
A construção de uma ferrovia ligando Feira de Santana a Salvador pode estar prestes a sair do papel. A informação foi divulgada pelo empresário Osvaldo Ottan, idealizador do projeto que pretende conectar duas das três maiores economias do estado em viagens com duração de apenas 35 minutos.
De acordo com o empresário, o projeto, elaborado pela TIC Bahia Ltda., já cumpriu todas as exigências legais para, de fato, ser colocado em prática e agora aguarda apenas a assinatura do ministro dos Transportes do Brasil, Renan Filho, para dar início aos trabalhos.

“A autorização já foi publicada no Diário Oficial e retornou para o ministério apenas por uma simples formalidade. Só falta a assinatura do ministro afirmando que está de acordo com a política pública [do país]. Nós estamos indo para Brasília dia 27. Se Deus quiser, a gente vai trazer uma boa notícia para Feira de Santana”, disse Ottan durante uma entrevista ao programa Acorda Cidade, na manhã desta terça-feira (13). O bate-papo tinha como foco o lançamento do Nexus Empresarial, empreendimento imobiliário da Construtora Belvedere que será construído na Avenida Nóide Cerqueira, em Feira de Santana.
Sistema revolucionário
O projeto contempla todo o trecho que separa as duas cidades, cerca de 98 km, e deve custar quase R$ 7 bilhões, cifra que deve ser, em grande parte, preenchida com aportes financeiros de investidores nacionais ou internacionais.
O sistema oferece o transporte de passageiros ou cargas em duas modalidades: expresso, com percurso saindo de uma cidade para a outra sem interrupções, com duração estimada de 35 minutos, e a modalidade com paradas nas oito estações que serão distribuídas em pontos estratégicos ao longo do trajeto.
“Mas não é só o trilho e a carga, que vai trazer resultado para o nosso projeto. A lei nos contempla com exploração imobiliária em 2 km no entorno das estações de trem. E nós temos também recursos de exploração na faixa de domínio de energia solar e de condução de cabos de fibra óptica. Então, tem várias coisas que agregam valor a esse projeto”, complementou o empresário.

À frente do tempo
O empresário Osvaldo Ottan tem forte atuação no setor imobiliário e é idealizador e construtor do Edifício Charmant, o prédio mais alto de Feira de Santana. Ele revelou que fundou a Trem Intercidades Bahia (TIC Bahia) para colocar em prática o sonho de uma ferrovia ligando as duas cidades mais importantes do estado.
“Essa é a empresa que foi formada por mim e por Danilo Silva Ferreira, engenheiro que trabalhou comigo oito anos no Charmant. Desencravamos um projeto que ele, há quase 10 anos, vem desenvolvendo e que chegou o momento da execução. Levamos a ideia para Brasília, junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Depois de oito meses, ele foi aprovado”, disse.
Financiamento da obra
Dada a magnitude do projeto e a cifra bilionária para tirá-lo do papel, o empresário foi questionado sobre qual seria o modelo de investimento financeiro que ele pretende usar. Ottan aproveitou a oportunidade para reforçar que, ao contrário do que muitas pessoas estão pensando, a obra não contará com dinheiro público.
“O novo marco ferroviário brasileiro define que a ferrovia é investimento privado, não entra dinheiro público. No nosso caso, é uma autorização, muito diferente da concessão, que usa dinheiro público e dinheiro privado na modalidade PPP. O governo autoriza a iniciativa privada a explorar o setor ferroviário no Brasil”, finalizou o empresário, afirmando que recebeu autorização para atuar no trecho por 99 anos.
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