
Aos 42 anos, Leandro carrega no corpo e na memória as marcas de uma vida atravessada pela pobreza, pela violência urbana e por sonhos que insistem em não caber na realidade que seu largo sorriso no rosto não costuma mostrar. “Mas nunca me vi como vítima”, avisa o produtor cultural, que é um dos candidatos a entrar no reality show pela Casa de Vidro –Região Nordeste do BBB 26.
Leandro é um dos vinte participantes das Casas de Vidro, que estão espalhadas por todas as regiões do Brasil. Os candidatos estão disputando dez vagas para o grupo Pipoca, que será formado por cinco homens e cinco mulheres.
Baiano, de Salvador, o filho mais velho de uma cozinheira e de um cobrador de ônibus — já falecido —, foi criado pela avó ao lado de dois irmãos, em uma família que conheceu cedo a escassez.
Ainda criança, Leandro ajudava no sustento de casa vendendo picolé, amendoim torrado na feira, raspando cana e limpando casas. Aos 8 anos, já demonstrava sensibilidade artística e dizia querer ser músico. Mas o entorno impunha outros aprendizados.

Um dos irmãos se envolveu com o crime, chegou a chefiar o tráfico e acabou morto pela polícia — episódio que aprofundou as fraturas familiares e reforçou, em Leandro, a decisão de não seguir o mesmo caminho. “Sempre escolhi o caminho da arte. Tenho certeza: foi ela quem me salvou”, afirma.
Durante a juventude, enfrentou a fase mais dura da vida: ficou sem casa e acabou indo morar na rua. Passou fome, revirou lixo e experimentou o limite da sobrevivência: “E só não sucumbi a nenhum dos males da rua, porque eu tinha a arte. Era minha luz no fim do túnel”.
Persistente, chegou a andar mais de 20 quilômetros por dia para assistir às aulas do curso de teatro. Dez anos depois, formou-se em Artes Cênicas e Música em uma faculdade pública, tornando-se o primeiro da família a conquistar um diploma — um marco que ele reconhece com orgulho silencioso: “Foi mais que superação: foi renascimento”.
Produtor cultural, Leandro gravou um disco e deu aulas de arte. Ainda assim, define-se como um “artista frustrado”. O sonho de viver exclusivamente da música não se concretizou como imaginava. Hoje, vive sem trabalho fixo e endividado, o que limita até os momentos de lazer:
“Não tenho cartão de crédito. Não posso me dar esse luxo. Odeio ficar devendo. Tudo que consigo comprar eu junto com muito sacrifício, porque nunca sei o dia de amanhã. E as coisas caras que compro são para investir na minha filha”.
A vida pessoal de Leandro também foge aos rótulos fáceis. Heterossexual, vive há 19 anos com a companheira em um relacionamento aberto. “Meu foco no BBB é o dinheiro, não pretendo me envolver com ninguém lá. Até porque, meu relacionamento é aberto, mas tem suas regras”, ponderou.
É pai de uma menina de 11 anos, que faz seu olho brilhar de orgulho. Lilica Rocha herdou de Leandro a veia artística e já se apresentou no Domingão com Huck e no Caldeirão com o Mion. “Ela é muito talentosa. Tudo que faço é pensando nela. É o grande amor da minha vida. Não tive um bom pai e faço por ela tudo aquilo que gostaria que ele tivesse feito por mim”, revelou.
Com poucos amigos e muita dificuldade em confiar nas pessoas, Leandro atribui a cautela às “muitas quedas” acumuladas ao longo do tempo. Valoriza caráter e não tolera mentira, humilhação ou interesse disfarçado. “Não é fácil conviver comigo”, assumiu.
Leandro se diz competitivo e está disposto a fazer o impossível para ganhar o programa: “Tenho grande dificuldade em aceitar a derrota”. Ele entra no confinamento para a Casa de Vidro de Salvador com seus 42 anos recém-completados: “É meu presente de aniversário antecipado”.
O baiano quer fazer história: “Vou ser o maior jogador que esse programa já viu. Quero mudar a vida da minha família, dar um futuro melhor para minha filha e que ela tenha as oportunidades que eu não tive”.
Fonte: gshow
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