses informou que retornaria no dia 08 de setembro, mas já está recuando, o Maranhão também anunciou que retornaria agora em meado de agosto, já recuou. Por isso que a gente da Bahia não dá para ficar indicando data sem ter a certeza do cuidado com as pessoas, principalmente dos estudantes, professores e servidores. Nós sabemos que em uma pandemia, qualquer movimento é difícil para a sociedade. A escola é a primeira que fecha a porta e a última que abre e fizemos um teste para ter noção, em Itajuípe, Uruçuca, e Ipiaú há um mês, na média, de 6% dos estudantes e trabalhadores infectados, mas teve município dos três que chegou a quase 10%. Se a gente for fazer a matemática de amostragem na rede, a nossa rede tem 800 mil estudantes e se a gente colocar entre 6 a 10% de pessoas infectadas, estamos falando aí de quase 60 mil pessoas infectadas. Então jogando para dentro de uma escola, esses estudantes poderão multiplicar com rapidez, então não iremos ficar arriscando datas.

O que há de concreto é que nós estamos em toda a rede estadual nos preparando, fazendo os protocolos, nesta semana, todas as nossas escolas, no máximo na outra semana já estarão com uma maior quantidade de pias e lavabos instalados para higienização, dispersores de álcool em gel por toda a escola. Vão chegar nessa semana, máscaras para estudantes, professores e servidores. Estamos fazendo a instalação de ventiladores para melhorar a ventilação nas salas, arrumando janelas. Então estamos fazendo o protocolo físico, mas tem o protocolo na vida das pessoas de medo, do emocional, psicológico e por isso não dá para ficar arriscando datas.

Acorda Cidade - Então não tem previsão de data para retorno?

Jerônimo Rodrigues - Não tem. A única previsão que nós temos é a preocupação em dizer assim: ‘Quando nós tivermos, pode ser setembro, pode ser outubro, nós não temos uma data, mas nós só retornaremos por duas condições, quando a gente tiver a confiança de que estudantes e servidores da rede estadual não terão motivos de ter mais medo’. Agora de qualquer forma, a gente tem que se preocupar com os leitos, porque se a gente colocar para dentro da rede estadual 40, 50, 60 mil estudantes e tiver uma segunda onda mais forte de covid-19, nós iremos colocar esse povo aonde? Já estamos com dificuldade em garantir leitos no Brasil inteiro, então não dá para ficar arriscando datas. Então estamos cuidando diariamente. O governador Rui Costa está orientando, o Secretário Fábio Villas Boas acompanhando, até porque a data de volta, seja da economia, ou da cultura, seja de onde for, não será daquela área específica, tem sido sempre da área de saúde como naturalmente a liderança do governador Rui Costa anunciou.

Acorda Cidade - Então o senhor está observando essa movimentação de seus colegas secretários de outros estados?

Jerônimo Rodrigues - Perfeitamente. Nos reunimos praticamente duas, três vezes por semana para a gente monitorar, trocar as experiências do que cada um está fazendo e realmente, às vezes, um mais afoito já sabe que se colocar o carro na frente dos bois pode queimar a palavra de um governador e nós não estamos nessa agonia de querer sair na frente feito carro de Fórmula 1. Agora sim, ficamos com algumas preocupações, uma pressão da rede particular, proprietários de escolas privadas, há uma pressão sobre isso, há uma pressão dos estudantes do 3º ano, há uma cobrança, indagando quando iremos iniciar, porque nós temos na Bahia 140 mil estudantes que concluíram o 3º ano nesse ano de 2020 e esses estudantes têm a utopia da universidade, de um concurso, de um vestibular e desses 140, 70 mil estão inscritos no Enem. Um Governo Federal que às vezes parece insano, irresponsável, mantém uma data de Enem para o dia 17 e 24 de janeiro, então vamos pensar assim: ‘Se a gente volta em setembro, os estudantes terão quatro meses para se preparar e realizar uma prova. Se voltar em outubro, três meses, então não se faz educação dessa forma’.

