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Publicado em 14/07/2017 14h49.

Chefe de mídia conta como é ouvir cinco rádios ao mesmo tempo e relembra ‘pérolas’ da política feirense

Sintonizado na frequência de tudo que acontece na cidade, Reny Alves declara seu amor pelo rádio na vida profissional e pessoal.
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Chefe de mídia conta como é ouvir cinco rádios ao mesmo tempo e relembra ‘pérolas’ da política feirense
Foto: Raquel Pinto/ Acorda Cidade

Rachel Pinto

Feira de Santana é uma cidade que não para, está sempre em movimento e em grande fluxo de pessoas, coisas e informações. O rádio é um veículo de comunicação que faz parte dessa rotina e está sempre perto das demandas e problemas da população. O poder público busca fazer frente a esse universo, ouvir e acompanhar tudo que é veiculado e assim dar retorno através de suas ações.

Quem vê tanto material veiculado pelas rádios não imagina que existe uma pessoa que acompanha e ouve com muita sensibilidade e atenção tudo que se passa. Essa pessoa é o radialista Reny Alves, de 53 anos, que ocupa o cargo de chefe de mídia da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da prefeitura de Feira, há oito anos.

Sintonizado na frequência de tudo que acontece na cidade, Reny declara seu amor pelo rádio na vida profissional e pessoal e é ele quem faz o trabalho de rádio escuta da secretaria. Sintonizado em cinco rádios ao mesmo tempo, ele ouve 22 programas por dia; seu expediente é de domingo a domingo e seus ouvidos atentos têm um gosto aguçado pela política e, nos momentos de folga, por Música Popular Brasileira (MPB).

“Escuto rádio de 5h30 até as 19h. Eu acordo todos os dias às 4h30 da manhã e sou o primeiro a chegar e o último a sair da secretaria. Sou radialista e nessa função na prefeitura estou há oito anos. Sou um profissional realizado no que eu faço e eu acho que o que é feito com amor e atenção tem que dar certo”, diz.

O espaço de trabalho de Reny é dividido entre o computador, os cinco rádios e também inúmeros bloquinhos de anotações. Ele escuta os programas e registra nos bloquinhos o que foi veiculado sobre a prefeitura e as secretarias. Nas anotações, constam o dia, o nome do programa, o horário e o assunto do material divulgado. Na sala também trabalham duas estagiárias pela manhã e duas pela tarde. Silêncio é palavra de ordem e um aviso importante está logo atrás de Reny, bem visível para quem entra na sala: ‘Atenção: este local de trabalho exige silêncio. Solicita-se não fazer barulho nesta sala’.

O radialista conta que seu trabalho necessita de muita concentração, e o silêncio é primordial para que possa desempenhá-lo bem. Para ele, o único barulho permitido é somente o do rádio. “Barulho aqui só aquele vindo do rádio. Ouvindo rádio eu não posso ter dúvida. A política principalmente exige muita atenção. Preciso ouvir atento as notícias e os comentários dos radialistas. Porque existe uma diferença entre ouvir e saber do que se trata e o termo ouvi dizer”, acrescenta.

Natural de Senhor do Bonfim, Reny Alves já está em Feira de Santana há mais de 30 anos. Ele relembra que ainda adolescente veio morar na cidade e a afinidade com o rádio começou ainda criança quando gostava de ouvir Jerry Adriany e junto com os amigos separava vários materiais e criava vitrolas de brinquedo.

Relação direta com o prefeito e secretários

O chefe de mídia da Secom conta que o seu trabalho reflete na relação direta junto ao prefeito José Ronaldo e os secretários de governo. Como ele ouve todos os programas de rádio e registra tudo que é falado sobre a prefeitura, é o responsável para fazer o repasse das informações. Com um trabalho de filtragem, encaminha para as estagiárias o material selecionado e assim são elaborados diariamente dois boletins que são enviados ao prefeito e ao secretariado.

Quando uma informação é veiculada e imediatamente acontece o retorno do prefeito e dos secretários, na maioria das vezes, esse feedback é intermediado por Reny. Ele liga, passa a informação e assim a resposta da prefeitura ocorre logo em seguida.

Segundo ele, foi determinado em reunião que quando ele liga, todos têm que atender. “Ficou definido que quando eu ligar, seja lá em que horário for, todos têm que atender. É uma função que eu acabo sabendo de tudo um pouco em todos os segmentos da cidade. Também acompanho a Câmara de Vereadores e os discursos. Tenho que acompanhar e informar ao prefeito e a todos os secretários. Muitas vezes acontece de um radialista dar uma opinião, alguém ouvir e muitas vezes ligam para o prefeito. Aí o prefeito sempre me consulta para saber exatamente o que foi. O rádio em Feira tem um trabalho muito importante e ajuda muito o governo. O prefeito não vai estar em todos os lugares a todo o momento e o rádio tem esse trabalho, que é magnífico. Inclusive quero até agradecer a todos os radialistas que fazem esse trabalho”, pontua.

Além dessa relação mais próxima com os colegas de governo, Reny é um dos servidores que mais conhece todas as demandas, problemas e fatos da cidade. Tantos anos desempenhando o mesmo papel e o dia a dia junto ao rádio lhe renderam muito aprendizado não apenas na vida profissional, mas em todos os assuntos. Seu semblante tranquilo reflete muito conhecimento, atrelado a muita sensatez e nenhuma vaidade.

“O rádio na minha vida representa tudo. Minha profissão, meu trabalho é ouvir rádio. Tudo que eu adquiri foi através do rádio e desde os 15 anos de idade que eu sou radialista. Toda informação e aprendizado que tenho vieram através do rádio. Assim tenho conhecimento de causa e posso debater qualquer assunto através do que eu aprendi com o rádio”, justifica.

