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Publicado em 05/03/2019 12h26.

Lama da Samarco contaminou corais do Parque dos Abrolhos na Bahia

A informação consta de estudo feito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
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Lama da Samarco contaminou corais do Parque dos Abrolhos na Bahia
Foto: Divulgação

Acorda Cidade

Agência Brasil - O rompimento da barragem da Samarco, em Mariana, Minas Gerais, causou danos “irreparáveis” aos corais do Parque Nacional dos Abrolhos, na Bahia, o recife de corais mais importante de todo o Atlântico Sul.

A informação consta de estudo feito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Foi comprovado que os corais do Parque Nacional dos Abrolhos sofreram “impactos significativos” decorrentes da contaminação por rejeitos despejados nas ilhas após o rompimento da barragem de Fundão em 2015.

De acordo com o relatório de quase 50 páginas, os pesquisadores apresentam análises detalhadas com a presença de metais nessas estruturas, demonstrando notória incorporação de zinco e cobre, entre outros elementos.

Segundo o estudo, os resíduos do beneficiamento de minério se espalharam rapidamente pelo Rio Doce e, em seguida, começam a atingir a região costeira. A avaliação dos pesquisadores é que a abrangência geográfica do impacto decorrente do rompimento e da lama não pode ser visível ao observador comum.

O entendimento é que o rompimento causou mais dano ao ecossistema do que pelo volume de material volúvel que atinge as camadas mais profundas da coluna d’água, em geometrias mais finas.

O coordenador do estudo, o pesquisador Heitor Evangelista, do Laboratório de Radiologia e Mudanças Globais da Uerj, afirmou à Agência Brasil que o dano causado ao recife de Corais de Abrolhos é irreparável, devido à extensão da área atingida.

“O nosso papel é saber em que medida a área foi impactada. E, a partir daí, deflagrar mecanismos de monitoramento para descobrir qual vai ser a resposta biológica diante desse fato. Não há como remediar, mas nós precisamos aprender com esse processo”, disse.

Para ele, há necessidade imperativa de se aprender com a tragédia e avaliar com mais cautela a extensão dos danos causados. “Porque remediar, na minha opinião, é praticamente impossível dada a escala geográfica desse impacto. O que nós temos e precisamos é apreender alguma lição com esse rompimento. É preciso obervar que a preservação [do recife de corais] vinha sendo ameaçada pela temperatura mais alta da água dos oceanos em decorrência de fatores climáticos. Agora, precisamos monitorar o dano para antever o que pode acontecer”.

Pesquisa

A pesquisa envolveu seis laboratórios da Uerj e também contou com a colaboração da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Pontifícia Unidade Católica (PUC-Rio).

Com o objetivo de acompanhar a dispersão da lama do Rio Doce até o mar, o coordenador do trabalho, Heitor Evangelista, do Laboratório de Radioecologia e Mudanças Globais (LARAMG), chegou a criar uma página no facebook, a Abrolhos Sky Watch.

“Eu e meus alunos acompanhamos diariamente as imagens de satélite e colocamos na internet para o público acompanhar o problema”.

O monitoramento alertou que os rejeitos poderiam chegar ao parque marinho, localizado a cerca de 250 km da foz. “A gente já desenvolvia um trabalho em Abrolhos, com corais. Então, entrei em contato com o ICMBio [Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade], em Brasília, e programei uma coleta de duas colônias no arquipélago”, explicou.

"Constatamos que no crescimento dos corais houve um pico enorme de metais pesados, que coincide exatamente com a cronologia da chegada da pluma de sedimentos da Samarco” à costa, disse.

Variabilidade oceânica

O pesquisador da Uerj lembrou que sua equipe vem trabalhando em Abrolhos desde 2005, e que “os corais são testemunhas da variabilidade oceânica. Eles produzem esqueletos e na medida em que vão crescendo depositam carbonato de cálcio. Nessas camadas podemos identificar a idade e o periodo da estação do ano em esse fato aconteceu."

Segundo o coordenador, o recife de corais do Parque dos Abrolhos é considerado o mais importante de todo o Atlântico Sul. “E não estou falando só da costa brasileira, mas de toda a massa d’água do oceano. É responsabilidade nossa, enquanto brasileiro e pesquisador, zelar por esse patrimônio que é de todos nós”.

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