Agosto Lilás

Tenda Lilás realiza blitz de impacto e chama atenção para violência contra a mulher 

Em Feira de Santana, a rede de proteção à mulher conta atualmente com a Ronda Maria da Penha, o MP e a Deam.

Operação da Polícia Militar contra a violência contra a mulher - Tenda Lilás
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

Nesta sexta-feira (29), o Projeto Tenda Lilás, promovido pela Polícia Militar da Bahia, por meio do Comando de Policiamento da Região Leste (CPR-L), chamou a atenção de quem passava pelas ruas do centro de Feira de Santana. Mulheres vestiram a face perversa da violência contra a mulher para alertar sobre um dado real. Somente em 2024, a cada 24h, em média, 13 mulheres foram vítimas de algum tipo de violência. Os dados são da pesquisa “Elas Vivem: um caminho de luta”. 

Operação da Polícia Militar contra a violência contra a mulher - Tenda Lilás
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

No mês do Agosto Lilás, que combate a violência contra a mulher, doméstica e familiar, a Tenda Lilás propôs conscientizar a sociedade, levando informação sobre as formas de acionamento da rede de enfrentamento que existe na cidade, mas também oferecendo serviços que levantem a autoestima e protagonismo das mulheres no dia a dia. 

Operação da Polícia Militar contra a violência contra a mulher - Tenda Lilás
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

Em Feira de Santana, a rede de proteção à mulher conta atualmente com a Ronda Maria da Penha Portal do Sertão, Ministério Público, Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), Centro de Referência Maria Quitéria e Comissão da Mulher da OAB.

Operação da Polícia Militar contra a violência contra a mulher - Tenda Lilás
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

Ao Acorda Cidade, a capitã Nina Marques destacou que agosto também é o mês em que se celebra a Lei Maria da Penha, que combate e pune os casos de violência contra a mulher. Este ano, a ferramenta completou 19 anos de atuação.

Operação da Polícia Militar contra a violência contra a mulher - Tenda Lilás
Capitã Nina Marques | Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

“A ação é para que as pessoas se aproximem, saibam como denunciar, saibam quais os órgãos procurarem em situação de violência contra a mulher. Aproveitamos para fazer uma blitz de conscientização, causando impacto com nossas policiais militares maquiadas como se estivessem lesionadas, para que as pessoas tenham essa sensibilidade de ver uma mulher lesionada e saber como acionar a polícia militar e a rede de apoio”, disse ao Acorda Cidade. 

A tenda disponibilizou diversos serviços, como massoterapia, corte de cabelo, maquiagem, realização de turbante, tudo de forma gratuita para elevar a autoestima das mulheres. 

Operação da Polícia Militar contra a violência contra a mulher - Tenda Lilás
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

Para a capitã, a repressão é importante para punir os homens que cometem a violência, mas ainda mais importante é conscientizar a sociedade para esses crimes tão frequentes deixarem de acontecer com tanta normalidade. A ação de acolhimento da mulher agredida exige uma atuação por parte de todos os órgãos que compõem a rede para que a mulher se sinta fortalecida.

“Por isso, a Ronda Maria da Penha, além da fiscalização das medidas protetivas e das prisões de agressores, também busca realizar essas ações de conscientização.”

Existem cinco tipos de violência contra a mulher, que são a psicológica, física, patrimonial, sexual e moral. Na maioria dos casos, como o Acorda Cidade já mostrou, a violência psicológica é o primeiro sinal do ciclo da violência. 

Operação da Polícia Militar contra a violência contra a mulher - Tenda Lilás
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

“A gente sabe que a violência psicológica é a mais recorrente e que parece ser invisível ali, por não deixar marcas aparentes, e que as mulheres muitas vezes sofrem e nem sabem que estão passando por uma situação de violência psicológica.” Saiba como identificar aqui. 

Capitã Marques atua na Ronda Maria da Penha. Ela explicou ao Acorda Cidade que o programa de policiamento tem o objetivo de garantir a segurança de mulheres em situação de violência. São mulheres que já denunciaram, solicitaram a medida protetiva de urgência, que afasta a mulher do agressor. 

