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Publicado em 27/07/2017 13h22.

Artistas feirenses cantam o 'som da roça e da cidade' com mistura de ritmos

A banda feirense Roça Sound tem uma participação expressiva nas redes sociais e conta com muitos parceiros na produção colaborativa de fotografias, vídeos e também de divulgação.
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Artistas feirenses cantam o 'som da roça e da cidade' com mistura de ritmos
Foto: Walmir Júnior

Rachel Pinto

"A roça se junta pra cantar, eu sou de FSA". Este é o chamado da Banda Roça Sound, de Feira de Santana, que vem se destacando no cenário da cidade e em várias cidades baianas. A união de quatro amigos, Paulo Bala, Nick Amaro, Don Maths e Ed Murphy, resultou no som que segundo eles, não tem um estilo definido e é um som sempre em construção a partir dos elementos e vivências da zona rural e também da cidade.

Foto: Cilas Lessa

O sound system e a música beat são a base dessa mistura que envolve ritmos como o hip hop, reggae, música eletrônica, sons americanos, afrolatinos e também o pagode, forró, arrocha, axé e outros sons regionais. A Roça Sound existe há dez anos está com a formação atual há três anos.

Paulo Bala e Nick Amaro, que estão desde o início e são os fundadores da banda, contam que a proposta da Roça Sound veio da realidade deles que sempre moraram em bairros afastados da cidade e sempre eram alvos de comentários e brincadeiras.

“Eu e Paulo moramos no Feira VII e quando iniciamos tinha essa coisa que as pessoas falavam que a gente morava na roça. Nosso bairro é afastado do centro da cidade e sempre ouvíamos esses comentários “Lá vem a roça”, “Chegou a roça”. Também quando a gente ia para outras cidades sempre tinha essa referência da roça pelo fato de morarmos em uma cidade do interior. Disso então, resolvemos fazer e cantar o som da roça”, afirmou.

Foto: Daniel Sal

A análise de Paulo Bala sobre essa conexão da roça com a cidade também vem do propósito da Roça Sound de valorizar as origens e os elementos de Feira de Santana. Para ele, há um tempo atrás muitas pessoas tinham vergonha de dizer que eram de Feira de Santana e também negavam essa identidade sertaneja.

“Buscamos fazer esse chamado. Um chamado para valorização da cidade. Nem sempre o que é de fora é o melhor. Hoje eu até vejo menos isso. Mas, a ideia é convocar as pessoas para que não tenham vergonha de dizer que são de Feira de Santana. A gente percebia muito que o feirense tinha vergonha de ser feirense e inclusive havia um tratamento diferenciado por pessoas de outros lugares”, acrescentou.

Don Maths, que também é DJ e pesquisador musical, reflete que o som da banda é feito de forma muito espontânea e as vivências musicais são captadas a partir do contexto da cidade.

“Moramos em uma cidade que é um entroncamento rodoviário, que recebe várias culturas e pessoas de vários lugares. A gente acaba captando isso através de nossas pesquisas musicais e sempre nos baseamos em músicas feitas de maneira popular e de maneira artesanal”, declarou.

Mete Dança

Além das misturas musicais, a Roça Sound chama a atenção em suas apresentações com a participação do dançarino Ed Murphy. O nome artístico veio através das semelhanças com o ator americano e também o jeito despojado de ser.

Com uma flexibilidade incrível, Ed contagia o público e como ele mesmo diz, ‘mete dança’ junto a turma da Roça Sound. Ele que perdeu a mãe ainda na infância, morou nas ruas e teve muitas dificuldades na vida encontrou na banda uma família e um incentivo para buscar mais alegria, fé e perseverança.

“Eu já tenho três anos com a Roça Sound e a banda é minha família. Um dia eu estava dançando em uma festinha, aí eles estavam e me viram dançar. Gostaram e falaram: vem dançar com a gente! Eu fui e gostei e estou até hoje”, disse.

