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Publicado em 11/07/2018 09h29.

Estudante de escola pública é aprovado em sete vestibulares, inclusive Medicina na Uefs

Com a aprovação no curso mais concorrido da Uefs, Lucas viu todo o seu esforço ser transformado em realidade.
Estudante de escola pública é aprovado em sete vestibulares, inclusive Medicina na Uefs
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

Daniela Cardoso

Dias e horas empenhados em busca de um objetivo: ser aprovado no curso de Medicina. Para isso, muitas coisas ficaram para depois: festas, reuniões de amigos, viagens... O sonho começou a ser construído ainda cedo. Estudante de escola pública, filho de mãe dona de casa e pai autônomo, o feirense Lucas Lins sabia que para alcançar o objetivo ia ter que empenhar muito do seu tempo.

Para isso, contou com o apoio da escola, dos professores e com muita força de vontade. Chegava a estudar mais de 14 horas por dia. Na escola contava com livros e revistas da biblioteca. Tanta dedicação valeu muito a pena. Com apenas 20 anos, Lucas já foi aprovado em sete vestibulares em universidades públicas do Brasil. As aprovações começaram assim que terminou o ensinou médio. Ele poderia ter parado, mas tinha um sonho e precisava alcançar.

“Fui aprovado inicialmente em um bacharelado interdisciplinar em Energia e Sustentabilidade, depois em Química e Enfermagem. Em 2017, fui aprovado em Direito na Ufba (Universidade Federal do Estado da Bahia) e passei em primeiro lugar em Engenharia Florestal na USP (Universidade de São Paulo). Esse ano fui aprovado em Odontologia, recebi uma bolsa na Unifacs em Engenharia Elétrica e por fim meu grande objetivo, fui aprovado em Medicina na Uefs (Universidade Estadual de Feira de Santana)”.

Com a aprovação no curso mais concorrido da Uefs, Lucas viu todo o seu esforço ser transformado em realidade, mais do que isso, em satisfação e felicidade. Sensação de dever cumprido. Mas ele sabe que daqui pra frente serão novos anos de lutas e desafios. O sonho continua, porém ele sabe aonde chegou, aonde ainda pode chegar e o que é necessário para isso.

“Pretendo me dedicar ao máximo. Tenho que reconhecer o privilégio que é estudar em uma universidade pública e em um dos cursos mais concorridos. Tenho muito orgulho dessa conquista, pois a gente que sai de escola pública tem a ideia de que é uma escola inferior, de que a gente não tem condições para concorrer com estudantes de escola particular, mas isso não é verdade. Quando eu saí da escola pública, em 2015, já passei em três vestibulares. Sempre estudei muito e estava focado. Tinha uma pequena dificuldade em algumas matérias, mas batalhei. Esse ano estava mais tranquilo, estudava cerca de seis horas e dava uma pausa quando estava cansado. Tive que abrir mão de muita coisa. Lia muito, ficava cansado no final de semana, mas hoje nada disso foi sacrifício, já que conquistar o objetivo é muito bom”, afirmou.

Na infância, Lucas frequentou a Escola Municipal Amélia Dourado Neves, do bairro Santa Mônica II; o Ensino Fundamental foi cursado nas escolas municipais Santo Expedito e Professor Luciano Ribeiro Santos, no Parque Lagoa Subaé, e na Maria Antônia da Costa, Santa Mônica. Já o Ensino Médio, estudou no Instituto de Educação Gastão Guimarães, da Rede Estadual. O estudante também chegou a fazer cursinhos pré-vestibulares em alguns momentos da vida. Mas mesmo quando não estava nas aulas a disciplina fazia parte da sua rotina de estudos. Ele considera que estudar em escola pública não é um empecilho para chegar aonde se almeja.

"Estudar em escola pública não dificulta a entrada na universidade. Aqui tive professores excelentes e, além disso, tive muito incentivo, tive contato com livros e revistas, eu levava pra casa pra estudar e tudo isso me ajudou bastante na parte de história e também na redação, além da minha construção humana. Uma professora chegou a reclamar comigo quando tirei a nota sete em Matemática. Os professores incentivavam bastante”, destacou.

Diretora do Instituto de Educação Gastão Guimarães, Alfreda Xavier brinca que está mais feliz que o próprio estudante com a aprovação em Medicina. Para ela, ver alunos de escola pública alcançando sucesso no vestibular é a comprovação da boa educação e do desempenho dos professores.

“A gente fica muito feliz em ver um aluno de escola pública passar em Medicina ou em qualquer outro vestibular. Sabemos que a concorrência é grande. Isso prova que a escola pública ainda tem valor e também demonstra que nosso professor trabalha bem, busca ensinar a seus alunos aquilo que eles correm atrás. Somos aquilo que queremos ser. Às vezes, a gente tem uma escola de excelência, mas não queremos nada. Cada um tem que buscar seus sonhos”, frisou.

E foi isso que o estudante Lucas fez. Mesmo reconhecendo todas as dificuldades e problemas que as escolas públicas possuem, ele sabia que o resultado dependia mais dele do que de qualquer outra pessoa. Não desistiu e agora é exemplo pra quem sente as dificuldades e pensa não ser capaz. Hoje quem conhece a história de Lucas sabe que ele aprendeu mais do que a lição que é ensinada nas escolas, ele aprendeu uma lição para a vida.

“A gente tem que avaliar esse processo de sucateamento na educação e acredito que essa reforma no ensino médio vai dificultar bastante e aumentar a desigualdade educacional. Também tem a desvalorização do profissional e a falta de estrutura para que o aluno tenha um aprendizado eficiente. Os estudantes devem buscar para que o governo não deixe a educação de lado, devem buscar seus direitos. Nunca desistam dos seus sonhos, mesmo que seja difícil, se dediquem o máximo possível, só assim que a gente vai reduzir essa desigualdade social”, afirmou. 

Com informações do repórter Ed Santos do Acorda Cidade

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