Comer fora de casa influencia na inflação de 2009

Alimentação fora de casa está cada vez mais caro e o custo disso já representa o maior impacto para a inflação medida pelo IPCA acumulado de janeiro a novembro.

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Alimentação fora de casa está cada vez mais caro, e o custo disso já representa o maior impacto para a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), no acumulado de janeiro a novembro. Nesse período, a alimentação fora de casa tem variação de 7,60%, o que representa uma contribuição individual de 0,31 p.p. (ponto percentual) dentro do índice.

A pressão desse item do IPCA é bem diferente do comportamento dos alimentos durante este ano. Com alta de 2,93% no acumulado de janeiro a novembro, a inflação dos alimentos está bem abaixo do patamar verificado no ano passado, e vem contribuindo decisivamente para a alta mais amena dos preços em 2009. Ao longo de 2008, os alimentos ficaram 11,11% mais caros.

O reflexo disso é uma inflação acumulada de 3,93% este ano, abaixo dos 5,61% observados de janeiro a novembro do ano passado, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Responsável pelo levantamento dos preços, Eulina dos Santos disse que não há um fator definitivo para medir o custo da alimentação fora de casa. Diante dos preços mais controlados da maioria dos alimentos, ela disse achar que fatores como o aumento da demanda de pessoas comendo na rua estão pesando para a inflação desse item.

A economista acrescentou que não se pode descartar que o aumento da renda do brasileiro pode estar fazendo com que os restaurantes aproveitem a conjunção disso, jogando os preços para cima.

Mensalidades escolares

As principais pressões sobre a inflação, no ano, estão ligadas a itens não alimentícios. É o caso das mensalidades escolares — alta de 5,94% e contribuição de 0,29 p.p. — e dos custos com empregados domésticos, que aumentaram 8,50%, o que significou contribuição de 0,27 p.p. no acumulado de janeiro a novembro.

Por outro lado, na esteira da redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) ao longo dos últimos meses, o preços dos automóveis tiveram as principais quedas no ano. O carro usado ficou 12,26% mais barato de janeiro a novembro, contribuição de -0,18 p.p. Já o custo dos automóveis novos caiu 3,78%, contribuição de -0,10 p.p.

"A redução de preço do carro novo acaba influenciando também o valor dos automóveis usados", explicou Eulina.

A queda das exportações de carne, em função da crise, fez com que o produto ficasse 5,24% mais barato a longo deste ano, contribuição de -0,12 p.p. sobre o índice.

Chuvas

Sobre o resultado do mês, no qual o IPCA acelerou para uma alta de 0,41%, Eulina disse que as chuvas encareceram muitos produtos in natura, como a batata-inglesa (26,06%), a cebola (11,43%) e a cenoura (5,74%). Com isso, os alimentos subiram 0,58% e tiveram contribuição decisiva para o aumento da inflação. Há quatro meses consecutivos, os alimentos registravam deflação.

Entre as 11 regiões metropolitanas avaliadas, Curitiba tem inflação acumulada de 4,54% de janeiro a novembro. Belo Horizonte (4,13%), Fortaleza (4,12%), Belém (4,09%), São Paulo (4,07%) e Brasília (4,01%) tem alta acima da média nacional, de 3,93%.

Informações da Folha Online