Conceição do Coité
Foto: Feijão Almeida/GOVBA

A cidade de Conceição do Coité, conhecida como a capital do sisal, encerrou 2025 com apenas quatro Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI). Esse é o menor índice em mais de 30 anos. 

Esse número demonstra como a queda nesses índices acontece desde 2016, quando a cidade registrou 36 homicídios. 

Apesar de 2025 inicialmente ter parecido um ano violento — três dos quatro homicídios aconteceram entre os dias 29 de janeiro e 11 de fevereiro, portanto, em um intervalo de apenas 13 dias — após o último crime, foram cerca de 150 dias sem nenhum registro. 

O quarto e último homicídio da cidade aconteceu em agosto, totalizando 5 meses sem contabilização de crimes dessa natureza. 

De acordo com o portal Calila Notícias, parceiro do Acorda Cidade, esse fato coloca Conceição do Coité entre os menores patamares de violência letal dos últimos 31 anos.

No ano de 2024, foram registrados sete homicídios, o que representou um terço do índice de 2023, que foram 21 mortes violentas. 

O acompanhamento dos dados começou em 2014. Dessa forma, foi possível notar a tendência de diminuição nos últimos anos. Com a inclusão dos números de 2025, são 249 CVLIs no período de 12 anos, de 2014 a 2025. A média anual é de 20,75 homicídios e uma média geral de 1,73 mortes. No ano de 2025, a média mensal de homicídios foi de 0,33.

Atividades da Polícia Militar

Conforme o capitão Charles Vieira, comandante da 4ª Companhia do 16º Batalhão, a redução expressiva de homicídios é resultado de ações policiais planejadas e contínuas, com foco em pontos críticos que contribuíam diretamente para a violência. 

“Onde havia paredão e tráfico de drogas, havia homicídio. O combate à poluição sonora e a apreensão de motos irregulares foram os fatores que mais impactaram na redução dos crimes em Conceição do Coité”, afirmou. 

De acordo com Charles Vieira, locais com som automotivo em alto volume, que são conhecidos como paredões, eram ambientes com concentração de tráfico de drogas, bem como favorecem a incidência de crimes. 

Com a intensificação da fiscalização contra poluição sonora e eventos irregulares, a PM conseguiu reduzir a ocorrência desses tipos de crimes. 

Além disso, outro ponto decisivo foi a fiscalização de motocicletas irregulares. Segundo o comandante, em média 40 motos por mês foram apreendidas, totalizando entre 400 e 500 motos ao longo de 2025. Essa medida contribuiu diretamente para a desmobilização de rotas e meios de atuação do tráfico.

A corporação também manteve blitz constantes em pontos estratégicos, rondas em áreas escolares e reforçou a atuação da Ronda Maria da Penha. Assim, ampliando a presença preventiva e o atendimento especializado às mulheres.

Para o ano de 2026, a PM projeta novas ações, como a implantação do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) nas escolas, bem como o uso contínuo do decibelímetro para controlar sons automotivos irregulares.

Assim como operações permanentes contra veículos como chassi ou motor adulterados, que são práticas que, hoje, constituem crime sem possibilidade de fiança. 

Atividades da Polícia Civil

Do mesmo modo, a delegada titular da Polícia Civil, Ludmila Araújo, que atua na cidade desde 2017, comemorou os resultados de 2025. A delegada, que chegou na cidade com o desafio de reduzir a violência, avaliou 2025 como o ano mais tranquilo em quase uma década. 

“Foi um ano muito tranquilo em relação a mortes violentas, furtos e roubos. Apenas quatro homicídios. Em quase 10 anos aqui, nunca foram tão poucos”, disse.

Ludmila Araújo explicou que dois, dos quatro homicídios, já foram elucidados, e um segue em investigação, com suspeito identificado. Assim também como os crimes patrimoniais, como furtos e roubos, que apresentaram queda. A taxa de resolução desses crimes ficou próxima de 80%.

No entanto, a delegada ressaltou que a violência contra a mulher ainda é um dos principais desafios enfrentados pela Polícia Civil. Em 2025, cerca de 400 inquéritos foram instaurados. Desse número, entre 60% e 70% estão relacionados a violência doméstica. 

A maioria dos casos já foi investigada e encaminhada à Vara Criminal, atualmente, restam cerca de 20 inquéritos em andamento. Apesar dos números preocupantes, nenhuma das quatro mortes violentas registradas foram de mulheres.

Esses indicadores de 2025 indicam que a cidade de Conceição do Coité, com cerca de 71 mil habitantes, hoje vive um cenário de redução histórica da violência letal, que pode servir de modelo para outras cidades da região e do estado da Bahia.

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