A forma diferente de dançar, Ed conta que aprendeu nas ruas e foi criando e inventando suas coreografias. Ele trabalha como flanelinha e nas horas vagas atua na banda com todo o seu gingado e alegria.

O bando da roça

Sucesso no cenário da música independente a banda Roça Sound tem feito grandes apresentações em espaços alternativos e na festa do Bando Anunciador que acontece em Feira de Santana. Este ano a banda fez a terceira apresentação consecutiva com o ‘Bando da Roça’ e tremeu as estruturas históricas do espaço da Filarmônica da Vitória, localizada na Rua Conselheiro Franco, no centro da cidade.

Foto: Ed Machado

“Na sacada da Vitória pudemos ter esse ano uma melhor dimensão visual da festa. Interagimos com todos os bandos nessa festa tradicional da cidade que passou um tempo sem existir. Sempre fizemos parte do bando e como representantes da nossa geração buscamos a manutenção das nossas origens”, relatou Don Maths.

O músico também comenta que sente na cidade a falta de políticas públicas e incentivos para a música independente. Este ano, a banda iria ficar de fora da Micareta de Feira até que um grupo de fãs fez um movimento nas redes sociais pedindo ao poder público que a Roça Sound também fizesse parte da festa. A prefeitura acatou o pedido e assim houve a participação da banda na Micareta.

“Nós como artistas independentes sofremos muito com a falta de políticas públicas voltadas para entretenimento e cultura. Somos carentes, mas a gente não fica esperando. Fazemos nossa parte de produzir música, de tocar tendo incentivo governamental ou não. Mas, é claro que queremos participar das festas da cidade e fazer parte do calendário festivo. Estamos com o nosso coração aberto”, salientou Maths.

 

Explosão nas redes sociais e produção colaborativa

A banda feirense Roça Sound tem uma participação expressiva nas redes sociais e conta com muitos parceiros na produção colaborativa de fotografias, vídeos e também de divulgação.

Segundo Paulo Bala, este é um movimento de pessoas e amigos que se identificam com a banda e há uma parceria mútua nesse processo de produção.

“São pessoas que se envolvem, se identificam com a gente e assim fazem filmagens, fotografias e outros materiais. A gente acaba se juntando e é um a coisa mútua”, explica.

Nick Amaro complementa e diz que esse movimento de conexão com várias linguagens é reflexo de um processo de transição cultural que acontece na cidade e onde há artistas de diversos segmentos produzindo materiais.

“A roça se junta e tenta conectar ao máximo tudo. Está produzindo, filmando, tirando foto, fazendo poesia, acompanhando, indo aos eventos, compartilhando e comunicando de verdade. Gostando dos seus artistas e dos elementos da cidade, dos artistas da terra, do seu inhame, aipim e da sua batata doce”, comenta.

Paulo Bala se sente agradecido pelo retorno do público e para ele isso é um incentivo para dar cada vez mais continuidade ao trabalho.

“A Roça Sound tem um trabalho sério sendo desenvolvido e é sempre bom ser reconhecido por aquilo que se faz e é colocado muita dedicação. Nossa ideia primeiro foi fazer com que as pessoas da nossa cidade conhecessem nosso trabalho. Fizemos o caminho inverso de primeiro divulgar o trabalho no interior e depois na capital”, contou.

 

Chama o motoboy

Com músicas sobre o cotidiano da cidade e as influências do rural, Roça Sound busca fazer música sem estereótipos e buscando respeitar e valorizar cada segmento social. A batida eletrizante, faz todos dançarem com muita paz e segurança e também refletirem sobre diversas problemáticas sociais. Assim como a música "Chama o Motoboy”, a Roça Sound convoca a todos para que tenham curiosidade em conhecer mais sobre o seu som.

“Chama o motoboy e vem com Roça Sound curtir”. Chama o motoboy, chama o vendedor de amendoim, o flanelinha, o porteiro, o professor, o médico, o advogado, o jornalista, chama todo mundo e vem conhecer mais sobre a cidade através do som da roça. É esse o recado da Roça!

Conheça mais sobre a Roça Sound:

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