Pais protestam contra fechamento do Colégio Estadual Imaculada Conceição | Foto: Paulo José/ Acorda Cidade
Pais protestam contra fechamento do Colégio Estadual Imaculada Conceição | Foto: Paulo José/ Acorda Cidade

Na manhã desta segunda-feira (12), muitos pais e responsáveis por alunos do Colégio Estadual Imaculada Conceição, que fica no bairro Conceição, em Feira de Santana, protestaram contra o fechamento da instituição. Ao Acorda Cidade, os manifestantes disseram que o anúncio foi feito às 22h de sexta-feira (9), e pegou todos de surpresa. 

De acordo com Maria Roqueline, mãe de um aluno da escola que tem 17 anos e está indo para o 3º ano do Ensino Médio, os pais já haviam matriculado seus filhos. 

“O que fizeram é uma falta de respeito com os nossos alunos. Eles disseram que a escola não iria fechar, que a gente ia ter esse apoio. Já fizemos matrícula dos alunos e como é que sexta-feira, 22h40, eles informam que a escola não vai mais funcionar?”

A mãe também disse que recebeu a notícia na sexta-feira à noite, após o filho, que estuda no colégio há três anos, receber uma mensagem de uma professora em um grupo. 

Pais protestam contra fechamento do Colégio Estadual Imaculada Conceição | Foto: Paulo José/ Acorda Cidade
Pais protestam contra fechamento do Colégio Estadual Imaculada Conceição | Foto: Paulo José/ Acorda Cidade

“Então isso é uma falta de respeito com a população, e isso não pode ficar assim. Alguém tem que responder, o Estado precisa dar uma resposta para a gente”. 

Demais questões

Outra questão abordada por Maria Roqueline foi a falta de respostas. Ela e os outros pais presentes na manifestação questionaram o que vai acontecer com os alunos da instituição. 

“Eles não deram uma resposta, a gente não sabe o que vai fazer, para onde vai mandar, como vai mandar, e outra, se disser que vai mandar para uma escola na rua, e os alunos que não tem como se locomover para a rua faz o que? Vai deixar à toa, os meninos vão parar de estudar?”

Além disso, a mulher falou sobre o processo de municipalização, que, segundo ela, havia sido anunciado há três anos. No entanto, apenas a Escola João Durval Carneiro foi municipalizada.

“Nós lutamos e a Imaculada permaneceu. E eles disseram que não ia mexer mais com a Imaculada. Quando foi agora, de surpresa, resolveram fechar. Não é nem municipalizar, resolveram que vai fechar a escola, vai tirar a única escola que nós temos no bairro do estado, vão fechar. E isso não existe”.

Maria Roqueline também afirmou que o filho gosta muito da escola e dos professores, e que ele está sem saber o que fazer.

“Os professores dão um bom ensino, dão um bom retorno, anda junto com a gente, com a população, e é isso que a gente quer e a gente precisa”.

Outras opiniões

Assim como Maria Roqueline, outras mães e pais contaram ao Acorda Cidade que não sabem por que a escola está sendo fechada. De acordo com os manifestantes, eles teriam sido avisados de um fechamento.

Mas, a diretora Luciana Melo disse que isso não iria mais acontecer. Em seguida, as férias de dezembro começaram, e posteriormente, o anúncio do fechamento aconteceu.

Uma das preocupações dos pais é o fato de que a escola é a única do bairro que têm ensino médio, e que atende os bairros Conceição I e II, Santo Antônio dos Prazeres, Parque Brasil e Alto do Rosário, bem como onde colocar os filhos para estudar, principalmente por conta do transporte e o gasto necessário no deslocamento. 

Outros manifestantes afirmaram que a população da região tem entre 30 e 40 mil pessoas, e que o desejo é que mais escolas sejam construídas, e não fechadas. Além disso, chamaram atenção para os alunos que têm alguma necessidade especial. 

Um outro problema abordado pelos pais é de escolas em outros bairros que não aceitam alunos de bairros diferentes por conta de facções criminosas.

Apoio da APLB

O Sindicato da APLB-Feira também esteve presente na manifestação, em apoio aos pais e estudantes da unidade educacional. Uma nota foi emitida, em repúdio à ação de fechamento da escola estadual.

APLB na manifestação no bairro Conceição
Foto: APLB

Na manhã desta segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, a APLB Sindicato esteve presente e manifestou apoio à mobilização da comunidade do bairro Conceição contra o fechamento da Escola Estadual Imaculada Conceição, única escola da rede estadual que oferta o Ensino Médio na localidade.

A decisão de encerrar as atividades da unidade escolar provocou indignação entre estudantes, pais, mães, educadores e moradores, sobretudo porque não há outra escola estadual próxima capaz de absorver a demanda. A situação afeta diretamente dezenas de jovens que, neste ano letivo, concluiriam o Ensino Médio, colocando em risco seus projetos de vida e a continuidade dos estudos.

Durante o manifesto, a APLB Sindicato reforçou que o fechamento da escola representa um grave ataque ao direito constitucional à educação pública, ampliando desigualdades sociais e podendo provocar evasão escolar, especialmente entre estudantes da periferia. A entidade destacou ainda o papel estratégico da escola para o desenvolvimento educacional, social e cultural do bairro Conceição.

A comunidade, junto com a APLB, conclama o governador do Estado da Bahia a rever imediatamente a decisão, garantindo a permanência da Escola Estadual Imaculada Conceição em funcionamento. Para os manifestantes, não é admissível que a única escola estadual do bairro seja fechada sem diálogo com a comunidade escolar e sem a apresentação de alternativas viáveis.

A APLB Sindicato reafirma seu compromisso histórico na defesa da educação pública, gratuita, laica e de qualidade, e seguirá ao lado da comunidade do bairro Conceição na luta para assegurar o direito à educação e o futuro dos estudantes.

A escola fica! Educação é direito, não favor.

O Acorda Cidade irá solicitar um retorno do Núcleo Territorial de Educação (NTE).

Veja o vídeo:

Com informações do repórter Paulo José do Acorda Cidade

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