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Publicado em 01/07/2020 12h52.

Entregadores de apps de Feira de Santana aderem a greve nacional e reivindicam melhores condições de trabalho

Feira de Santana conta com cerca de 1 mil ciclistas entregadores e cerca de 5 mil motoentregadores.
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Entregadores de apps de Feira de Santana aderem a greve nacional e reivindicam melhores condições de trabalho

Rachel Pinto

Os entregadores de aplicativos de Feira de Santana aderiram a greve nacional da categoria realizada nesta quarta-feira (1º) e paralisaram as atividades. O movimento reivindica melhores condições de trabalho e foi chamado por por trabalhadores de empresas como Rappi, Loggi, Ifood, Uber Eats e James.

A paralisação em Feira de Santana aconteceu por volta das 11h, e a concentração foi em frente ao Terminal Central. Os entregadores percorreram a Avenida Getúlio Vargas com o intuito de chamar atenção da sociedade sobre os problemas e dificuldades que eles vêm enfrentando.

Foto: Paulo José/Acorda Cidade

O entregador Jean Oliveira, líder do movimento na cidade, contou ao Acorda Cidade que a pauta de reivindicações destaca principalmente o baixo valor que os entregadores recebem por cada corrida. De acordo com ele, a tarifa corresponde a R$1 por quilômetro rodado e a taxa mínima de entrega é de R$6 que corresponde em média a 5km rodados. Ele frisou ainda que os entregadores não recebem nenhum apoio nem dos empresários (donos de restaurantes) nem dos aplicativos.

“Estamos buscando melhorias nas taxas de entrega. Melhor remuneração nas corridas. Não temos nenhum tipo de assistência médica, nenhum tipo de auxílio. Até o álcool em gel e as máscaras que precisamos usar para nos proteger da pandemia da covid-19, pagamos do nosso próprio bolso”, relatou.

O entregador comentou que o seu faturamento por mês é em média de R$450 a R$600 e que esse valor não é suficiente para suprir suas despesas pessoais, com a moto e com o combustível.

Fotos: Paulo José/Acorda Cidade

A entregadora Maria do Carmo Santos disse ao Acorda Cidade que antes da pandemia trabalhava como garçonete e com o fechamento para o atendimento ao público dos restaurantes, resolveu trabalhar como entregadora de delivery. Resolveu se cadastrar nos aplicativos e desde então esta atividade é a sua única fonte de renda. Ela pontuou que além das baixas taxas que são pagas aos entregadores, a categoria sofre bastante com a falta de segurança e também com os riscos de acidentes de trânsito.

“Quando eu rodo muito eu faço em torno de 20 entregas por dia. O valor que eu ganho como entregadora está muito abaixo o valor do que antes eu ganhava como garçonete. Os valores das taxas são baixos, rodamos bastante, arriscamos as nossas vidas e não somos valorizados. A gente não tem valor no mercado de trabalho e não é só a gente que depende dos aplicativos e dos restaurantes, eles dependem de nós também. Trabalhamos debaixo de chuva, em locais perigosos, em meio a muitas coisas, arriscamos a vida. Eu já fui assaltada duas vezes fazendo entrega, levaram meu celular, já tive acidente de moto e se a pessoa não tiver força de vontade paralisa. A gente trabalha porque precisa trabalhar”, observou.

Maria do Carmo declarou que embora faça parte de um pequeno grupo de mulheres que atua como entregadoras em Feira de Santana não sofre discriminação. Segundo ela, a reação das pessoas é de surpresa ao encontrar uma mulher desempenhando o serviço que é protagonizado em sua maioria por homens.

O presidente do Sindicato dos Condutores Autônomos Cadastrados em Aplicativos da Bahia (Sincaap), Werlley Batista informou que a a paralisação tem força nacional e que os entregadores vem sofrendo com o monopólio das empresas de aplicativo. Ele afirmou que Feira de Santana conta com cerca de 1 mil ciclistas entregadores e cerca de 5 mil motoentregadores.

“Estamos lutando pelo reconhecimento e o aumento do valor das taxas de deslocamento. Chamar a atenção da sociedade e da mídia sobre o assunto. Estamos organizando também uma paralisação a nível municipal durante esta semana que será anunciada. Entre outras dificuldades enfrentamos os riscos de assaltos e dificuldades de acesso às plataformas”, frisou.

Werlley Batista acrescentou que muitos colegas em virtude da falta de segurança já perderam celulares, motos e bicicletas.

Com informações do repórter Paulo José do Acorda Cidade.

Fotos: Paulo José/Acorda Cidade 

Em nota, a Associação Brasileira Online to Offline (ABO2O), que reúne startups de mobilidade urbana e delivery de todo o país, informou que defende o direito à liberdade de expressão e diz estar aberta ao diálogo com os entregadores. Segundo a entidade, as startups de mobilidade urbana atuaram para promover a segurança dos entregadores, distribuindo kits de higienização, viabilizando acesso a consultas e elaborando um guia de entrega segura.

A associação diz ainda que não houve mudança nos valores repassados aos entregadores e que as formas de remuneração são apresentadas de maneira transparente aos trabalhadores. 

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