Nós como Secretários de Educação fomos ao MEC segurar a data, não ficar anunciando e quando retornar a gente tem uma noção de quando é que a gente prepara, então se os estudantes que vão realizar o Enem já têm uma data do dia 17 e 24 de janeiro, é claro que eles ficam preocupados. Vão perder oportunidades comparando com outra rede, então aperta, a gente dialoga, mas o Governo Federal não tem ajudado a gente, pelo contrário, tem atrapalhado no momento que a gente precisava de um diálogo com o MEC. De estarmos juntos e a gente não vai ter um calendário específico da rede estadual só das redes estaduais, a gente quer combinar com os prefeitos, como é que a gente vai fazer isso, onde as prefeituras também precisam pegar em nossas mãos, para a gente fazer uma agenda de educação do estado da Bahia. Não é o município querer sair na frente, o estado sair na frente, queremos dar um compasso de unidade no retorno com segurança na volta das aulas.

Acorda Cidade - O senhor falou aí dos protocolos, distribuição de máscaras, álcool em gel, ventiladores, serão em todas as escolas?

Jerônimo Rodrigues -Todas as nossa escolas, nós estamos junto com os diretores, com a engenharia. Estão sendo orientados através do Núcleo Territorial de Educação (NTE). A gente está fazendo agenda da compra de álcool em gel, às vezes a escola não tem uma quantidade de pias, lavabos, em um dia normal, é suficiente, mas para um momento desse, nós estamos instalando pontos de pias para que os estudantes possam ter ali um ambiente de higienização das mãos, compra de termômetro para que todas as escolas tenham na entrada a aferição da temperatura. Mas, é claro, estamos fazendo os testes hoje. A gente começa em Jequié, 10.700 estudantes, na próxima semana, iremos fazer um teste em Ilhéus e Itabuna. A ideia dos testes não é para voltar na semana seguinte, é para a gente ir entendendo e estudando como é que está o comportamento junto a esse grupo etário de estudantes que estão aí com 14, 15, 16 anos e o comportamento dos nossos servidores.

Temos muito inclusive que tem mais de 60 anos, professores que possuem comorbidades pressão alta, diabetes, então estamos preocupados com isso. Então se a gente iniciar as aulas nesse ano, que é um desejo nosso, nós não gostaríamos de perder um ano todo, mas também não iremos ficar nessa ânsia de querer não perder o ano botando em risco vidas. Agora vejamos que possamos voltar em setembro, outubro, não tem como a gente misturar as tintas dos anos. Se a gente voltar em setembro, outubro, a gente já vai para janeiro, fevereiro, março, já entrou em 2021 e já entrou em 2022. Então é preciso fazer um calendário quando voltarmos, que compatibilize 2020, 2021 e 2022. Não tem como a gente não pensar que as coisas vão correr, e usando isso em alguns sábados, alguns feriados, usando dois turnos três turnos para ver o que a gente reduz o prejuízo dos nossos estudantes.

Acorda Cidade – No sua opinião que o ano letivo está perdido?

Jerônimo Rodrigues - Nós que somos gestores, líderes, a gente nunca perde a esperança. Uma coisa é que estamos no mundo real. Se a gente tivesse um líder na educação baiana que começasse a pregar que 2020 já foi, a gente desmotiva ainda mais esse quadro e nós estamos trabalhando muito e rezando. claro para que essas coisas passem. Estamos fazendo a nossa parte para garantir uma segurança da saúde pública. Agora eu vou gastar até a última gota de suor para que o ano de 2020 não seja um ano perdido para a educação. É papel da gente, motivar, animar. Mas, é claro que a gente precisa colocar o pés no chão e ver as dificuldades. E olha que nós estamos muito exigentes. Na pandemia do século XX, as pessoas não tinham informações como temos hoje, as pessoas não sabiam do que estava acontecendo e nem na comunidade vizinha e agora já recebemos notícias online do mundo inteiro e nós estamos em uma situação tão confortável de evolução da ciência que a gente já reclama quando ouve que a vacina só vai ser liberada em dezembro, janeiro. Então isso é uma postura legal de que a ciência evoluiu, que a ciência tem respostas mais rápidas. Chegaremos lá e a palavra nossa é: ‘Nós não vamos perder a esperança de que o ano de 2020 seja um ano perdido para a educação’.

Acorda Cidade - Essas medidas de retorno às aulas, competem só nas escolas da rede estadual, ou o senhor tem o poder em decidir também o retorno das particulares?

