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Publicado em 14/09/2018 09h05.

Direito de Resposta

Em nota de Esclarecimento
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Direito de Resposta
Foto: Arquivo pessoal

Atualizada em 15.10.2018 às 11:26 para acréscimo de segundo pedido

 

Eu, Kaony Marques Moreira, servidor público do Estado da Bahia e estudante do curso de licenciatura em Geografia da Universidade Estadual de Feira de Santana, pessoa consciente e elucidada sobre os meus Direitos, verso, através desta nota, explicações sobre o equívoco narrado na reportagem que julgo ser infeliz do veículo de comunicação ACORDA CIDADE, na data 09/09/2018, na qual apresenta-me como sujeito preso e privado dos meus direitos e veicula uma fotografia minha com meu colega Helder Santos Souza. O que foi informado NÃO é verdade, visto que fui conduzido e apresentado, juntamente com meu referido colega, por policiais da Rondesp, que nos conduziram de imediato à delegacia do Bairro Jardim Cruzeiro, na qual foi feito um termo circustanciado e logo fomos liberados pelo simples fato de, além de não termos ocorrências alguma, sermos apenas usuários de Cannabis. Isso não se constitui crime pelo Estado constitucional democrático de direito.

Em razão de vivermos iludidos com padrões estéticos que fazem alusões a valores difundidos pelo capital, e que preconiza o enfrentamento do preconceito, da discriminação, do racismo e nega a prevalência do princípio da dignidade da pessoa, do respeito aos direitos fundamentais e coletivos, senti-me violado em todos os meus direitos fixados na carta Magna e em leis atinentes do nosso país quando, descuidosamente , foi vinculada pela mídia a minha imagem, NÃO autorizada. Além disso, a reportagem continha, a meu ver, um texto ultrajante que , inferiorizava, humilhava e feria de morte a minha integridade moral, física, psicológica e espiritual. Tudo em razão da espetacularização das informações não verificadas de forma responsável.

Muitas vezes ouvimos e assistimos a transformação da vida humana em um “espetáculo” mal instalado no qual famílias são expostas ao ridículo, através dos jornais, TV e rádios que buscam altos índices de audiência. Me compadeço por essas vidas ceifadas arbitrariamente, sem a mínima responsabilidade e idéia do grau de horror e prejuízos por elas sofridos. Ao sermos vítimas deste tipo de espetacularização, somos lançados injustamente numa experiência de extrema vulnerabilidade e exposição, marcada por uma dor incalculável que transpassa nossa alma. Esclareço que eu não sou e nunca fui bandido, vagabundo, mal caráter e drogado, como tentaram construir essa imagem sobre mim, ao invés, sou um cidadão de bem, trabalhador, contribuinte, pai, filho que honra os pais e nunca me envolvi em escândalo algum. Esta exposição a qual fui submetido, gerou danos inenarráveis e irreparáveis à minha família, muito mais à minha mãe e à minha filha, pessoas que nunca quis magoar em minha vida.

Por todo o exposto e pelo que fui vítima, acredito que precisamos lutar por uma mídia minimamente responsável, séria, dotada de comprometimento com a verdade dos fatos. Lutar para frear a sanha de tornar a vida humana um espetáculo para consumo voraz. Claro que sei que a liberdade de expressão é um direito inviolável, consagrado, e que a mídia deve exercê-lo sem censura, porém, o direito à intimidade e à vida privada, também são consagrados e invioláveis. É preciso que os veículos de comunicação gozem seus direitos de expressão sem violar a dignidade da pessoa humana, já que a liberdade da imprensa não é absoluta. Em função disso, e muito educadamente, estou exercendo o meu direito de resposta e apresento à toda a sociedade a VERDADE. Quem leu a matéria de 09/09/2018 pode notar que fui colocado na reportagem como um sujeito perigoso, quando, na verdade, apenas faço o uso recreativo de maconha, e somente isso. Tal produto já foi descriminalizado em muitos lugares do mundo e existe uma tendência da ordem política, legislativa e social de descriminalizar o uso no Brasil.

Para finalizar, solidarizo-me com todas e todos que tiveram suas vidas expostas nas redes sociais e de comunicação e vivenciou um , constrangimento sem igual em seu ambiente de trabalho e social. A maneira como a reportagem foi disseminada, causou a mim danos morais, existenciais e até mesmo laborais. É desumano destruir significativamente a reputação de dois estudantes que embora portassem uma substância análoga à maconha, para uso próprio – conforme pode ser constatado no próprio Boletim de Ocorrência – não se enquadravam no perfil criminoso. Fomos submetidos a uma operação de rotina, em que fomos conduzidos, averiguados e logo em seguida liberados; todo esse procedimento durou pouco mais de uma hora.

