Feira de Santana
Sessão especial na Câmara é interrompida por manifestantes que exigem CPI do Transporte
Apenas três vereadores participavam da sessão: o presidente da casa, Justiniano França, Neinha e Isaias de Diogo.
Daniela Cardoso
Integrantes do Movimento Vem Pra Rua Fsa realizaram uma manifestação na Câmara Municipal na manhã desta quinta-feira (27), para reivindicar a realização da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Transporte Coletivo, o fim do recesso parlamentar e a redução da tarifa do transporte coletivo. O ato faz parte do calendário de mobilização em prol de melhorias no serviço de transporte público, na saúde e educação.
A manifestação foi realizada durante uma sessão especial sobre anemia falciforme, com a presença de apenas três vereadores: o presidente da casa, Justiniano França, Neinha e Isaias de Diogo. Três pessoas, que participavam da sessão, se sentiram mal e precisaram ser socorridas por equipes do Serviço de Atendimento Móvel (Samu).
A médica Nadjane Miranda, que também assistia à sessão, prestou os primeiros atendimentos. De acordo com ela, as pessoas se incomodaram com o barulho da manifestação e resolveram sair da galeria da Câmara. Na saída, uma mulher teria sido agredida.
“Ela foi empurrada por um dos manifestantes. O esposo dela vai prestar uma queixa na delegacia, pois a agressora já foi identificada. Eu não sei dizer o nome, mas o caso será investigado”, afirmou a médica.
O comandante do Comando de Policiamento Regional Leste, coronel Adelmario Xavier, esteve no local e disse que não viu a agressão. “Se tivesse visto, teria agido. Nosso papel aqui é preservar a ordem. Enquanto eles se manifestaram em paz a gente estava apoiando, mas se ultrapassassem, e fossemos solicitados pelo presidente da Casa, teríamos que agir”, declarou.
Reivindicações
Iracema Santos, uma das participantes da manifestação, afirmou que uma das principais questões do protesto é exigir a abertura de CPI. De acordo com ela, existia um projeto em tramitação, que foi retirado pelos vereadores. “Os representantes do poder devem entender o nosso clamor. A gente veio aqui cobrar um posicionamento sério das pessoas que nós elegemos para nos representar”, afirmou.
Outro ponto é a redução da tarifa de transporte na cidade. Iracema afirmou que a redução é possível e cobrou um posicionamento do prefeito José Ronaldo de Carvalho. “A redução é possível sim, pois foram reduzidos dois impostos referentes ao transporte público. Queremos uma redução imediata”.
O outro ponto da reivindicação é o recesso das sessões legislativas na Câmara Municipal. “Também não concordamos que os vereadores saiam de recesso enquanto Feira de Santana está explodindo de manifestações”, completou Iracema.
Em resposta, o presidente da Câmara, Justiniano França, disse que algumas questões da pauta não podem ser atendidas pela Câmara.
“Na questão da CPI, precisamos ter motivos para abrí-la. É preciso ter indícios que comprovem as irregularidades. Sobre o recesso, eu não conheço um vereador que tire férias, o que ocorre é apenas o recesso nas sessões legislativas”, afirmou.
Segundo Justiniano, no período de recesso, os vereadores darão encaminhamento às questões referentes ao transporte de Feira de Santana. “O recesso não será interrompido, pois o regimento da Casa e a Lei Orgânica não podem ser mudados por um ato individual. Para a mudança eu precisaria de um projeto de lei”, explicou.
O presidente ainda informou que uma reunião será realizada com a comissão de urbanismo da Câmara e com a liderança da manifestação, para que seja estabelecido o andamento da pauta. “A Comissão passa a se reunir a partir da próxima quarta-feira (3) e vai ouvir as questões colocadas pelo movimento, para a melhoria do transporte público”, afirmou Justiniano.
Discussão da doença falciforme
Com a manifestação, a sessão para discutir a doença falciforme não foi finalizada e o presidente Justiniano decidiu remarcar outra sessão com o mesmo tema, em data a ser estabelecida. “Vamos fazer outra sessão para que possamos fazer os devidos esclarecimentos sobre a doença que muitas vezes não é tratada da forma correta, por falta de conhecimento”.
As informações são do repórter Paulo José do Acorda Cidade.
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