Laiane Cruz e Paulo José

A prefeitura municipal de Feira de Santana vai realizar em dezembro uma pesquisa em parceria com a Universidade Federal da Bahia (Ufba), para conhecer o perfil epidemiológico da população feirense, em relação à tríplice epidemia dengue, zika e chikungunya. De acordo com a enfermeira Lacita Mendes, a pesquisa quer saber qual a prevalência dessas viroses na população.

“A gente quer saber entre as pessoas quais tiveram essas doenças, porque elas têm sintomas muito semelhantes. A pessoa pode ter tido zika e não saber, porque existem casos assintomáticos da doença. Pode ter tido dengue e pensar que foi zika, ou chikungunya e pensar que foi dengue. Então através dessa pesquisa a gente espera ter uma confirmação epidemiológica e laboratorial dos casos do município”, afirmou.

Parceria

Segundo a pesquisadora, a parceria entre a universidade e a Secretaria de Saúde aconteceu devido à forte atuação da Vigilância Epidemiológica, a facilidade de obter informações em hospitais e por ter havido a circulação simultânea das três viroses.

“Em outros lugares aconteceu primeiro dengue, depois zika, ou primeiro a dengue e depois a chikungunya. Mas, aqui em Feira, nós tivemos uma situação que nunca aconteceu, de na mesma rua, no mesmo domicílio, circular tanto zika quanto dengue e chikungunya, ao mesmo tempo”, explicou Lacita Mendes.

Ela explicou que a primeira etapa do método é a visitação de alguns domicílios. Serão em torno de 12 mil casas visitadas pelos entrevistadores que farão um senso epidemiológico, para conhecer dados sociais e de doenças e sintomas. No total, 40 mil moradores serão entrevistados, informa.

Perfil da zika

A enfermeira Lacita Mendes destaca que Feira de Santana é a primeira cidade contemplada com a pesquisa sobre o perfil da tríplice epidemia. Segundo ela, o foco da pesquisa também é obter mais conhecimentos sobre a zika, que é uma doença nova.

A equipe é composta por dez pesquisadores da Ufba e mais de sessenta parceiros entrevistadores. “Feira é a primeira cidade a receber essa pesquisa. E a gente espera ter bons resultados, que essa pesquisa possa trazer novos conhecimentos sobre a epidemiologia da zika, especialmente, pois é uma doença nova, que a gente pouco sabe. E a gente espera poder acompanhar casos no decorrer da pesquisa, que apresentem sintomas de qualquer uma dessas doenças. Se for gestante, a gente vai acompanhar a gestação e o parto, para poder ter exames e saber mais sobre o vírus que está acometendo tanto a nossa população”.

Lacita Mendes espera que até que até junho de 2017 a pesquisa já tenha bons resultados para apresentar. Os pesquisados vão receber o entrevistador na casa, devidamente identificado com uma camiseta da pesquisa, crachá e um tablet onde serão coletadas as informações. Eles deverão responder às questões e, no próximo mês, algumas dessas pessoas serão sorteadas para coletar o sangue e saber qual o anticorpo que a pessoa tem desses três vírus.

“Contamos com o apoio da população para receber os entrevistadores. No caso de serem sorteados para terem o sangue coletado, a gente vai devolver o resultado e esperamos que a população colabore na produção desses novos conhecimentos sobre zika”, enfatizou.