Armazenamento de Arquivos

Além dos inúmeros bloquinhos de anotações que registram tudo que foi veiculado sobre o governo, Reny guarda os áudios selecionados em HDs. Tudo é separado por período de gestão, data e assunto. Na prefeitura, ele guarda os materiais em um HD e em sua casa há mais quatro equipamentos, nos quais ele armazena materiais do seu interesse, como polícia e algumas ‘pérolas’ da política feirense. Em sua casa, existem 11 aparelhos de rádio, 1.600 fitas cassetes, inúmeros blocos de anotações, além de muitos jornais e revistas. Apaixonado por notícias e comunicação, ele reservou na residência um quarto para guardar tudo e é nesse cantinho onde volta e meia busca, ouve e revive seus arquivos.

Ele relata que já fez a transcrição de 60% dos materiais armazenados e pensa em, futuramente, entre três ou quatro anos, publicar seus registros e disponibilizá-los para a sociedade de Feira de Santana.
Incentivos de amigos, colegas e admiradores não faltam e esse trabalho de paciência e organização ele também faz com muito prazer nos finais de semana.

“Minha casa tem um quarto que é reservado para isso. Guardo meus materiais de rádio, jornais e revistas semanais. É um hobby que eu tenho agora e eu penso muito em tornar público. Eu tenho muito incentivo, inclusive do meu amigo Carlos Brito, e acredito que futuramente eu vou divulgar para o público esse material. Tenho guardado, por exemplo, o último discurso do ex-prefeito Colbert Martins da Silva, aproximadamente 17 dias antes dele falecer. Tenho um debate das eleições municipais de 1996, que aconteceu no auditório da Cooperfeira. Quando o candidato a prefeito Josué Melo disse que ia fazer uma transformação na zona rural e aí José Falcão perguntou se ele sabia onde era o Ovo da Ema, que é um povoado da zona rural. Josué não soube responder e assim José Falcão deu aquela gargalhada e foi uma graça só”, relembra Reny.

Avaliação do rádio feirense e a influência do rádio na política

Reny destaca que no seu trabalho em rádios de Feira de Santana desempenhou a função de produtor. Para ele, este é um dos trabalhos fundamentais na elaboração de notícias e as rádios da cidade têm boa atuação nesse sentido. No entanto, em sua opinião, a maioria dos programas de rádio de Feira de Santana ainda não trabalha no sentido de dar desdobramento às notícias, e a comunidade fica com o sentimento de falta de sequência nas informações.

“Os programas cometem um erro em não dar sequência às matérias. Divulgam a notícia e depois isso cai no esquecimento. Por exemplo: “O Ministério Público recomendou anulação do processo seletivo para contratação de pessoal para atuar na UPA do Hospital Clériston Andrade”, “Ocorreu um apagão na sexta-feira de Micareta”. Os programas de rádio divulgaram exaustivamente essas notícias. No entanto, até hoje não houve o desdobramento disso. Se houve sanções para a Coelba ou não. E vemos tantas outras notícias que são divulgadas com grande impacto e depois não têm a sequência”, destaca.

Para o chefe de mídia, também falta mais no rádio feirense divulgar sobre a cultura e o entretenimento na cidade e sobre as leis municipais e estaduais.

A influência do rádio na política, segundo Reny, é algo muito forte para a comunidade e reflete muito na opinião pública e também na escolha dos candidatos. “O rádio por ter formadores de opinião tem uma influência muito forte na formação política da população. Entrevistas com políticos e comentários dos radialistas são fundamentais e trazem elementos para a reflexão”, observa.

Vida Pessoal

Uma extensão da vida de Reny Alves, o rádio não fica de fora do seu campo pessoal. Por sorte, a esposa gosta de ouvir rádio, mas está ciente de que em alguns momentos pode ter a atenção dividida.

“Ela gosta de ouvir rádio, mas acha uma coisa de outro mundo a pessoa ouvir cinco rádios ao mesmo tempo e saber tudo que está acontecendo. Se eu estiver ouvindo algo importante e ela for falar algo eu digo: ‘Espera aí só um minutinho que está saindo alguma coisa aqui’”, brinca.

Torcedor do Fluminense de Feira e do Vitória, ele também gosta de acompanhar os jogos. Como ninguém é de ferro, toma uma cervejinha, bate um bom papo com os amigos e gosta de ouvir músicas de Gil, Djavan e Chico Buarque.

Pai de três filhos, Reny afirma que o gosto pela comunicação não foi estendido para a prole. Apesar de o rádio ser quase uma religião na família, eles optaram por seguir carreiras diferentes.

Com muita responsabilidade e compromisso com o trabalho, a vida de Reny também tem algumas limitações com relação aos horários. Ele declara que não se sente prejudicado, mas em alguns momentos não pode sair e chegar de madrugada. Se precisar sair para uma consulta ou outro compromisso no horário de trabalho, sempre deixa gravando os programas para evitar perder os arquivos.

Certa vez que ele achou que tinha perdido um arquivo na Secom, por coincidência, a esposa em casa acabou gravando e assim ficou tudo certo. Nada de perdas de materiais ao longo desse tempo e sim a consolidação de um importante acervo de áudio.

O jeito simples de Reny é aplicado no seu empenho em ouvir e dar atenção e destino às informações, em encaminhar aos setores responsáveis e, consequentemente, dar uma resposta rápida à sociedade. Ele tem escrito sua história em Feira de Santana de forma silenciosa, mas com extrema importância. Sua sensibilidade contribui para que milhares de feirenses tenham resolução nas suas demandas e necessidades.

A sua opinião sobre a transição das emissoras de rádio ou a perda de espaço para a internet, ele é bem objetivo e enfático: “O rádio vai ser sempre o rádio”, concluiu.

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