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Publicado em 19/08/2019 15h40.

No Dia Mundial da Fotografia, confira um ensaio sobre o cotidiano das mulheres quilombolas

O fotógrafo Gilucci Augusto conta como foi a experiência desses registros
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No Dia Mundial da Fotografia, confira um ensaio sobre o cotidiano das mulheres quilombolas
Foto: Divulgação

Agência Educa Mais Brasil

Hoje (19), é comemorado o Dia Mundial da Fotografia. A invenção traz as técnicas de luzes, ângulo, enquadramento, mas, para quem fotografa, a sensibilidade é algo sempre maior: “o resultado de um relacionamento, do modo de escutar as pessoas”. É assim que o fotógrafo Gilucci Augusto enxerga seu trabalho.

E foi essa experiência que ele obteve produzindo sua dissertação de mestrado: “A poética da imagem fotográfica a partir do imaginário das mulheres do Quilombo Kaonge”, para o programa de Pós-Graduação em Desenho, Cultura e Interatividade, na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Na dissertação que defenderá amanhã (20), Gilucci conta uma parte da história, da cultura e do cotidiano do Quilombo Kaonge, localizado em Cachoeira, na Bahia, que exerce uma liderança importante na região da Bacia e Vale do Iguape.

Através dos registros fotográficos, Gilucci retrata a história da matriarca do quilombo, Juvani Viana, que também é Ialorixá do terreiro de Umbanda ‘21 Aldeia de Mar e Terra’, e de toda família, além de indagar sobre como elas se percebem nas fotografias produzidas por ele. “Fui presentear uma marisqueira, esposa de um amigo pescador e, ao ver a imagem não gostou, repudiou. Era uma fotografia com a imagem dela mariscando dentro do mangue, com roupas de marisqueira. Quando cheguei no mestrado, comecei a pensar sobre isso: o que condena essa imagem? Tive essa ideia de fotografar essas mulheres e perguntar como enxergam a fotografia, o que elas gostam e não gostam”.

Na busca das respostas, Gilucci conheceu o Quilombo Kaonge. As fotografias produzidas têm um caráter documental etnográfico. “Tento compreender essas narrativas da mãe, da matriarca, das mulheres, seguindo o poético. E também como elas se vêem na fotografia”, conta. Gilucci completa que, no caso no quilombo, as mulheres se sentem representadas. “Elas compreendem o cotidiano delas: catando caranguejo, cozinhando, amassando folhas para preparar o peixe, os rituais da religião, trabalhando. São imagens de afirmação da identidade delas, de mulher negra, quilombola e do todo o legado ancestral afrobrasileiro”.

Quem são as mulheres do Quilombo Kaonge nas fotos?

São mulheres negras quilombolas que valorizam a sua ancestralidade e constroem lutas, conhecimentos contribuindo para a sociedade brasileira. Uma delas é a administradora, Rosane Viana Jovelino, ativista Quilombola, membro do Conselho Quilombola da Bacia e Vale do Iguape e do Núcleo Produtivo de Ostra.
“Percebi que poderia ser uma oportunidade excelente e positiva de valorizar a nossa cultura, raça e identidade, enquanto mulher negra e quilombola. Inclusive de quebrar esse estereótipo imposto pela nossa sociedade e também o quanto poderia desconstruir essa posição de inferioridade que é conferida à população negra, a mulher negra de um modo geral”.

A fotografia falou mais alto que a gastronomia

E quem diria que Gilucci fosse se encantar pela fotografia. Ele nem sonhava que se sentiria tão atraído pela câmera e lentes, pois era cozinheiro profissional há 13 anos com carreira consolidada em Buenos Aires e São Paulo.

A guinada da cozinha para o mundo das fotos começou com o desejo de escrever um livro sobre a história da gastronomia do recôncavo baiano. “Queria conhecer Cachoeira, Santo Amaro, São Félix, o Iguape, que não conhecia. O que tem em comum no recôncavo é a produção do dendê, farinha de mandioca, mas a produção é diferente, então eu queria entender um pouco sobre essas especificidades”, conta o fotógrafo.

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