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O isolador naval haitiano Fetiere Sterlin, 33, foi assassinado a facadas por dez homens na noite de sábado (17) em Navegantes, Santa Catarina, a 112 km de Florianópolis. A mulher da vítima, a operária Vanessa Nery, 27, testemunhou a agressão.
Segundo ela, o casal estava saindo de uma festa com mais um amigo haitiano quando dois jovens passaram de bicicleta xingando Sterlin com um palavrão francês criolo que já é usado comumente no bairro.
"Eles passaram xingando meu marido, que xingou de volta. Aqui é bem comum eles passarem xingando de 'macici' (algo como "viado"), falando para eles voltarem para casa, mas nunca termina em agressão", afirmou Vanessa, que é brasileira.
Conforme o Uol, uma testemunha afirmou que os homens diziam que "haitiano não tem nada para fazer aqui". Minutos depois, os jovens voltaram com outros homens e armas brancas e partiram para o ataque. "Voltaram com faca, barra de ferro, pá e voltaram para agredir a gente. Não houve uma discussão. Veio um em cima de cada um de nós quatro, e os outros foram todos para cima do meu marido, e começaram a esfaqueá-lo". Ela afirmou que a maioria aparentava ser adolescente.
O diretor da Associação de Haitianos de Navegantes, João Edson Fagundes, disse que agressões têm acontecido na cidade. Ele acredita que se trata de um caso de xenofobia. "Ele foi o primeiro haitiano assassinado aqui na região [do Vale do Itajaí], mas no ano passado, outro rapaz levou cinco tiros e sobreviveu, mas logo saiu do Brasil".
Sterlin estava no Brasil há quatro anos. Ele conheceu Vanessa há 2 anos já em Navegantes, onde seu corpo será sepultado.