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quarta, 23 de maio de 2012
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Vladimir Aras
16/10/2011 06:09

Ladrão

Uma história cabeluda

Divulgação

Foto: Divulgação

Por Vladimir Aras

Pelas barbas do profeta! Nem cabelo escapa da criminalidade.

Em 14/out, o centro comercial Orixás Center, em Salvador, foi palco de um episódio embaraçado. Um ladrão roubou de um salão de beleza grande quantidade de cabelos humanos. O assalto foi sofisticado. O larápio conferiu o volume, escolheu as madeixas, as mais longas, sedosas, cacheadas e vistosas, e as acondicionou numa mochila que ele mesmo levou para a cena do crime. Depois fugiu numa motocicleta pilotada por um cúmplice.

É acirrada a concorrência entre salões de beleza, peruqueiros e fazedores de apliques e megahair. Nesse mercado, os cabelos “virgens” (nunca tingidos) são os mais valiosos. A prática se gloablizou. Casos assim têm ocorrido em todo o mundo, sempre em ...

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16/10/2011 06:04

Direito Penal

Na boca da morta

Divulgação

Foto: Divulgação

Por Vladimir Aras

A Bahia é realmente folclórica. Estes dias ocorreu por aqui uma história macabra. Foi em Camacan, no sul do Estado. A senhora “Beltrana” morreu de câncer. Acreditando que sua querida genitora havia morrido por bruxaria encomendada por vizinhos, sua filha “Fulana de Tal” fez uma lista de pessoas de quem se vingaria. Felizmente, não entregou a relação de alvos a nenhum pistoleiro ou matador. Para quem é supersticioso, fez pior: pôs a lista na boca da mãe morta e a enterrou.

Já ouvi dizer que é coisa de macumbeiro pôr nomes de desafetos na boca de sapo. Na boca de uma morta, é a primeira vez que se noticia. Segundo a mitologia, os antigos gregos costumavam colocar ali uma moeda, para pagar ao barqueiro de Hades pela travessia ...

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05/10/2011 17:40

Ministério Público

A primeira vez, o primeiro dia

Divulgação

Foto: Divulgação

Por Vladimir Aras

Cheguei a Utinga há 18 anos, numa segunda-feira ensolarada, 4 de outubro de 1993, dia da feira livre local. Como em todas as cidadezinhas do interior do Nordeste, a feira semanal ocorria nas ruas do centro, que ficavam apinhadas de gente vinda dos povoados e das localidades vizinhas, com suas frutas, verduras e animais para abate, roupas, tralhas e bugigangas.

Era meu primeiro dia de trabalho como promotor de Justiça. Eu lá com meus 22 anos. J. R., meu pai, me acompanhou na jornada de Salvador até minha comarca de lotação, que ficava a uns 90 km ao norte de Lençóis, na inesquecível e misteriosa Chapada Diamantina. Nunca ouvira falar de Utinga e jamais morara fora de casa. Pior, eu não sabia nada do que era ser Ministério Público.

Para ...

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02/10/2011 06:41

Agressão

A liga forense de vale-tudo

Promotor agride advogado no Plenário do Júri

Por Vladimir Aras

Parecia campeonato de Ultimate Fighting Championship (UFC) ou de Mixed Martial Arts (MMA). A cena poderia ter ocorrido num octógono qualquer, num torneio de vale-tudo. Mas ocorreu no ringue da Barra Funda. O embate jurídico transformou-se num combate jurídico com bate-boca e vias de fato.

No corner direito, de vermelho e preto, Prosecutor da Silva, o “Acusador”. No corner esquerdo, vestindo paletó e gravata, Fulano de Souza, o “Ampla Defesa”.

O registro visual não é dos melhores. O cinegrafista da “TV Forense”, especialista em artes marciais, digo, registros judiciais, tentou preservar a dignidade da Arena de Têmis, mantendo close apenas no réu. Não conseguiu.
O primeiro round foi monótono. Perguntas ...

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02/10/2011 06:36

Eliana Calmon

A nota

Autor: JBosco. Data: 18/07/08

Foto: Autor: JBosco. Data: 18/07/08

Por Vladimir Aras

A ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), não costuma se atemorizar com cara feia.

Sempre foi transparente e nunca escondeu o que pensa. Quando cogitada para vaga no STJ, chocou meio mundo ao confirmar, em plena sabatina do Senado, que tivera o apoio de Antônio Carlos Magalhães, Edson Lobão e Jader Barbalho para a indicação. Isto foi em 1999.

