Decisão foi tomada após Bogotá acusar caracas de abrigar 1.500 guerrilheiros das Farc
Hugo Chávez em encontro com Maradona,quando fez o anúncio do rompimento com a Colômbia (AFP)
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou nesta quinta-feira o rompimento das relações diplomáticas com a Colômbia. A medida foi tomada após o embaixador de Bogotá na Organização dos Estados Americanos (OEA) acusar Caracas de esconder 1.500 guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em seu território. "Me vejo obrigado a romper as relações por dignidade", disse Chávez ao lado do técnico de futebol argentino Diego Maradona, no Palácio de Miraflores.
O governo venezuelano decretou ainda alerta máximo na fronteira com a Colômbia e disse temer que o presidente Alvaro Uribe opte por uma ação armada. "Isso me causa uma lágrima no coração. Espero que a Colômbia retome a razão", disse. Chávez ainda classificou Uribe como "doente e mafioso".
Em Washington, o embaixador venezuelano na OEA, Roy Chaderón, chamou de " mentiras evidentes e maliciosas" as acusações feitas pelo colega colombiano Luis Hoyos.
Hoyos pediu a criação de uma comissão para verificar a presença de 1.500 guerrilheiros das Farc em território venezuelano. Eles estariam escondidos nos acampamentos, batizados de Bolivariano, Ernesto e Berta, perto do estado de Zulia. Entre as provas, Hoyos apresentou fotos de guerrilheiros, que teriam sido mortos no local.
O embaixador disse que as informações apresentadas na reunião foram recolhidas no computador do ex-líder das Farc Raúl Reyes, morto em uma ação no Equador em março de 2008.
Diplomacia - As relações entre Bogotá e Caracas estavam congeladas desde 28 de julho de 2009. A paralisação foi uma iniciativa de Chávez depois que a Colômbia acusou a Venezuela de desviar armas para as Farc.
As tensões aumentaram três meses depois, quando a Colômbia assinou um acordo com os Estados Unidos, permitindo que os soldados americanos utilizassem instalações militares no território colombiano para combater o narcotráfico e o terrorismo. Chávez se opõe ao pacto, por autorizar soldados americanos a atuar "muito perto de seu país".
(Com Agência Estado)