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Publicado em 17/07/2019 18h00.

A guerra mundial pelos descartes de lixo eletrônico

Países da África e da Ásia recebem toneladas de e-lixo enviadas pelas nações desenvolvidas, e não sabem o que fazer com ele
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A guerra mundial pelos descartes de lixo eletrônico

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O depósito irregular de lixo é um problema que afeta o mundo todo. Quem sofre mais, no entanto, são os países em desenvolvimento. Alvo dos restos das grandes nações desenvolvidas, precisam lidar com um problema que não é seu e que, além de tudo, é ilegal.

Mais recentemente esses países têm lidado com um acúmulo específico de lixo: o lixo eletrônico, também chamado de e-lixo. Baterias, celulares, e computadores quebrados e inúmeros produtos tóxicos estão invadindo territórios por vias ilegais, causando problemas ambientais e diplomáticos.

Panorama mundial

Esse problema ambiental cresceu muito nas últimas décadas. Pegamos como exemplo o continente africano. Há muitos países da África que possuem tecnologia de captação dos raios solares para gerar energia para casas mais pobres.

O problema é que eventualmente as placas solares caem em desuso. Ao estragarem, somam-se aos milhares de computadores e de aparelhos celulares. Ficam em depósitos, irregularmente descartados nas ruas, causando um impacto ambiental absurdo.

No Japão, por outro lado, a situação é oposta a do continente africano. Um dos maiores produtores de tecnologia avançada do mundo são responsáveis também pela maior taxa de reciclagem desse tipo de produto: cerca de 90%.

Na Europa há uma divisão na balança do cuidado com o lixo eletrônico. Quanto mais ao Norte, da Alemanha para os países nórdicos, maior é a taxa de reciclagem desse tipo de lixo. Ao sul, em países mais pobres do continente europeu, o cenário é parecido com o de países emergentes.

Estados Unidos e China: produtor e receptor

Os Estados Unidos têm uma boa política de descarte de lixo eletrônico. O problema é não haver locais preparados para fazer a reciclagem desse lixo.

A solução encontrada foi enviar todas as milhares de toneladas desse lixo para a China. Os custos são altíssimos, e a relação entre estadunidenses e chineses está a cada mês mais abalada.

Vincent Yu, chinês que trabalha na empresa Fortune Sky USA, uma das denunciadas por enviar toneladas de e-lixo para a China, se defendeu ao jornal estadunidense Boston Globe afirmando que tudo foi um engano. “Achávamos que estavámos exportando computadores de segunda mão, e não monitores e televisores velhos”, disse.

A mesma empresa já foi flagrada exportando computadores e outros componentes velhos para Malásia, Vietnã e outros países asiáticos.

”Há um grande mercado para computadores que as pessoas não usam mais. Não acho que isso vai causar poluição. Se as peças ainda podem ser usadas, é uma iniciativa boa para todos”, continuou Yu.
Os chineses estão bastante cansados de receber o lixo norte-americano. Como consequência, estão recusando os eletrônicos dos Estados Unidos ou aumentando os preços para fazer o serviço. Isso causa está causando uma crise grave em todo o planeta, que a médio e a longo prazo terá efeitos muito negativos no meio ambiente.

Crise ambiental se aproxima

Em relação ao lixo eletrônico, há uma crise de grandes proporções de desenhando. Em 2017, segundo a ONU, por exemplo, a China teria importado 7 milhões de toneladas de e-lixo. Em 2018 o país proibiu a importação desses produtos recicláveis, o que causou um grande furor entre países desenvolvidos.
Mais recentemente, a crise despontou nas Filipinas. O governo estuda criar uma lei que proiba o comércio internacional de lixo eletrônico. De acordo com fontes ligadas ao país, esse tem sido um dos grandes destinos de contâiners ilegais desse tipo de lixo.

O país já devolveu 69 contâiners ao Canadá, que teriam sido importados de forme ilegal nas Filipinas. Japão, Austrália, Estados Unidos, China e até Espanha teriam mandado diversas toneladas ilegais de lixo eletrônico para a nação asiática.

“Esse lixo está sendo reciclado, mas da maneira mais horrível que você pode imaginar”, disse Jim Puckett, da Basel Action Network, organização de Seattle (EUA) que trabalha contra a exportação de e-lixo.

“Estamos preservando o nosso ambiente, mas contaminando todo o resto do mundo”, completou ele ao jornal britânico The Guardian.

Esse tipo de lixo transportado de forma irregular pelos oceanos pode causar uma crise ambiental em pouco tempo. Apesar de dificilmente isto acontecer, uma guerra entre países pode despontar. As Filipinas chegaram a declarar guerra diplomática ao Canadá se os norte-americanos não aceitassem de volta seu lixo.

O problema é caso os navios com esses contâiners ilegais venham a afundar. A quantidade de plástico, vidro e outros elementos que submergeria certamente iria afetar as milhões de vidas subaquáticas.
Não podemos nos esquecer que esses eletrônicos contém metais como chumbo, níquel e mercúrio, além de outras substâncias que poderiam causar mortes de várias espécies marítimas.

O colonianismo tóxico

A crise do lixo eletrônico cria também a necessidade de falarmos sobre o colonialismo tóxico. Essa expressão define bem a relação que se estabelece entre países desenvolvidos, principalmente os que um dia foram colonizadores, e seus colonizados.

A ideia ou a atitude de enviar lixo para um país menos desenvolvido, seja legal ou ilegalmente, é bastante danosa. Do ponto de vista político e democrático, evidendentemente, é uma forma de manter vínculos colonialistas entre duas nações independentes.

“A reutilização de equipamentos usados não passa de uma desculpa. É o novo passaporte para a exportação do lixo eletrônico”, afirmou Puckett, da Basel Action Network.

Isso cria uma crise interna nos países menos desenvolvidos, baseada na formação identitária desse povo. Há aí a manutenção de um perigoso complexo de inferioridade, que não permite que países como as Filipinas, atual alvo do lixo eletrônico das grandes nações, se desenvolva econômica, social e culturalmente.
 

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