Agora, numa entrevista à Associação Paulista de Jornais, publicada ontem no blog do Frederico Vasconcelos e em vários jornais, a ministra do STJ e corregedora nacional de Justiça (CNJ) falou e disse de novo. Reproduzo um trecho:

APJ – Apesar de já ter projetos atualmente em discussão no Congresso Nacional, a modernização dos ...

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02/10/2011 06:31

Ação penal originária

Do começo para o fim

Divulgação

Foto: Divulgação

Por Vladimir Aras

Ri melhor quem ri por último? Sei lá… Nunca me convenci do acerto deste dito popular. A pessoa pode ter demorado para entender a piada… E isto nunca é bom.  

Mas, nos procedimentos criminais, defende-se melhor quem se defende por último.

Antes da minirreforma processual de 2008, o interrogatório do acusado era o primeiro ato da instrução criminal. Oferecida a denúncia e citado o réu, fazia-se seu interrogatório e abria-se prazo para a defesa prévia. Logo depois, eram ouvidas a vítima e as testemunhas da acusação e defesa.

Com a entrada em vigor da Lei 11.719/2008, o interrogatório do acusado passou a ser o último ato da instrução. Só ocorre depois de ...

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27/09/2011 15:58

Direito Processual Penal

A história da mulher tomate

Divulgação

Foto: Divulgação

Por Vladimir Aras

Parecia sangue mas era ketchup. Não sei se era Cepêra ou Heinz. A aparência não era das melhores. A foto tosca indicava uma produção de baixo custo. A posição da faca revelava um arranjo mal-ajambrado. José Mojica Marins, o “Zé do Caixão”, faria muito melhor.

Em Pindobaçu, norte da Bahia, um sujeito, a quem chamarei de “Mévio”, teria sido contratado para matar uma mulher, que apelidei de “Lívia”.

O crime de mando teria sido encomendado por “Tércia”, para tirá-la do caminho de “Caio”, o galã da história.

O papel de vilã foi desempenhado por “Tércia”, a suposta mandante do homicídio.

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19/09/2011 15:21

Corrupção

Foi o mordomo

Por Vladimir Aras

 Foto: Divulgação

A culpa sempre é do mordomo. Quase sempre a culpa é dele. Nesse filme de terror em que se transformou a gestão do turismo no Brasil, a culpa foi “da” mordomo (a governanta!) e do chofer.

Foram eles que demitiram o ministro do Turismo, coitado.

Éramos nós que pagávamos os salários dos funcionários do paço ministerial, montado pelo próprio ministro e sua primeira-dama. Que viagem!

Essas pequenas facilidades e benesses, tão comuns nos governos de todas as cores, corroem a ética pública e minam a confiança do povo na democracia. Os donos das
sinecuras acham normal levar vantagens aqui e ali. São os salários indiretos ...

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15/09/2011 17:53

Reforma processual

Reforma a conta-gotas

Por Vladimir Aras

O Código de Processo Penal do Estado Novo está em vigor desde 1º de janeiro de 1942 (art. 810, CPP). Nesses quase 70 anos de vigência, seu texto já foi modificado diversas vezes, mas até hoje não se adequou inteiramente à Constituição de 1988.

As alterações mais relevantes ocorreram em 2008, quando três leis modificaram o procedimento comum (ordinário e sumário), o procedimento especial do júri e o tratamento da prova.

Em 2009, foi regulamentado o teleinterrogatório, também chamado de interrogatório por videoconferência, ferramenta que eu defendia desde 2002.

Em 2011, mais uma lei retocou a prisão em flagrante, alterou completamente a prisão preventiva e a ...

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14/09/2011 17:52

Direito Penal

Aplicou no overnight

Divulgação

Foto: Divulgação

Por Vladimir Aras

Quem viveu a era da hiperinflação, sabe que a especulação corria solta, e o valor da moeda corroía rapidamente. O dinheiro que valia “$” hoje, valeria metade de “$” amanhã. Uma das formas de minorar o prejuízo era aplicar no overnight e resgatar o dinheiro no dia seguinte.

Em Barreiras, no oeste baiano, um representante comercial resolveu investir 81 mil reais num negócio de risco. Foi no dia 7/set. Ele podia ter escolhido um fundo de ações para melhorar suas finanças, mas preferiu confiar numa cartomante vidente. Crendo num milagre, o rapaz levou seu dinheiro em espécie para as benzeduras da Madame Mim. Esta mandou que ele esperasse até o dia seguinte. A grana ficaria com ela durante a noite. Foi então que ocorreu ...

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