Jerônimo Rodrigues - O decreto do Governador integra tudo. As redes têm autonomia o que a gente pode combinar, digamos. O governador não vai abrir assim com facilidade, pela postura firme dele. Em outros estados por exemplo, o estado decretou dizendo: ‘a rede privada, se quiser, pode iniciar’. No caso da Bahia, estamos coordenando isso de uma forma muito firme para que a gente tenha uma unidade no respeito a vidas das pessoas, porque na também na rede particular, nós sabemos que temos professores, funcionários, estudantes. A postura do governador é respeitando. Assim como ele faz com os municípios, ele combina o jogo antes se vai tirar o transporte, se não vai. Mas, também estamos conversando com a rede particular e municipal. Essas obrigações nossas de protocolos, acendem para a rede municipal quando iniciar e para a rede particular. Nós temos tranquilamente combinado com eles.

Bacana a gente copiar as coisas que eles estão fazendo, não tem problema nenhum, agora com protocolo do estado sair a frente, estamos dialogando com a UPB, Undime, que são os órgãos que lidam com a educação do estados no municípios e também com a rede particular e com as universidades. Nós queremos muito unificar isso para, se tivermos condições de iniciar, não iniciarmos exemplo: ‘o estado vai começar amanhã’. Não é isso não. Agora, temos uma motivação. Se o governo federal mantiver a data do dia 27, 24 de janeiro para o Enem, vamos ter que fazer um esforço de comprar internet, patrocinar internet para o terceiro e quarto ano, para ficarmos colados com esses jovens que vão fazer Enem. Eles não vão ficar desamparados. Mas é claro, dentro de um padrão de protocolo. O decreto é que atinge a todos, rede pública e privada. É um decreto que está em vigor e que proíbe as aulas presenciais.

Acorda Cidade - Por que o senhor não aproveitou o momento da pandemia para reformar as escolas?
 

Jerônimo Rodrigues – Estamos reformando. Há um tempo o governador anunciou 60 novas escolas até 2022. Estamos com a Conder e nos preparando para uma licitação de mais de 20 escolas novas. Mas, o Ministério Público segurou, entendendo que tinha problema de aglomeração na obra, enfim. Estamos aqui agora batalhando para retirar isso, discutindo com a PGE, conversando com o juiz, com o Ministério Público pra gente ver se consegue. Até porque, se a gente consegue abrir uma licitação de 20, 30 escolas, você imagina o que é a quantidade de empregos gerados depois da pandemia, para não deixar a economia local e municípios pequenos. Você já ouviu o governador dizer que está construindo ou vai refazer nas escolas, laboratórios, cozinha, refeitório, biblioteca, quadra coberta, campo de futebol society. Isso está com 50% da licitação pronta para começarmos a arrumar as escolas. Tivemos a dificuldade de travamento, de uma ordem do Ministério Público.

Estamos e estou indo essa semana agora, cumprindo os regramentos de viajar pouco, mas o governador semana que vem entrega uma escola em um Quilombo, em Lages dos Negros em Campo Formoso. Imagine, 80 km adentro do município. Estou indo em Tucuruçu dar uma ordem de serviço, em Jaguaripe também, em Floresta Azul ver a reforma. Então, o negócio é que nós temos 1019 escolas e 600,700 anexos. Quem acha que não gostaríamos de estar com as escolas em Feira de Santana todas reformadas, arrumadas, bonitas? Temos recursos e boa vontade, o que houve foi a dificuldade perante o Ministério Público e nós estamos sanar isso.

Acorda Cidade - O secretário Jerônimo Rodrigues finalizou a entrevista ressaltando que o objetivo é criar uma agenda para melhorar a situação da educação da Bahia e isso não é feito apenas por ele. Jerônimo salientou que é preciso que as prefeituras estejam juntas com o estado, independente de partido. Ele informou ainda que a secretaria está pagando a terceira parcela do vale alimentação estudantil, um valor de 132 milhões de reais, em pleno momento de crise. De acordo com ele, uma pesquisa identificou que dez produtos mais comprados com os R$55, pelo estudantes, estão o feijão, o arroz, a farinha, e o óleo.

“É comida na casa desse povo. Sem reclamação graças à Deus, estamos pagando 700 mil estudantes, nessa etapa bem amadurecidos, o cartão chegou para todos. É uma agenda de segurança alimentar, que de fato, estamos efetivando”, concluiu.

Edição: Andrea Trindade
 

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