O Agente Secreto ganha Globo de Ouro de Filme de Língua Não Inglesa | Foto: Victor Jucá/ Divulgação
O Agente Secreto ganha Globo de Ouro de Filme de Língua Não Inglesa | Foto: Victor Jucá/ Divulgação

O ator baiano Wagner Moura venceu o prêmio de Melhor Ator em Filme de Drama no Globo de Ouro, que aconteceu no domingo (11), nos Estados Unidos. Wagner Moura, que nasceu em Salvador, passou parte da infância em Rodelas, cidade que fica no Sertão da Bahia e foi inundada por conta da construção da Hidrelétrica de Itaparica, nos anos 80, quando o ator tinha 11 anos.

Segundo informações do portal g1, durante a adolescência, Wagner Moura retornou à Salvador, onde iniciou a carreira no teatro, e posteriormente cursou Jornalismo na Faculdade de Comunicação (Facom) da Universidade Federal da Bahia (Ufba). 

Durante um período do curso, por volta de 1997, o ator foi colega da professora e jornalista feirense Marly Caldas. Ao Acorda Cidade, a professora falou sobre a experiência com Wagner Moura e o orgulho em ver não só um colega, mas também um baiano em grande destaque no mundo. 

Marly Caldas | Foto: Ed Santos/ Acorda Cidade
Marly Caldas | Foto: Ed Santos/ Acorda Cidade

Experiências de Marly sendo colega de Wagner Moura

“Nós fomos colegas numa disciplina, eu acredito que numa disciplina de Planejamento e Edição em Comunicação. Ele fez parte dessa turma, e era um menino muito gentil, muito educado e conversador”. 

Marly também contou sobre uma situação divertida que teve com o ator, quando fizeram um trabalho acadêmico juntos. Segundo ela, Wagner não apareceu no dia da apresentação, e por ser mais velha e já formada em outro curso, Marly ficou responsável pela parte do ator. 

“Você não imagina a situação que é na hora. O aluno faltou, e agora? Eu acho que eu xinguei até os antecessores dele todos, porque a gente fica com raiva na hora, mas depois a gente acaba entendendo. Depois, eu também era professora e sabia que sempre tem um imprevisto ou outro com o aluno. E a gente acabou, graças a Deus, todo mundo passou”.  

O episódio rendeu uma piada com um dos sobrenomes do ator, que se chama Wagner Maniçoba de Moura. 

“Isso que me destacou na época, porque quando eu o substituí na apresentação do trabalho, eu dizia ‘é por isso que eu não gosto de Maniçoba’”. 

A professora também falou como Wagner Moura era durante a graduação. Descrito como alguém extrovertido e brincalhão com os colegas, Marly disse que durante as aulas, o ator era muito sério. 

Marly Caldas | Foto: Ed Santos/ Acorda Cidade
Marly Caldas | Foto: Ed Santos/ Acorda Cidade

“Demonstrava um conhecimento muito maior, uma inteligência, um conhecimento maior do que a grande maioria dos colegas”, relembrou a jornalista, contando sobre as vezes em que conversou com Wagner e discutiram sobre política e questões sociais. 

Sentimento de orgulho

Sobre imaginar onde ele chegaria, Marly chamou atenção para as dificuldades que os nordestinos enfrentaram e enfrentam até hoje. 

“Sinceramente, hoje dá para eu imaginar, mas na época não. Por quê? Na época, nordestino não tinha muita chance de chegar ao estrelismo global. Era muito difícil sair do Nordeste, se jogar no Sudeste, se jogar no mundo para ter esse sucesso. Mas ele acreditava nisso e ele foi e conseguiu vencer”.  

Marly destacou o orgulho de ver um baiano chegar tão longe e dar tanto destaque para a Bahia e o Nordeste. 

O Agente Secreto faz história no Globo de Ouro com dois prêmios | Foto: Victor Jucá/ Divulgação
O Agente Secreto faz história no Globo de Ouro com dois prêmios | Foto: Victor Jucá/ Divulgação

“Eu sinto um orgulho muito grande, não somente de Wagner, mas do baiano, do rapaz que saiu daqui, que saiu de baixo, que lutou e conquistou o que ele está conquistando hoje. Não é somente Wagner, é a Bahia, é o Nordeste que está junto com ele. Porque onde ele vai, ele leva essas raízes, ele leva a consciência sociopolítica dele. É isso que orgulha a gente, porque Wagner hoje não é um baiano, ele é o baiano que levou a Bahia, que levou o Nordeste para o mundo inteiro”. 

De acordo com a professora, perseverança, vontade e competência foram o que motivaram Wagner a alcançar seus objetivos. 

“Wagner hoje é o símbolo, é o ídolo da gente. É aquele que conseguiu atingir o patamar que muita gente sonha e que as pessoas acreditam que outros também podem alcançar. Então a gente vê Wagner hoje com esse símbolo que pode ser alcançado, mas para que seja alcançado as pessoas têm que trilhar um caminho de luta, um caminho de desistências e de resistências para conseguir atingir esse alvo. Wagner hoje é meu ídolo”.  

Por fim, a professora Marly Caldas disse que, se tivesse a oportunidade, daria os parabéns a Wagner Moura, “você venceu e você é a Bahia que está com a gente”.  

Quem é a esposa de Wagner Moura

Foi durante a graduação que Wagner Moura conheceu a esposa, Sandra Delgado. O relacionamento começou no Carnaval de Salvador, em 2001. O casal tem três filhos: Bem, Salvador e José. 

Também conforme o portal g1, Sandra Delgado é formada em Jornalismo pela Ufba, bem como é fotógrafa, documentarista e roteirista. Entre os anos de 1999 e 2001, no início da carreira jornalística, Sandra trabalhou como assistente do fotógrafo Mario Cravo Neto.

Sandra Delgado | Foto: Divulgação/ Livia Wippich
Sandra Delgado | Foto: Divulgação/ Livia Wippich

Quando começaram o relacionamento, a mulher se demitiu dos dois empregos que tinha em Salvador para se mudar para o Rio de Janeiro e morar com Wagner Moura.

Já no Rio de Janeiro, a jornalista fez pós-graduação em “Fotografia como Instrumento de Pesquisa nas Ciências Sociais” na Ucam-RJ, também em 2001. Assim como trabalhou como fotógrafa e editora de fotografia do Portal Viva Favela, projeto de jornalismo comunitário da Ong Viva Rio, entre 2002 e 2006.

Também na capital carioca, Sandra desenvolveu uma pesquisa autoral na Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage, entre 2011 e 2015.

De acordo com o g1, em 2016, Sandra Delgado fez parte da Escuela FLORA, um programa de estudos que foca na prática de atelier desenvolvido pela FLORA ars+natura, que é um espaço de arte contemporânea voltado para as relações entre a arte e a natureza, em Bogotá, na Colômbia.

Com informações do repórter Ed Santos do Acorda Cidade

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