“O juiz concedeu essa medida e encaminha para a gente para que a gente possa fazer a fiscalização da medida. Então, é necessário dar o primeiro passo, que é denunciar, ligar o 190, procurar a Deam e fazer o boletim de ocorrência para que a Ronda possa ser acionada.”

Operação da Polícia Militar contra a violência contra a mulher - Tenda Lilás
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

A delegada Lorena Almeida também destacou a importância da rede de proteção à mulher que atua em Feira de Santana. De janeiro até o dia 15 de agosto deste ano, a Deam de Feira registrou 2.238 ocorrências em contexto de violência doméstica.  Segundo Lorena, os crimes praticados contra a mulher representam o maior número de procedimentos policiais em todas as polícias civis do Brasil. 

“A população precisa falar sobre esse assunto, as mulheres precisam denunciar, os homens precisam se educar para que a gente não fique normalizando atos de violência.” Lorena disse ao Acorda Cidade que espera que o evento traga a reflexão para a população de Feira. 

Operação da Polícia Militar contra a violência contra a mulher - Tenda Lilás
Lorena Almeida | Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

“O que a gente sempre faz nessas ações é tentar trazer reflexão para as pessoas, para que as pessoas vejam que são crimes graves, para que as pessoas vejam que são vidas que estão sendo colocadas em risco, mulheres que estão sendo mortas a cada dia, vítimas de feminicídio, mulheres que estão sendo desfiguradas, que estão tendo sua autoestima destruída, que estão tendo seu senso de autoimagem completamente abalado por conta da violência. E a violência psicológica também precisa ser falada, porque ela faz parte do ciclo de violência contra a mulher, e é a violência psicológica que mantém a mulher presa no ciclo”, alertou ao Acorda Cidade. 

A advogada Gabriela Rio Juliano faz parte da Comissão em Defesa dos Direitos das Mulheres da OAB Subseção Feira de Santana. Um dos papéis da comissão é orientar as mulheres sobre a Lei Maria da Penha, política pública importante de proteção à mulher. 

Operação da Polícia Militar contra a violência contra a mulher - Tenda Lilás
Gabriela Rio Juliano | Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

“Nós, enquanto advogadas, temos o dever social de trazer informação, porque muitas mulheres não têm essa facilidade no meio digital. Então, estarmos aqui hoje fazendo ações na rua é justamente para trazer voz e conhecimento para essa população. Tem muitas mulheres que passam por violência e não sabem; elas acham que é normal. E, após ser identificado que existe realmente a violência, a delegacia especializada vai tomar as tratativas corretas para tentar salvar essa mulher desse ambiente de violência e punir o indivíduo.”

A advogada também orientou que mulheres em situação de violência também podem buscar a comissão da OAB, que elas serão direcionadas a outros órgãos da rede de proteção. 

“Entramos em contato com esses órgãos (MP, Deam, Secretaria da Mulher), que são realmente as pessoas que vão levá-las para a Delegacia para poder fazer boletim de ocorrência, ou realmente procurar saber se vai ser necessária a medida protetiva ou não, para resguardá-la e identificar esse indivíduo que está cometendo essa violência.”

Operação da Polícia Militar contra a violência contra a mulher - Tenda Lilás
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

Gabriela Rio Juliano também alertou para os sinais da violência que continua enraizada na cultura machista que existe na sociedade. Hoje, a OAB também atua para modificar essa realidade. 

“Os que são silenciosos são os mais dolorosos. Principalmente a violência psicológica. Os casos principais de violência que nós temos hoje em dia no Brasil são casos de violência psicológica. E assim, atende todo tipo de mulher, da mais humilde à que tem mais poder aquisitivo. É quando a mulher para de usar roupa que gosta, para de usar maquiagem, não vai mais trabalhar, não está mais no meio familiar, para de sair com os amigos. Quando ela começa a ter essa autoestima realmente diminuída, o seu poder em essência feminina, menosprezado, aquela mulher perde literalmente a vontade de viver. Então, a gente tem que ter essa atenção maior a essa mulher para entender que ela está sendo vítima de violência psicológica e convencê-la de que existe essa violência.”

Operação da Polícia Militar contra a violência contra a mulher - Tenda Lilás
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade
Operação da Polícia Militar contra a violência contra a mulher - Tenda Lilás
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

Com informações do repórter Ed Santos do Acorda Cidade

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