Agradeço o apoio de familiares, amigos e colegas de trabalho. Agradeço profunda e imensamente a coragem força e acolhimento que recebemos por parte de vários coletivos de Feira de Santana que se dedicam à proteção dos direitos humanos em defesa das minorias, eles : COLETIVO AVALOM- MULHERES NA TEIA, COLETIVO VERSOS DE MULHER, PSYAQUERR PROJECT, CHUPANÚYMETENOPRODUÇÕESARTISTICAS, DA de GEOGRAFIA da UEFS.
Deixo aqui registrado o meu sentimento de tristeza e decepção por terem sidos violados meus direitos, sobretudo a presunção de inocência e espero que outros casos como esse jamais voltem a se repetir. Acredito que as minhas palavras representam o sentimento do colega que estava comigo no momento e foi alvo da mesma reportagem. 

Kaony Marques Moreira.

(SIC)

 

DIREITO DE RESPOSTA AS INJUSTIÇAS SOFRIDAS

Eu, Helder Santos Souza, mais conhecida como Ran Rainha há 18 anos iniciei minha luta em movimentos estudantis na cidade de Feira de Santana, por uma educação de qualidade e por cobrança justa no transporte público. Fui assessor em dois mandatos parlamentares e hoje dedico minha vida em defesa do direito pela moradia popular decente. Em defesa dos direitos humanos construo a parada do Orgulho LGBT da cidade de São Félix desde 2014. Atualmente fui eleita conselheira de cultura do município de Feira e ocupo a pasta de identidade e diversidade cultural. Fui coordenadora da juventude, na cidade de Jaguarão-RS enquanto cursava História na Unipampa. Hoje, estou concluindo o curso de Cinema e Audiovisual na Universidade Federal do Recôncavo na cidade de Cachoeira.


Por meio desta nota, pretendo esclarecer equívocos narrados na infeliz reportagem veiculada no dia 09/09/2018 na página do programa ACORDA CIDADE. O veículo me apresenta como um sujeito preso, utilizando levianamente minha imagem, meu nome e o endereço da minha família, me qualificando como um traficante de entorpecentes. Vejo a irresponsabilidade da imprensa em divulgar tal conteúdo, apagando todo um histórico de ativismo social e cultural, me transformando injustamente em criminoso.
Não pretendo, com essas palavras, censurar a liberdade de imprensa e o seu direito de exposição, mas expresso aqui meu repúdio perante essa postura irresponsável, repito, que me trouxe, não somente danos irreparáveis, mas também levou transtornos permanentes ao meu espaço familiar, espaço este construído com o suor e o trabalho árduo de anos de uma mãe solteira, mulher negra, que dedicou sua vida como lavadeira e faxineira para criar e transformar seus filhos em cidadãos respeitáveis. Mainha, que hoje tem sua vida afetada por mensagens com imagens e textos divulgados pela referida página eletrônica.


Por fazer uso recreativo de Maconha, sou criminalizado, no entanto compreendo que o processo de criminalização das drogas produz grandes danos sociais em comunidades periféricas, sócio culturalmente falando. Não somente contribui para a estigmatização e criminalização de nossas comunidades e moradores, em sua maioria, negros e negras, como também nos torna alvo preferencial na famigerada guerra contra as drogas. Infelizmente, boa parte da nossa imprensa não é combativa contra as injustiças sociais, algumas até corroboram com o sistema dominante para manter o status quo.

Para dar um basta a estes abusivos da imprensa, cometidos contra mim e meu amigo Kaonir, utilizo deste direito de resposta, como um ato de reprovação ao conteúdo exibido que impactou de modo traumático a mim e a minha família.Agradeço a todos os movimentos sociais que nos apoiaram, agradeço aos familiares e amigos que nunca duvidaram de nosso caráter social.Espero que no uso deste espaço eu possa representar as vozes emudecidas das comunidades que sofrem com os efeitos da criminalização das drogas, criminalização da pobreza e das periferias. Espero fazer justiça ou contribuir para tal às pessoas expostas arbitrariamente pela imprensa abutre, em seus veículos de massa, sem se importarem com quais vidas estarão em jogo.

Helder Santos Souza – Ran Rainha Psy

(Sic)
 

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