Acorda Cidade

Das ruas para a ocupação do poder: a redução das manifestações massivas pelo país trouxe à tona um formato distinto de protesto, as invasões a sedes de órgãos públicos. Ao menos nove cidades tinham prédios da Câmara Municipal, Assembleia Legislativa ou prefeituras ocupados até hoje por manifestantes.
 
Pelo menos outras dez cidades já tiveram invasões semelhantes – algumas ocorreram anteontem, durante o Dia Nacional de Lutas. Em Vitória, cerca de cem manifestantes ocupam a Assembleia há dez dias em protesto pelo fim do pedágio na ponte até Vila Velha. O grupo considerou “uma grande vitória” a redução de R$ 1,90 para R$ 0,80 anunciada hoje. Mas vai continuar ali até que haja o fim da cobrança.
 
Os manifestantes usam um ramal telefônico para falar do movimento. “Ocupa Ales [Assembleia Legislativa do ES], boa tarde”, disse uma integrante ao atender ligação da reportagem. Por causa do acampamento, nenhum projeto está sendo votado na Assembleia.
 
Situação semelhante ocorreu em Porto Alegre, onde o expediente na Câmara foi encerrado devido à invasão. Cerca de cem pessoas ocupam o prédio para pedir a votação do passe livre. Sem acesso ao interior da Assembleia do Amazonas, 30 pessoas acampam em frente ao edifício em Manaus. Uma das reivindicações, o fim do voto secreto dos deputados, foi aprovada nesta semana.
 
Pressão efetiva – Para Maria do Socorro Sousa Braga, cientista política da Ufscar, as ocupações podem ser uma forma de pressão mais efetiva que atos nas ruas. “Nas ruas, é um fluxo de demandas. Ali, se está presente, é por algo mais específico, por algo a ser votado. Pressiona as autoridades e leva a classe política a repensar as suas práticas.” Também há protestos em São José do Rio Preto (SP), Divinópolis (MG), Mariana (MG), Passo Fundo (RS), Dourados (MS) e Aracruz (ES). Em ao menos outras dez cidades os prédios já foram desocupados. As informações são da Folhapress.